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8 de abril de 2013

Nonsense com 40 anos de Dark Side

Storm Thorgerson (Storm Studios)(c) Pink Floyd (1987) Ltd/Pink Floyd Music Ltd.
O histórico álbum Dark Side of The Moon completou recentemente 40 anos.

De 24 de março 1973 até hoje foram vendidas mais de 50 milhões de cópias do disco,
que trata das loucuras modernas, como o tempo, dinheiro, esquizofrenia, vida e morte.
E o triângulo simboliza a ambição e o pensamento.

 


O branco assusta. E a despeito da (cons)ciência de sua cobertura das cores outras. Do prisma floydiano. Mas o branco, se absorve, também oprime. Se é folha para a escrita, afugenta-a. Lugar para a inscrição da memória? amnésia. Traz-nos a sensação própria do vazio, que se transporta ou vincula ao nosso e do mundo, criando ligações angustiantes. Até que se a preencha com o possível, é o provável que sofre, o potencial que não se atualiza, o brilhantismo que queda na promessa. O branco, sinônimo do puro, limpo e imaculado, é, por força disto, superfície sujável por excelência, é o preto no branco. No fim das contas (ou das metáforas!) é a nota preta que vale, se bem que no fim só vale o crido, e mesmo sem tê-lo visto.

Estranho que do ponto de vista das cores seja o branco que simbolize o racismo! Ainda mais que os "brancos" mais com a cor dos botos se parecem... óh, onde sonham as formigas verdes?

Ou, como diria Humberto Gessinger...

"Nem todo nonsense faz sentido
 Nem todo sentido faz falta
 Nem toda falta de sentido é sentida"

Ou como uma segunda voz dos soldados respondendo à do comandante militar

"Não faz...SENTIDO!"                        

Talvez nem este post...



Walter Andrade

22 de dezembro de 2012

O fim do mundo já passou ou vamos fazer um filme?



Já tinha ouvido outras tantas vezes essa estória do mundo se acabar...

Dizia mesmo que desde que o mundo é mundo ou, antes, desde que existem seres humanos no mundo que se pensa em seu fim.

O problema estava, claro, no(s) calendário(s), que não está no mundo mas lhe é imposto pela mesma humanidade. Porque não bastava ao homem imaginar, querer, recear o fim do mundo...era preciso determinar até sua data final!

As numerologias dos anos fechados em zero ou em repetições de números, o fim dos ciclos temporais de civilizações antigas (tudo meio misturado ainda à ideia dos deuses astronautas...), o apocalipse cristão, zumbi, nuclear, meteoros, mudanças climáticas.... e lá ficava o homem, a mulher... a pensar nestas coisas todas.

Mal sabendo que o mundo se acaba a todo instante.
Que mais tempo é menos tempo.

Ou que é justo o contrário disso tudo, que o mundo se renova a cada dia que nasce...

Que pior que o mundo acabar talvez seja continuar como é. Ou aqueles cenários pós-apocalípticos...

Aliás, bem podia ser do mundo não acabar, senão nós acabarmos nele. 
Ficava daí o mundo livre sem nós.

Contudo, se diversas vezes que se disse que ia abaixo o mundo se não acabava, que desmoralização a ideia não sofria? Dava ensejo a memes, brincadeiras, "eu sobrevivi" e etcéteras...ah, e a filmes, claro!

Porém sempre ficava a ideia de que, se não foi desta vez, se pode concluir que da próxima é mais certo que ocorra...Se não chegou ainda é porque deve estar vindo...

Ps: Como esperado, já adiaram novamente o fim do mundo: o mais próximo deles está previsto para 2021, quando se espera o apocalipse ligado ao fim da inversão dos polos magnéticos... Em 2036 o asteroide Apophis pode colidir com a Terra (?). Em 2060 pode chegar o fim do mundo previsto por Isaac Newton em 1704, baseado no livro do Antigo Testamento de Daniel... Só aí temos 3 chances neste século XXI!

Walter Andrade

22 de novembro de 2012

Que mané Belle Époque!

De todos os conceitos que a história criou ou cultivou, o tal de Belle Époque é, sem dúvidas, um dos mais metidos a besta! Nas vezes em que sou solicitado a falar sobre o assunto sempre procuro, sem grandes sucessos, traduzir para o português esta noção que não se refere à outra coisa senão àquela época, entre o fim do século XIX e o início do XX, quando a então capital do Brasil passava por um processo de importação de costumes franceses; quando se ouvia um "Viva a França!" ao se encontrarem dois brasileiros, possivelmente na Avenida Central (hoje Rio Branco), indo ou vindo de alguma confeitaria com ares parisienses. O ridículo chegou ao ponto do prefeito Pereira Passos, não conformado com o alargamento das ruas, encomendar pardais e estátuas, tudo para transformar a terra de São Sebastião em um protótipo tropical da Cidade Luz.
Hoje, nossa Belle Époque C'est la merde! Não faltam pardais em todas as avenidas, estrategicamente posicionados e com intenções menos nobres do que aquelas pobres avezinhas de penas cinzentas e apetite pouco exigente. Os pardais de hoje, longe de comporem sinfonias para o sabiá, como os de antanho, não cantam nem avoam, mas são capazes de fazer qualquer um chorar! As ruas, contam-se nos dedos as que foram duplicadas. São tempos ruins para se ter um carro. Voltemos ao tílburi!

Bruno Silva

18 de outubro de 2012

A Cor Púrpura

Meu pai é um bruto, autêntico leão: só come uma vez por dia, tem mãos pesadas como bigornas, trabalha exposto às intempéries. Seu estilo soviético dos filmes herdeiros da Guerra Fria não exclui, todavia, algumas notas de sensibilidade: veio dele o meu gosto pelo violão; o que não herdei de meu pai foi a devoção à sétima arte. Colecionador, meu pai possui quase novecentos dvds originais. Sabe a posição de cada filme na estante, e é capaz de fornecer uma sinopse autoral de praticamente todos os filmes que possui.
Sou preguiçoso e indiferente ao cinema. Chocam-se os meus conhecidos mais "cults" com essa minha desdita. Por outro lado, gosto muito de alguns poucos filmes, e os revejo de maneira obsessiva. Vez por outra cedo ao conselho paternal e assisto algum de seus favoritos. Foi assim que assisti A Cor Púrpura, baseado no livro de Alice Walker (e aqui será honestidade minha informar que todo o lido até agora constitui apenas uma introdução meio autobiográfica!)
A Cor Púrpura foi a reunião de genialidades:  dirigido por Spilberg, ele marca a estreia de Woopie Goldberg, e conta com a atuação brilhante de Oprah Winfrey, de Dany Glover e de Margaret Avery na pele de uma cantora de blues de cabaré. A trilha é assinada pelo Quincy Jones (produtor de Michael Jackson). Chamou minha atenção a estreia de Woopie pois, tal como aconteceu com o Charlie Sheen em Platoon, foi marcada por uma atuação dramática em um filme até, de alguma forma, pesado. Ela está sensacional numa personagem que quase não tem diálogo no filme, mas cujos olhos enormes transmitem a mais profunda mensagem. Abusada sexualmente pelo homem a quem chamava de pai numa Georgia do início do século XX, ela dá á luz duas crianças das quais é imediatamente separada. Vê-se forçada a um casamento-escravidão com Mister (Dany Glover) enquanto vive assombrada com o destino dos filhos e de sua irmã mais nova, a quem o pai (e posteriormente seu proprio marido) também procura violentar. Celie (Woopie Goldberg) é uma sofredora estóica. Vive preocupada com seus filhos e sua irmã, aparentemente resignada com sua vida. Com a entrada em cena de Shug Avery (Margaret Avery) sua vida sofre uma transformação. Shug é uma paixão vadia de Mister. Quando este a leva para morar em sua casa, um relacionamento afetivo surge entre Shug e Celie. Amante e esposa-escrava se confraternizam, e a força da personalidade de Shug invade Celie. Curiosamente, a primeira relação de carinho experimentada com a libido vem de Shug. Elas se beijam (e o filme é de 85) e se unem em sentimento.
Não convem contar a história do filme. Basta apontar que seu tema fundamental é a redenção: dos pecadores, dos fracos e dos covardes. Acho que é o filme que mais me marcou nos últimos anos.
Para finalizar, é preciso comentar a música-tema do filme: Miss Celie's Blues (Sister). Já a conhecia da gravação de Renato Russo em seu Stonewall Celebretion Concert, mas fiquei duplamente surpreso quando ela surge no filme: primeiro que eu descobri que havia sido feita para o filme, e segundo que a música é de Quincy Jones, Lionel Richie e Rod Temperton, letrista de vários sucessos de Michael Jackson. Isso sem falar na interpretação fantástica de Avery, motivo pelo qual encerro me desculpando pelo tamanho do texto e oferecendo o vídeo como forma de compensar o esforço de quem leu:



Bruno Silva

25 de maio de 2012

Pseudos ou Quase Isso!





Triste como se vulgariza tudo neste país (e não só aqui), do sertanejo de raiz tornado "batidão sertanejo"(!), do samba ao "pagode romântico", do forró tornado "aviões do". Agora ainda assistimos ao Rock virado happy rock, emo, hip-rock, new metal... Que mundo nos ficou! Ao que a indústria cultural e outros tantos fatores nos levaram!


E daí surgem ainda os cult's, do outro lado do espectro (os pseudos), que endeusam qualquer banda/artista doce (apenas ou quase bom) que surja num mar salgado...


Ah, este Brasil brasileiro que tem, quiçá, a melhor música no mundo, não por nacionalismo, mas exatamente por cosmopolitismo, por antropofagia criadora.

Lembro hoje (saudosamente já!) da década de 1990 - que em breve passará por um processo de "cultização" também -, na qual se emparelhavam ainda bandas/artistas como Engenheiros do Hawaii, Nação Zumbi, Angra, Djavan,  (para ficarmos nos mais conhecidos apenas)... com a ascensão do "pagode romântico", do "axé" e do "funk" (ao menos aquele que ficou para a classe média televisiva e baladeira, sabe-se lá do "funk de protesto" que rumo tomou). Tivemos no âmbito internacional muita coisa boa ainda (Oasis, Pearl Jam, Radiohead etc.), mas já se sentia o avançar das correntes deletérias...



Hoje a defesa da boa música tem tomado um aspecto "cult" que também me incomoda, com um lado artificial e artificioso de artistas afortunados, entediados e sem vida, que não podem revolucionar verdadeiramente a arte como um dia Astor Piazzola, Jimi Hendrix, Miles Davis e a Tropicália o fizeram. O punk veio dos subúrbios londrinos... não quero dizer com isto que gente rica não possa fazer música "profunda", mas decididamente não com esta postura indiferente! (No mais, o próprio rock progressivo seria uma contraprova)


Hoje as "novidades" que ouço são o passado esquecido, as bandas quase desconhecidas que busco na net, os gêneros diversos como a música latina, o fado, o tango, o jazz, o blues, a MPB claro, tudo isso que passou também (tirante a música latina talvez) pelo tal processo artificioso de "cultização", porque é preciso que se lembre que são todos gêneros populares, populares eu disse. O jazz e o blues são apanágio da black music norte-americana! O tango dos subúrbios de Buenos Aires como La Boca, se o fado não for popular também eu de nada mais sei...

Parece que antes era "natural" ouvir música boa, era parte do Zeitgeist, da atmosfera, do "espírito do tempo"; hoje é um esforço - o esforço é incontornável - que tende a premiar o ouvinte com um status de culto...

Devemos ser, antes de tudo, não dever, e, depois de mais nada, iconoclastas.

Este texto é um desabafo. Pois não posso compactuar com a inautenticidade dos pseudos atuais 
(e receio ser confundido com um "cult").. É só mais uma forma - das inúmeras - de alienação, esta cultural. 


Walter Andrade 

21 de abril de 2012



A indignação é um dos motores mais vigorosos da atividade política. O absurdo é um leitmotiv.


É claro que, numa visão filosófica, não há algo que não seja absurdo, "viver assim é um absurdo (como outro qualquer)/como tentar o suicídio (ou amar uma mulher)/como lutar pelo poder (lutar como puder) - EngHaw". Contudo, se nos tornarmos total contemplativos, nunca nos libertaremos da inércia niilista. O relativismo dos absurdos não é, todavia, equivalente. A aceitação da existência do absurdo (e assim a des-ilusão) não implicam a resignação com o mundo. Aliás, é somente percebendo o absurdo que o ser humano poderá confrontá-lo. Combater a vida pode então ser mais absurdo que ela, pois é uma tentativa de evitar o absurdo (suicídio é só o adiantamento da morte, do não-ser, mas há quem lute contra a vida vivendo...). É a beleza que encontramos na vida - apesar dos pesados pesares - que a faz valer a pena. O significado que podemos inventar para ela, contanto que não se torne nova ilusão dogmática, nos ajuda a preencher seu vazio inerente. Daí que, como um círculo, voltamos à luta pela vida, à luta política pela melhoria da vida humana. Para que se torne mais bela, menos sofrida (na medida do possível), mais humana.


Muito se poderia melhorar a vida sem a corrupção, claro, mas, pergunta-se, é possível que ela suma? Parece-me isto uma nova ilusão, ilusão de pureza. 


A luta contra a corrupção, portanto (e como tudo...) é uma disputa política em si também. Vejamos:


A crítica da corrupção pode esconder uma defesa de uma maior eficácia do sistema econômico-político, um aperfeiçoamento da ordem e do progresso. É um uso à direita do tema, que é tão popular. É o tipo de discurso moralizante que faz sumir o fato mesmo de que o capitalismo se constituiu e se reproduz mediante todo tipo de subterfúgios (subornos, mecenato político, concorrência desleal) e a corrupção é apenas um deles (sendo a exploração do trabalho humano com fins privados a pior, e nada óbvia, porque naturalizada). Claro que temos no Brasil um adicional cultural da corrupção, tão estudado por Antropólogos. Mas há também os que falam até em modo de produção...


A crítica à esquerda da corrupção deve primar por utilizá-la como um sintoma, índice que dá a ver algo muito mais profundo, que é estrutural. É a própria ordem atual que se deve transformar, estrutural e não apenas superestruturalmente (campo moral, político). É pela defesa do aprofundamento da democracia, da transparência, da participação popular (e daí da melhoria da educação que possibilite uma participação realmente cidadã), que poderemos combater não só a corrupção, mas a estrutura econômica e social tão desigual em que vivemos. Para aqueles que não acreditam em mudança, é só olhar para a história. Há alterações que só ocorrem com séculos, sim, mas como homens de nosso tempo podemos e devemos fazer parte do processo histórico, e nele atuarmos como cidadãos responsáveis e conscientes. Importantíssima é, logo, a marcha contra a corrupção. Cumpre disputar seus rumos...


Walter Andrade

27 de março de 2012

Urbana Legio Omnia Vincit

Os fãs de Legião Urbana não precisamos nem de tradução para o título desse texto, mas vale o registro: Legião Urbana Vence Tudo. Também não será necessário explicar o porquê do que segue escrito. Bastará lembrar das palavras iniciais de uma música das menos conhecidas da Legião: "Eu sou Renato Russo, eu escrevo as letras, eu canto. Nasci no dia vinte e sete março..." (Rinding Song/  disco: "Uma outra estação").
O líder da banda, que afinal e infelizmente não venceu tudo, faria aniversário hoje. Acho mais apropriado fazer uma homenagem agora, deixando o dia de seu falecimento (11 de outubro) seguir em luto.
Estive pensando na importância que essa banda teve (e talvez ainda tenha) para a juventude. A minha geração, os primeiros órfãos, aprendeu violão tocando "Que país é este?", sonhando com os arranjos mais badalados como o da versão acústica de "Teatro dos Vampiros". Aprendemos também a procurar significados ocultos por trás das letras, mensagens subliminares. Aprendemos, de forma mais geral, a prestar atenção nas próprias letras. Para muitos, os discos da banda foram a porta de entrada para um convívio mais intenso com a escrita, com a poesia. Na verdade, Legião Urbana é o começo de muita coisa.
Ser legionário, hoje, soa a algo retrô; exatamente como as camisas em estampa xadrês, que o Renato Russo já usava antes da voga. Mas, pelas praias sem progresso, quando tem um grupo reunido em torno de fogueira ou garrafas, eles continuam dizendo: "todos os dias, quando acordo, não tenho mais o tempo que passou..."

Bruno Silva

6 de março de 2012

Ressurgimento do Carnaval de rua do Rio?

(foto aérea do Monobloco/2012)
Pode ser que eu esteja apenas ficando velho, mas não consigo ver essa melhora tão propagada por todos no carnaval de blocos no Rio de Janeiro.
A prefeitura e o Estado certamente gostam, pois com um patrocinador fixo pagando milhões para exibir sua marca (que nem é a melhor delas!) e jogando a responsabilidade de organização, segurança e horários a seguir nos blocos, deixam seus ombros livres e leves pra curtir a festa.

As mudanças que eram realmente necessárias estão sendo feitas, deve-se ressaltar: mais banheiros químicos (apesar de, em alguns casos, mal distribuídos), um policiamento mais ostensivo e presente e, principalmente, a coleta mais eficaz do lixo deixado pelos foliões.
Porém, em minha opinião, estão querendo bahianizar nosso carnaval! Estão querendo colocar todos (ou a maioria esmagadora) os blocos no Centro, na Avenida Rio Branco, como se fosse um corredor, uma espécie de Barra/Ondina em que os foliões se aglomerassem e ficassem no constante ritmo das ondas, indo com um bloco (Monobloco?) e voltando ao início da avenida para acompanhar outro. E assim durante o dia todo em nosso Mauá/ Cinelândia.

Não acredito que alguém que tenha ido ao Monobloco em Ipanema, ou em Copacabana, com 80 mil pessoas, goste ou vá no desfile da Rio Branco, com suas 500 mil. O Monobloco foi nascido na zona sul, e tiraram um pouco de sua originalidade quando o mudaram de lugar. Seria o mesmo que tirar o Suvaco do Cristo de baixo do suvaco do Cristo Redentor. Sinceramente espero que não viva para ver 2 ou 3 milhões de pessoas se espremendo no circuito Paes/Cabral para ver o "Virilha do Teatro" passar, acompanhados de milhares de uniformizados dentro da corda com seus abadás.

Mas pode ser que eu esteja apenas ficando velho.


Thiguim

29 de fevereiro de 2012

Le Carnaval Soleil


Cirque du Soleil
Unidos da Tijuca 2012

 







O carnavalesco Paulo Barros é, sans doute, un (malin) génie. Reinvenção do carnaval, inventividade fantasista, psicodélica, insólita, a criação adjetivada do artista. "Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim... olha que a rapaziada está sentindo falta, de um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim", resposta brilhante uma vez dada, segundo a "lenda", por Paulinho da Viola à Benito di Paula que estourava, ano após ano, tocando samba no piano, e que eu entendo (ou reinterpreto com a ambiguidade e polissemia da canção) como provocação à Bossa-Nova - "toda bossa é nova e você não liga se é usada...todo carnaval tem seu fim" - aqui cito-as à guisa de algo que quero dizer sobre a Sapucaí. Qual foi o último grande samba-enredo de carnaval? Na minha memória recente só chega o da Mangueira sobre Cartola ("Descendo a ladeira/Com o trio da Mangueira/Doce Cartola sua alma está aqui", 2002!). Hoje, ontem e anteontem cada vez mais se tem ganho o Carnaval com desfiles "técnicos" (como já na década de 1990 conquistava o caneco a Imperatriz), caso de escolas como a Beija-Flor (escancaradamente apoiada pela Globo), e a Unidos da Tijuca (da qual nem se lembrará o samba campeão deste ano, como muitos da Beija-Flor). As escolas de samba tradicionais (isso aqui não é uma agremiação, é uma escola de samba!) como Portela, Mangueira, Mocidade, Império Serrano, Vila Isabel (tantas!), têm sido preteridas em sua autoridade no samba por um carnaval que a cada ano mais se parece com o Cirque du Soleil, que deveria propor a Paulo Barros a direção de um espetáculo, por certo de grande fortuna!

Ademais, a tal diferença entre o 9,5 e o 10 pode ser compreendida, mas entre 9.9 e 10... Algum jurado carnavalesco (dos quais nem sabemos sequer mais a profissão!) explicaria sem hesitar uma diferença de 0.1? Há algum tempo a diferença (se era pra existir) era de pelo menos 0,5 ponto, o que dava maior credibilidade às notas (porque pressionava a consciência do jurado a notar uma diferença mais concreta entre as escolas). Hoje, você, um hipotético jurado, pode sair dando 10 por princípio e escolhendo as escolas que você não quer que sejam campeãs e dar 9.9, 9.8, 9.7... O dado de subjetividade (sempre ineliminável no todo) tem hoje um grau de decisão muito grande, da qual a objetividade (pois há de haver alguma!) se enciuma, inveja e reclama. E não só ela! Denúncias de favorecimento à Inocentes de Belford Roxo no Grupo de Acesso, tiranicídio de rasgação de notas em São Paulo... parece que não sou sozinho na minha desconfiança.

Para evitar a vitória sem mais dos desfiles "técnicos" dever-se-ia ainda aduzir um critério, algo como "Empatia com o Público", na qual sairiam na frente aquelas escolas que levantassem os espectadores das arquibancadas, escolhidas pelo "povo" como as vencedoras. Queria que lembrássemos dos sambas campeões dos anos (e pra isso eles teriam de ser muito bons, como não se tem estimulado mais a serem, já que escolas com sambas-enredo fracos, fracos ganham 10!), não das acrobacias de circo na Sapucaí. Do contrário o carnaval corre o risco de tornar-se cada vez mais - a Grande Rio quer contratar Paulo Barros... - um Cirque du Soleil, belo, fascinante, intrépido... mas fora de tempo e lugar! E pra classe alta/média/estrangeiro ver...

Walter Andrade

Ps: Este ano o Cacique de Ramos, Patrimônio Cultural do Rio e hors concours, foi homenageado pela Mangueira e desfilou na segunda de carnaval na Sapucaí pela primeira vez na história.  Na terça foi a vez da Mangueira ir pra Rio Branco, no desfile do Cacique de Ramos. Naquele dia ouvi o diretor do Cacique dizer no microfone "Aqui se vive o verdadeiro carnaval do Rio de Janeiro, com o Povo". Vendo e participando daquela confusão organizada, não tive meios de discordar...

17 de janeiro de 2012

Estupro de BBB - Um Contributo Histórico


Já vai milenarmente incutido em nossas mentes uma crítica de "sólidos" e metafísicos princípios à sociedade do espetáculo, que põem o efêmero, a aparência e o fútil como manifestações superficiais, do outro lado do discurso verdadeiro e, para além do epidérmico, sob o signo do engodo - diríamos mais modernamente também sob o emblema dos interesses privados (Gilles Lipovetsky. O Império do Efêmero). Que esta descrição adapte-se com louvor à TV Globo, não se está muito longe do verossímil em muitos casos. Ocorre que nenhuma análise apriorística pode ter lugar quando ainda não se sabe se realmente ocorreu um estupro no BBB atual - que eu nem vi, aliás, só flashes sobre o caso. Não se pode aventar tão levianamente a ideia do "bode expiatório", do "racismo" (o rapaz era até contra cotas, estaria realizando talvez um serviço à Globo), da busca desenfreada por Ibope (que na verdade despencou desde então). Eu induzo que ocorreu sim, dada a sumária expulsão do "Brother" (que seria além de estupro um incesto?! rs), sem qualquer defesa feita pelo mesmo (contra a expulsão) e a investigação que a Polícia está fazendo, incluso com intervenção da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres. Tanto mais que "estupro de vulnerável" não exige "penetração", "apenas" abuso sexual.

A outra "justificativa" da total indiferença pelo caso é mais profunda, e se disfarça sob a ideia de que "devia-se usar o twitter e outros canais para detonar o Sarney e a corrupção, os reais problemas do país, não para expulsar um Brother". Ora... primeiro que uma coisa não inviabiliza, sem mais, a outra. Segundo que se está a querer dizer que o estupro então não é um "problema real do país"? Aí adentramos, quer queiramos ou não, no terreno da cultura do machismo, e aqui eu trago um contributo histórico à questão.

"O estupro na Era Moderna (Sécs XVI-XVIII) configurava uma transgressão moral associada aos crimes contra os costumes - fornicação, adultério, sodomia, bestialidade - e não aos crimes de sangue. Pertencia ao universo do impudor, sendo gozo ilícito antes que violência corporal. A visão moralizada do crime reforçava o silêncio da vítima sobre a violência sexual, envolvendo a vítima na indignidade do ato, transformando em infâmia o simples fato de ela ter vivido, pelos sentidos e pelos gestos, a transgressão condenada. O estupro só passou a ser considerado legalmente violência moral e física a partir do século XIX. Esta nova visão não permitiu, contudo, superar a vergonha da vítima ou a suspeita do investigador. Isto significa  que esses limites confirmam a manutenção da dominação sobre a mulher, a existência de um julgamento de saída inigualitário, a estabilidade relativa dos costumes, apesar da inegável mudança na lei. Elas ilustram ainda a duradoura dificuldade de levar materialmente em conta a consciência da vítima, de objetivar suas falhas interiores, essas perturbações do dominado pelas quais a violência é reforçada".


(Itálicos nossos, fragmentos selecionados e parafraseados de VIGARELLO, Georges. História do Estupro: A Violência Sexual nos Séculos XVI-XX. Jorge Zahar Editor: 1998).

Como se vê, a suspeita apriorística sobre a vítima de estupro ainda prossegue, a inexistência de uma educação realmente igualitária, no campo sexual, que ensine um homem a conter seus impulsos quando necessário, para não falar já da ideia comum de que mulher que usa pouca roupa está "pedindo" estupro, que é já puta. Ora, puta quer dinheiro por sexo, não estupro, e tem ainda o direito de não querer um dado cliente. Tudo isto demonstra que o estupro ainda prossegue, nos costumes, filiado à esfera do impudor e do machismo, antes que do crime. E assim, via BBB, um programa sem dúvida fútil, que eu particularmente não suporto, podemos sim, porque não?, discutirmos problemas reais do país, quando a ocasião assim surgir.

Walter Andrade

27 de dezembro de 2011

Somos todos piratas, mesmo sem pernas de pau, olho de vidro ou cara de mau

"A pirataria é o meio que o pobre tem de participar da sociedade de consumo"

"A mais-valia, ou a (maior) parte do trabalho não-pago de um assalariado, nada mais é do que uma apropriação, expropriação, com palavras menos eufêmicas, um roubo, em suma, uma pirataria legalmente praticada pelos capitalistas"


"O pensamento é pirata": Nenhuma lógica de propriedade intelectual privada (que é recente, fruto do liberalismo) pode esconder esta verdade, a saber, de que todo pensamento é dialógico, logo é realizado sempre em relação com o outro, o que faz ruir a ingênua ideia de "pura criação" ou de "originalidade" no sentido pleno das palavras. Sem o outro não há um eu, que, na verdade, não há mesmo.

"Mesmo a arte se faz com piratarias: créditos não dados a inspirações ocultadas"

Estas são as minhas respostas com "frases fortes" a todos os repetitivos e monótonos jornalistas, que podiam estudar mais a fundo as ciências humanas e sociais e aprofundar debates, em vez de somente nos legar descrições pretensamente objetivas dos "fatos cotidianos".

Como veem, ando um pouco cansado de desenvolver longamente as ideias, e assim recorro aos aforismos, técnica já da Antiguidade, de dizer muito usando poucas palavras. De dizer, como Nietzsche, numa frase o que muitos levam livros inteiros para dizer (e muitos nem dizem!)

Walter Andrade

24 de maio de 2011

Show do Paul McCartney no Rio: Diário de Bordo, Parte II (Final)


O último show do Paul McCartney no Rio, na noite (já) histórica de 23/05/2011 começou pontualmente às 21:30, chegando com seu terno e suspensório, um inglês padrão (Padrão?! rs). Pressa do Paul de ir embora pra casa? Que nada! Lá vinham duas horas e meia (parece mais tempo por extenso!) de um espetáculo que poderia ser infinito, não fosse isso inumano, ainda que Paul mesmo mostrasse uma vitalidade maior que a minha! (Fernanda lançou a hipótese do vegetarianismo dele para explicar isso). Eu tinha consultado o setlist da noite anterior, e assim chamo atenção para a abertura diferente, com "Magical Mistery Tour", muito apropriada para uma turnê em si mesma mágica. Sempre os acordes iniciais de seu violão (quando o pegava) me faziam esperar I've Just Seen a Face, que não veio. Frustração então? Como?! Se a grande banda estava na estrada! (Band on the Run). O repertório foi sensacional: um passeio pela discografia dos Beatles (e como era bom ver os gestos de Paul e as fotos, fazendo-me voltar a um tempo que eu deveria ter vivido!), passando por The Wings, o projeto Fireman e a carreira solo, que não são supérfluos! Ou o que diremos de músicas como Mr. Vandebilt, Let me Roll it, Sing the Changes ou Jet?! Live and Let Die foi um show à parte, com os fogos, a pirotecnia, o rock. Aliás, o White Album estava lá presente, mostrando ao mundo o que é o verdadeiro Rock n' Roll! A vertiginosa Helter Skelter incendiando os sentidos (com suas imagens duplas e fundidas). Lembro-me de dizer em Paperback Writer "Isso será para sempre revolucionário", não só esta música, claro, mas A BANDA em questão, The Beatles (quantos mil "The" alguma coisa vieram depois e até hoje?!). Tocando Bandolim, Ukulele (nem sei o que é direito), Piano, Violão, Guitarra, Baixo... e ainda por cima cantando! Paul foi genial, jovial, brincalhão e generoso, tanto com o público em geral quanto com 4 meninas em particular, que subiram ao palco e foram recebidas com abraços e autógrafos, nenhuma cerimônia ou repressão, nenhuma hipocrisia... E eu já estava condicionado a esperar bis pra sempre, e o arrepio final veio com The End, fechando o show com a (penúltima! a-há!) música do meu álbum predileto, o Abbey Road (que inaugura a meu ver o Rock Progressivo).

Um dia terei a oportunidade de dizer a algum jovem que eu assisti ao (quiçá ou provavelmente) último show do Paul no Rio, dizer "eu estava lá" e "foi mágico". Ainda nutro a (boba?) esperança de que serão sempre os grandes artistas que no fim ficarão para a eternidade. É a imortalidade que eles conquistam, merecidamente. E eu, que não sou artista, nem imortal da ABL, digo por mim que me sinto menos devedor à Senhora Morte depois desse dia. Por último, preciso agradecer à Fernanda, minha namorada, pois sem ela não poderia estar lá; ela me deu o melhor presente possível e imaginável que eu poderia ter ganho pelo meu aniversário! ^^

Walter Andrade

22 de maio de 2011

Show de paul McCartney no Rio - diário de bordo, parte I


No ano passado, confesso, chorei a raiva e amaldiçoei o velho Maraca: Paul McCartney não viria ao Rio por conta das obras no estádio. Esse ano, nessa noite, mudei de opinião: o show do ídolo não poderia ter sido melhor! Com a plateia inteira, os 45 mil (embora tenha parecido que os cambistas fizeram muita gente ficar de fora, já que nas cadeiras havia alguns espaços não ocupados) que assistiram ao show ficaram totalmente encantados! Com um palco próximo do público, mesmo os que nào estávamos na pista (aliás, entupida de gente!) tivemos oportunidade de curtir de perto o espetáculo proporcionado por Paul. Foram mais de duas horas e meia de show, com dois
bis
A abertura, com apenas quinze minutos de atraso (lembre-se que o Cara vem da terra da pontualidade) foi ao som de Hello, goodbye, passando por clássicos emocionantes, tais como Let it be,
Eleanor Rigby, Something,
All my loving e Jet.
O final foi com Sgt Pepper`s Lonely Hearts Club band/The end.
Simplesmente fantástico, a plateia cantando tudo! Fiquei sem palavras (literalmente, já que a voz não resistiu rs!). É claro que se todo mundo tiver a chance de falar o que faltou o repertório completo vai aparecer na lista. Quanto a mim, saí querendo ouvir Goldem slumbers fills your eyes, smiles awake you when you rise...!
Enfim, felizes os que estarão lá amanhã e vivenciarão tudo isso! A parte II deste diário fica a cargo do Walter, que também terá o priviégio de conferir tudo de perto.

Bruno Silva

4 de abril de 2011

Vips ou Prenda-me se for capaz? O Coronel Sampaio, Frank Abgnale e Marcelo Nascimento

Ontem foi ao ar uma matéria sobre Carlos da Cruz Sampaio Júnior, o homem que enganou a polícia e a secretaria de segurança do Rio de Janeiro, fingindo ser tenente, major e, por, fim coronel. Confesso que simpatizei com a história do cara: uma espécie de "outsider", o sujeito fez do jeito "errado" a coisa certa. Atuou na Tijuca, Maracanã, Praça da Bandeira, Vila Isabel, Andaraí e Grajaú, segundo informa uma matéria publicada no Extra em outubro do ano passado. Reduziu o número de crimes na região, bateu a meta e garantiu quinhentinho para os polícias da unidade! Esquema honesto, diria o capítão Fábio, personagem de Tropa de Elite. Trata-se de um grande constrangimento, imagino, para o setor de segurança do Rio de Janeiro: um autodidata fez o trabalho que "especialistas" fracassam frequentemente ao tentarem.
Vigarices como esta estão registradas na história e, não por acaso, rendem bons roteiros: foi o caso de Frank Abganale, famoso falsário americano que foi retratado por Leonardo DiCaprio em Prenda-me se for capaz: vôos gratuitos, cheques falsificados, atuação como médico, advogado, professor... genial! Recentemente, a produção nacional reservou espaço para a história de Marcelo Nascimento, retratado por Wagner Moura (ainda não assisti). Mas porquê será que tais histórias interessam tanto as pessoas? No meu caso, sempre acho que vou aprender alguma coisa de útil. O "Coronel Sampaio", por exemplo, ressaltou a importância de você saber se colocar como o que deseja ser: um misto de Maquiavel (fingir possuir as virtudes necessárias) e Max Gehringer, que está tentando ensinar a maneira adequada de se comportar num processo seletivo para alguma vaga? Não sei, mas cuidado quando virem um homem de terno, bem comportado, bom comunicador, etc: ele pode estar mentindo, seja no púlpito de sua cidade ou no Planalto Central do país!

Bruno Silva

25 de janeiro de 2011

Bravo Tom! O aniversário do maestro Tom Jobim

Du Bruni
Se ainda estivesse nesse mundo (porque vivo com certeza está) o maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim teria a aparência de um senhor com oitenta e quatro anos de idade. É curioso que Tom Jobim tenha nascido no primeiro mês do ano e partido no último: de dó a sí lá se vão doze semitons; nos doze meses de um ano lá se vai um Tom inteiro!
Sobre ele, Ruy Castro uma vez disse o seguinte: "Toda vez que Tom abriu o piano, o mundo melhorou. Mesmo que por poucos minutos , tornou-se um mundo mais harmônico melódico e poético. Todas as desgraças individuais ou coletivas pareciam menores porque , naquele momento , havia um homem dedicando-se a produzir beleza. O que resultasse de seu gesto de abrir o piano , uma nota , uma acorde , uma canção , vinha tão carregado de excelência , sensibilidade e sabedoria que ,expostos a sua criação , todos nós , seus ouvintes , também melhorávamos como seres humanos ". ( texto : Ruy Castro .)
Hoje, quando não nos resta senão recordar suas músicas através de gravações, o mundo está um pouco mais feio.
Outras águas de outros meses passaram sem deixar promessas de vida no coração de ninguém! A casa em que o Tom compôs "Águas de Março", em São José do Vale do Rio Preto, foi destruída pela desgraça que se abateu sobre a região serrana do Rio de Janeiro, outra paixão de Tom além da cidade que o maestro amou e ajudou a inventar cantando.
A maneira melhor de se comemorar o aniversário do gênio da música brasileira, penso, é colocar um cd pra tocar e procurar se reconciliar com a vida e a leveza que nos chegam por acordes impossíveis de um piano de magia.
Aos que ainda não conhecem a fundo a obra do maestro Tom Jobim, eis uma data propícia para fazê-lo. Àqueles que já são admiradores: aproveitemos o dia.

Bruno Silva

22 de dezembro de 2010

Déjà vu e Djavú

Segundo o site Wikipédia “Déjà vu é uma reação psicológica fazendo com que sejam transmitidas idéias de que já esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. O termo é uma expressão da língua francesa que significa, literalmente, já visto.”

Tenho essa sensação sempre que o tédio me faz parar a TV em um canal de videoclipes. São tantos os "déjà véanus" ("já vivido"), "déjà lu" ("já lido"), "déjà entendu" ("já ouvido"), "déjà visité" ("já visitado")...

Frases como “shake your body” e “put your hands up” estão no topo de cada lista de top, me irrita como a música pop americana está cada dia menos original, mais chata e repetitiva!

Não quero dar uma de crítico de música ou levantar a bandeira de bandas independentes. Até porque já não tenho mais paciência para artistas e críticos em geral.

Mas e o “húmor”?

O humor nos tempos de cólera!

Cólera, Justin Bieber, Black eye peas, katy Perry e outras coisas contagiosas.

Falando em febre, não posso deixar de voltar os olhos para o nosso (vagabundo muito) querido: Brasil (com ‘S’ e com ‘Z’), copiamos muito bem nossos líderes, temos o don de transformar “im a single lady” em “hoje eu to soltera”, um legítimo tecnobrega!

Também tem sons de teclado, voz aguda, danças exóticas e jogadas de cabelo a banda com o nome mais verossimilhante e... eu diria: Honesto!

Banda Djavú!


João Gabriel (com a sensação de que já falei, pensei ou escrevi isso antes!)

22 de novembro de 2010

Quando o Futebol joga contra: Paul McCartney

Não quero bancar o resmungão, mas se não fosse a Copa de 2014, o Maracanã não estaria fechado hoje, e o Paul viria tocar no Rio de Janeiro. Ficamos a mercê da Globo, que nunca abre mão de sua programação ordinária (no sentido original e no pejorativo também)! Saem-me com uma história de "melhores momentos do show", reduzindo quase três horas de música em mais ou menos uma hora de programação. Só tem um detalhe: trata-se de Paul McCartney, ou seja, todos os momentos são melhores momentos (observação do Walter)! O cara fica 17 anos sem vir ao Brasil, não há lugar para show no Rio e a Globo ainda me faz isso! Será que "Eleanor Rigby" não faz parte dessa famigerada seleção global? E "Something"?! Não quero desdenhar de ninguém, mas porque não deixam pra fazer isso com o especial Roberto Carlos?!

Bruno Silva

18 de junho de 2010

LITERATURA - A propósito da morte de Saramago

É com pesar que o mundo recebe a notícia da morte de um dos maiores gênios da literatura contemporânea. Os editores deste blog, por opção, ainda não haviam escrito sobre literatura, que é paixão comum de todos. Traio o projeto de que as primeiras postagens fossem relativas à publicação de um livro de contos, da autoria dos editores, a ser publicado, talvez, este ano. Não poderíamos deixar de prestar um reverência ao Saramago, no que estou certo de que os demais consentirão. Assim, a primeira postagem, inicialmente planejada para comunicar alegria (a nossa, ao menos) cobre-se de um luto e tristeza pela notícia de hoje. Se há na morte algo de bom, é que ela (a dos outros, no caso) nos convida sempre a pensar na própria vida (quem dera não somente na nossa!) e, no caso de um literato, músico, artista em geral, é sempre um convite a se buscar sua obra, ou revisitá-la. Façamo-lo!

Bruno Silva

8 de abril de 2010

ARTES - Animes

É comum que as pessoas identifiquem animes com desenhos infantis. Isso não é inteiramente verdadeiro. Assim como há desenhos ocidentais que possuem uma dimensão mais adulta - caso de Batman, Spider Man, V de Vingança e outros tantos, que geram mesmo filmes de grande bilheteria - há também animes que não são nem um pouco infantis. Cowboy Bebop é talvez o melhor exemplo disso. Anime que se passa em 2071, num universo colonizado pelos humanos, que têm a tecnologia para criar portais hiperespaciais e cidades em Marte e outros planetas (os presos são enviados para Plutão). Além disso, o anime refere-se ao Jazz (o próprio nome Bebop refere-se ao tipo de Jazz veloz de Dizzy Gilespie e Miles Davis, e também se encontra na trilha sonora), Blues, aos filmes americanos de Cowboys (o próprio nome do anime) e a outros de ficção científica, como 2001 e Star Trek e o gênero noir (policiais, já que o anime centra-se em alguns caçadores de recompensa, os cowboys, que a bordo da nave Bebop procuram os criminosos) e a músicas famosas de grupos como Pink Floyd e Rolling Stones. Curioso são três velhinhos que aparecem na série, e se chamam Antônio, Carlos e Jobim.
Citaria ainda Death Note, um anime onde o personagem principal encontra um "caderno da morte". Escrevendo o nome de uma pessoa nesse caderno ela morre, e então Yagami Raito (o protagonista) pretende eliminar os presos e infratores do sistema para criar uma sociedade perfeita. O anime discute se matar seres humanos (e vai implícita a questão da pena de morte) é ético ou não. Os animes, ademais, são centrais na cultura japonesa, e sabe-se há muito que são os nipônicos que melhor elaboram desenhos, dando uma dimensão mais profunda a isso. Mesmo se lembrarmos aqui de Saint Seya (Cavaleiros do Zodíaco), que fizeram tanto sucesso no Brasil, poderíamos indicar a grande referência mitológica (grega, egípcia, escandinava...) que permeia o desenho, e sua ética da amizade, lealdade e espírito de luta.

Judeu Polaco