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19 de setembro de 2013

Pizzas, ratos e Coca-Cola


Walt Disney e Coca-Cola: dois símbolos da cultura dos USA. Imagine o Mickey Mouse bebendo Coca-Cola. Imaginou? Agora imagine a cabeça do Mickey dentro da garrafa de Coca! Isso nada tem de Tio Sam! Absurdos como esse são reservados para uma geração Coca-Cola de terceiro mundo!
O caso do consumidor que contraiu graves problemas de saúde após ingerir o refrigerante de uma garrafa que continha pedaços de rato, recentemente divulgado na grande mass media, gera indignação geral e doses de humor negro (humor caramelo IV, para ser mais exato!); mas a piada é, também, uma forma de protesto. Um tratado filosófico não geraria a mesma comoção que um meme nesses tempos de internet. A mensagem, por incrível que pareça, pode dizer tanto mais quanto menos palavras utilize.
Por falar nisso, quem acompanhou a maratona no STF pode notar a prática dos discursos herméticos. Um palavrório arcaico e recheado de latim. E teve ministro gastando o seu latim em votos de duas horas para dizer o que todo mundo entenderia com uma simples frase: tudo acabará em pizza no julgamento do mensalão! E pizza, sabemos muito bem, faz boquinha pra Coca-Cola. Os ratos, dessa vez, do lado de fora da garrafa!


Bruno Silva

9 de junho de 2013

Falecido conto do vigário, conto do Vigário falecido, sei lá...

Foto tirada no São João Batista. Cristo Redentor ao fundo. 
Morar na área nobre do Rio não é nada barato, como já sabemos. Ter o direito de dividir espaço com as amendoeiras, na Zona Sul,não é para qualquer mortal. Nada de surpreendente nisso. Agora, fui tomar conhecimento de que a vizinhança com as raízes do gramado também não é para qualquer defunto: o preço de um jazigo perpétuo no São João Batista - em Botafogo -pode chegar à vultuosa quantia de 300 mil reais!
Assustou? Então imagina isso: seus ossos descansando aristocraticamente no cemitério carioca e, de repente, não mais que de repente, para citar Vinícius de Moraes (que aliás jaz no São João Batista, assim como Tom Jobim, Drummond e tantos outros), sendo exumados sem autorização da família, indo parar sabe-se lá em qual cemitério! Foi o golpe de que tomei conhecimento assistindo ao noticiário da Record: um corretor que vendia o mesmo jazigo para várias pessoas; isto sem a autorização legítima dos antigos proprietários, num esquema de exumação fraudulenta.
 É o velho golpe do conto do Vigário, com o requinte macabro de estar associado à venda de tumbas! Nunca foi tão difícil viver, morrer e continuar morto aqui na boa sociedade carioca!

Para quem quiser ver a reportagem: http://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/edicao/?idmedia=51afdf860cf26f34e0263af5

Bruno Silva

16 de maio de 2013

Desculpe incomodar sua viagem

O sujeito entra no ônibus e permanece de pé, fitando os passageiros. Depois de uma breve pausa, começa a falar:
- Boa tarde, senhores passageiros! Desculpe incomodar o sossego da sua viagem. Eu sou ex-presidiário, paguei meu débito com a sociedade e estou aqui para saber se algum dos senhores pode me abençoar com uma oportunidade. Muitas vezes o ex-presidiário volta a cometer crimes, a roubar, porque a sociedade não lhe dá outra oportunidade. Eu estou aqui para pedir esta oportunidade para os senhores. Quem puder estar me abençoando com qualquer quantia, que Deus o abençoe. Aqueles que não tiverem como ajudar, que Deus abençoe também. Esse dinheiro, senhores passageiros, será para comprar balas e doces para vender nos ônibus, podendo, assim, levar o sustento para minha família sem precisar voltar ao mundo do crime. Eu nunca mais quero roubar! Obrigado senhores passageiros!
O sujeito começa a percorrer o corredor do ônibus. Alguns passageiros fingem estar dormindo (que é a maneira que muitos encontram para escapar a essas e outras situações cotidianas nos ônibus -sobretudo para não ceder o assento a quem de direito!), outros fixam o olhar pela janela. Alguns entregam moedas.
O sujeito recolhe tudo, agradecido, e põe-se novamente de pé, de costas para o motorista. Ele conta o montante e desabafa:
-Dez reais e quarenta e cinco centavos!... senhores passageiros, a passagem custa dois e setenta e cinco. Vai me sobrar sete reais e pouco! Deus e os senhores são testemunhas de que estou aqui me humilhando para conseguir o meu sustento, mas muitos de vocês endurecem o coração quando veem alguém necessitando de ajuda. Peço desculpas aos que contribuíram, mas eu agora vou assaltá-los! Não quiseram me dar, então eu tomo! 
O sujeito saca um revólver da cintura enquanto anuncia o roubo. Ele recolhe o dinheiro de todos, os celulares, relógios, jóias e até alianças de casamento! Ao final, informa que aquilo foi provocado por eles mesmos, que não souberam ser generosos. Manda o motorista abrir a porta e, para surpresa geral, paga a passagem antes de descer.
Os passageiros, atônitos, custam a acreditar que aquilo lhes sucedeu. O irreal do acontecimento parece informar que tudo se trata de um pesadelo coletivo, do qual acordarão antes do ponto final. Mas nós sabemos que isso não acontecerá. Eles continuarão dormindo. Todos continuaremos a dormir. Estamos no país do sono. Até quando?

Bruno Silva

24 de janeiro de 2013

O homem do futuro e o jabuti do passado

O The Sun, jornal britânico, publicou uma matéria sobre como será o homem de 3012. Em mil anos teremos menos cérebro, seremos mais altos e teremos dedos mais longos, olhos maiores, bocas menores... Já não bastavam as previsões apocalípticas para o futuro do planeta; agora os cientistas nos mostram como seremos em mil anos. Acho melhor nos preocuparmos em como faremos esse planeta e os seus destruidores (nós) durarmos tanto tempo! Se não houver saída mais razoável, vou me mudar para dentro de uma caixa de som velha e viver, pelo menos, mais trinta anos, tal como o jabuti da zona oeste. Para quem ainda não sabe, a Manuela, um jabuti (talvez ficasse mais correto escrever jabota, que é a fêmea da espécie) que havia sumido há 30 anos, foi encontrada recentemente dentro de uma caixa de som. Depois que o antigo proprietário da caixa esticou o pernil, o jabuti já ia para o lixo junto com a caixa de som (provavelmente viria para Seropédica!) quando, alertados por vizinhos, a família retirou o adorável quelônio do monturo e o reintroduziu ao seio do lar. Desnecessário dizer, claro está, que lá se foi a paz do bicho!

Bruno Silva

17 de janeiro de 2013

"Não pise"

"Não pise a grama" ou "Não pise na grama"? Tanto faz, contanto que você não pise! Para não pisar, aliás, nem a crase atrapalha: "Não pise à grama" está errado do ponto de vista gramatical, mas nem por isso se deve sair sapateando sobre o verde todas as vezes que a placa deixar furo! Bom, o que eu to querendo dizer é que, a rigor, não se deve pisar na grama quando houver proibição expressa (muito embora nos pareça impossível cumprir esta tola regra). Mas o que eu fiquei sabendo na semana passada me chamou a atenção: é proibído pisar nas asas dos aviões! Putz, ainda bem que isso está registrado, vai que algum desavisado...!
Fiquei discutindo o tema com minha mulher: esse aviso deve ser para os famosos demônios verdes que costumam viajar nas asas dos aviões, conforme os variados relatos, até então injustamente qualificados de fantasiosos. A razão feminina ainda quis me alertar para o fato de que aquele aviso destinava-se aos profissionais responsáveis pela manutenção das aeronaves. Não sei, não fiquei totalmente convencido. Daí vieram as instruções de vôo, e nos informaram que, no caso de um eventual problema, existiam portas de emergência sobre as asas. Mas se é proibído pisá-las! Concluímos, então, que, quando se trata de sobreviver, as vezes é preciso quebrar algumas regras (as do uso da crase, por exemplo!).

Bruno Silva

22 de dezembro de 2012

O fim do mundo já passou ou vamos fazer um filme?



Já tinha ouvido outras tantas vezes essa estória do mundo se acabar...

Dizia mesmo que desde que o mundo é mundo ou, antes, desde que existem seres humanos no mundo que se pensa em seu fim.

O problema estava, claro, no(s) calendário(s), que não está no mundo mas lhe é imposto pela mesma humanidade. Porque não bastava ao homem imaginar, querer, recear o fim do mundo...era preciso determinar até sua data final!

As numerologias dos anos fechados em zero ou em repetições de números, o fim dos ciclos temporais de civilizações antigas (tudo meio misturado ainda à ideia dos deuses astronautas...), o apocalipse cristão, zumbi, nuclear, meteoros, mudanças climáticas.... e lá ficava o homem, a mulher... a pensar nestas coisas todas.

Mal sabendo que o mundo se acaba a todo instante.
Que mais tempo é menos tempo.

Ou que é justo o contrário disso tudo, que o mundo se renova a cada dia que nasce...

Que pior que o mundo acabar talvez seja continuar como é. Ou aqueles cenários pós-apocalípticos...

Aliás, bem podia ser do mundo não acabar, senão nós acabarmos nele. 
Ficava daí o mundo livre sem nós.

Contudo, se diversas vezes que se disse que ia abaixo o mundo se não acabava, que desmoralização a ideia não sofria? Dava ensejo a memes, brincadeiras, "eu sobrevivi" e etcéteras...ah, e a filmes, claro!

Porém sempre ficava a ideia de que, se não foi desta vez, se pode concluir que da próxima é mais certo que ocorra...Se não chegou ainda é porque deve estar vindo...

Ps: Como esperado, já adiaram novamente o fim do mundo: o mais próximo deles está previsto para 2021, quando se espera o apocalipse ligado ao fim da inversão dos polos magnéticos... Em 2036 o asteroide Apophis pode colidir com a Terra (?). Em 2060 pode chegar o fim do mundo previsto por Isaac Newton em 1704, baseado no livro do Antigo Testamento de Daniel... Só aí temos 3 chances neste século XXI!

Walter Andrade

19 de dezembro de 2012

Papai Noel estilo Bukowski

Papai Noel terminou seu expediente no shopping center, tomou um banho ligeiro e saiu apressadamente, de chinelos e barba molhada. Vai Papai Noel, atravessa a rua fora da faixa, entra num bar:
- Porra, Santa! Até que enfim, pô! Pensei que tinha fugido no seu trenó...
- Vem cá, que porra é essa de Santa? Tá querendo ferrar comigo!? A galera escuta um troço desses e pronto: to fudido pra sempre!
Papai Noel pede um traçado de conhaque com vinho quinado e uma cerveja. Tira um maço de cigarros do bolso e acende um.
- Vou te contar, hoje foi um dos piores dias! O ar condicionado não deu vazão, um chororô de criança... teve um que peidou no meu colo!
Agora os dois estão vermelhos de tanto rir
- Peidou? Puta que o pariu! E você, disse o que?
- Rou, rou, rou! A mãe do fedelho ainda ficou rindo! Mas o pior foi um gordinho que encheu a sacola do pai, berrando e dizendo que queria tirar foto comigo. Fui pegar aquela rolha no colo e ainda tomei um pisão nos bagos! Putz, quase joguei o moleque no chão! A mãe de um outro, maravilhosa, colocou o filho em uma perna minha, sentou na outra e mandou o Zé B. do marido bater uma foto. Vou te contar, meu irmão, minha rena deu até sinal de vida!
- Aí, vida boa do caramba! Tá reclamando, mas vai passar o natal com as burras cheias de dinheiro! Aproveita e paga uma porção de calabresa pra nós.
- Escuta essa: um garotinho me contou que no ano passado ele colocou a meia dele pendurada no portão, pra ganhar presente, coisa e tal... acho que ele queria um tênis do Ben 10. Esse ano ele desistiu de fazer assim e veio falar diretamente comigo.
- O que ele queria?
- O tênis do Ben 10... e uma meia nova, porque levaram a dele no ano passado!

Bruno Silva

8 de dezembro de 2012

Crônica tragicômica

Tendo chegado com duas horas de antecedência, esganei o quanto de tempo pude e deixei o edifício do IFCS, em direção à rua do Ouvidor, muito menos fantástica do que se crê ao terminar um livro de Machado de Assis. Entro inseguro numa confeitaria granfina: Manon. Ainda não sei o que pedir quando, para meu alívio e surpresa, alguém diz "pão na chapa e café". Que bom que não preciso saber francês! Puxo um cachorro do bolso, mas a conta não passa de R$ 2,60! Vou satisfeito para minha mesa; uma tragédia se abaterá sobre mim mas eu ainda não sei.
De volta para o edifício, um galo com uma fita amarrada em seu tornozelo passa na minha frente (13, para quem quiser o palpite). Cumpro de maneira desastrada minha tarefa e saio, atordoado, atrás de chope e bolinhos de bacalhau.
Um dia no centro do Rio de Janeiro pode ser imenso! Entro na Candelária, almoço num fast food, perambulo para lá e para cá e ainda não são duas horas. Procuro algo numa livraria e cometo uma pequena extravagância. Na saída (como escrever isso sem parecer grosseiro?) sou alvejado pelos dejetos de alguma ave de muito maus desígnios. Não acredito que tenha sido um pombo: ele precisaria ser, no mínimo, do tamanho de um chester para conseguir produzir aquela quantidade! Não. Foi alguma espécie parente dos dragões mitológicos, acometida de sérios problemas intestinais, provável habitante de uma árvore da rua Almirante Barroso.Que bom que não tenha sido um vaso de plantas! Pensando assim, o azar até que não foi tanto, e eu devo ter exagerado ao usar o termo "tragédia". De todo modo, vejo-me obrigado a tirar a camisa e a mochila e ficar, no meio de uma tarde ensolarada, em plena avenida Rio Branco, com uma barriga de caminhoneiro, à procura de alguma solução menos embaraçante. Lavo-me em plena rua com uma garrafa de água mineral e compro uma camisa, valendo-me da gentiliza de um vendedor que serviu de intermédio (eu não estava em condições de entrar num aviário, quanto menos em uma loja de roupas!)
Nm dia cão como este, após mais três horas de espera, só me sobrava afogar minhas frustrações com meu amigo no Beco das Sardinhas!

Bruno Silva

4 de dezembro de 2012

A Medicalização da Existência

Os desenhos, feitos por gente grande, já retratavam estereótipos doentios.
Minha vó, que não é intelectual, disse uma frase capital hoje, em conversa telefônica com a vó de outros netos: "Menina (sic), tá muito difícil marcar consulta! as pessoas estão mais doentes que nunca...". Olha que até rima tem, se não tiver razão também... o que tem por certo é cada vez mais brasileiros com algum tipo de seguro, como plano de saúde (em 2003 tínhamos 32 milhões de associados, hoje passam dos 47! uma ampliação de quase 50 % em 8 ou 9 anos!). Mas há mais fatores além do acréscimo de segurados e a consequente busca maior de consultas.

Estamos na encruzilhada - como dizia uma professora antropóloga não há Brasil sem encruzilhada! - entre a medicalização da existência e a hipocondria, cujo mecenato midiático da primeira é cada vez maior com programas até matutinos sobre saúde, segurança alimentar, dietas...para aqueles que acordam cedo ou mal dormem de preocupação! Ah! temos horários para os notívagos também (e sobre eles, why not?), pelo menos um programa mensal do Globo Repórter é sobre o assunto, sem falar nas demais emissoras.

O hipocondríaco é um ser fantástico. Ele é como o metafísico de Voltaire: busca gatos pretos num quarto escuro onde os não há! E pus no plural conscientemente, pois que o hipocondríaco não se satisfaz com uma doença. Inconformados com exames de rotina, fazem os extraordinários também procurando uma segunda , terceira, quarta...doença ou opinião médica, automedicando-se, usando métodos curandeiros alternativos... E com razão! ele está doente, só não entendeu que é por crer que está!, e a força da mente é tal que o seu estado de saúde doença pode mesmo ser induzido pelo que ele pensa que sofre.

Há ainda curiosos casos, como o insólito da descoberta de doenças causadas pela ingestão sistemática de alimentos industrializados. O que as empresas fizeram? Lançaram os produtos light and diet. Uau! Seus problemas acabaram! Isto se você tiver dinheiro pra pagar por estes produtos, que têm assim um diferencial comercial....Como se vê, os problemas não se criam nem se resolvem, apenas se transformam!

Vivemos um poder "mediciático" que - se pode nos fazer viver com mais saúde - pode paradoxalmente nos lançar numa corrida doentia pelo corpo perfeito.

Walter Andrade

22 de novembro de 2012

Que mané Belle Époque!

De todos os conceitos que a história criou ou cultivou, o tal de Belle Époque é, sem dúvidas, um dos mais metidos a besta! Nas vezes em que sou solicitado a falar sobre o assunto sempre procuro, sem grandes sucessos, traduzir para o português esta noção que não se refere à outra coisa senão àquela época, entre o fim do século XIX e o início do XX, quando a então capital do Brasil passava por um processo de importação de costumes franceses; quando se ouvia um "Viva a França!" ao se encontrarem dois brasileiros, possivelmente na Avenida Central (hoje Rio Branco), indo ou vindo de alguma confeitaria com ares parisienses. O ridículo chegou ao ponto do prefeito Pereira Passos, não conformado com o alargamento das ruas, encomendar pardais e estátuas, tudo para transformar a terra de São Sebastião em um protótipo tropical da Cidade Luz.
Hoje, nossa Belle Époque C'est la merde! Não faltam pardais em todas as avenidas, estrategicamente posicionados e com intenções menos nobres do que aquelas pobres avezinhas de penas cinzentas e apetite pouco exigente. Os pardais de hoje, longe de comporem sinfonias para o sabiá, como os de antanho, não cantam nem avoam, mas são capazes de fazer qualquer um chorar! As ruas, contam-se nos dedos as que foram duplicadas. São tempos ruins para se ter um carro. Voltemos ao tílburi!

Bruno Silva

12 de novembro de 2012

Sardinhas sem Rio Card

O tempo consagrou uma expressão que hoje em dia talvez mereça revisão: passageiros como sardinhas em lata! Os apreciadores desse bom quitute, também conhecido como frango do mar ou pastel, sabem bem que, no geral, são três peixinhos por lata, o que dá uma margem de conforto não encontrada nos lotações, trens e BRTrens! Nossos gestores, se estivessem no ramo alimentício, jamais permitiriam tamanha expansividade! "Qual!? Cabem pelo menos umas cinco sardinhas por lata, é só espremer bem!"
É provável que, assim espremidinhas, as sardinhas mais se assemelhassem ao patê, atum ralado ou fiambre (se você come sardinhas em lata, possivelmente sabe do que estou falando).
Abaixo à degradante (para as sardinhas) comparação do transporte público às latas da democrática iguaria, carrasca dos figueiredos! Passemos ao outro nível! Somos todos patês; o que vai muito bem com o pão (que o diabo amassou)!

Bruno Silva

5 de setembro de 2012

Pedreiros da Marvel, Paralimpíadas e Adriano, estátua de imperador


No mês passado um acidente impressionante deixou muita gente de boca aberta: o sujeito caiu do andaime numa obra do Rio de Janeiro e  um vergalhão atravessou seu crânio. Felizmente não houve maiores danos ao trabalhador. Ontem um outro pedreiro, na Bahia, foi vítima de uma bala perdida: o projétil acertou sua cabeça e deixou apenas um ferimento superficial. Três hipóteses: milagres em série; apocalipse zumbi confirmado ou, vai saber!, trata-se de pedreiros da linhagem Wolverine.
Mudando completamente de assunto, as Paralimpíadas estão acontecendo e ninguém parece dar a mínima. Ela não consegue mobilizar os media com a mesma força das Olimpíadas. Uma pena, porque,não contando o fato do Brasil apresentar melhor desempenho naquela do que nesta, as Paralimpíadas dão exemplos inestimáveis de superação pessoal! Comentava com um amigo outro dia: parece que os atletas escolhem os esportes mais desafiadores, aqueles para os quais a falta de um membro representa uma dificuldade aparentemente paralisante. Será que o Adriano, nas suas inúmeras folgas, tá acompanhando os jogos?

Bruno Silva

31 de julho de 2012

Crônica de aeroporto

No aeroporto Antônio Carlos Jobim, esperando um meu amigo, observo as cenas que cotidianamente, suponho, se dão nos desembarques internacionais: são papeis com nomes escritos, siglas enigmáticas e símbolos estranhos; papeis que são empenhados por pessoas vestidas de maneira bastante sóbria, embora com algum excesso de tédio e apreensão. Encontros efusivos tem seu lugar no desembarque: abraços que mais parecem a prática do rapel, tudo fortemente desaconselhado pela ótica da civilidade, porém ignorado por sentimentos talvez mais antigos (alguns, segundo se propaga, exclusivos dos lusitanos e seus povos órfãos)!
Passa alguém vestido de branco (de vestido branco, mais exatamente), com a barba preta e grossa como náilon: todos suspendem a respiração. Debalde, aliás, pois que, se chegou a desembarcar, muito provavelmente vem com as melhores intenções, ou, ao menos, intenções comuns de turista. Desconfiança menor suscitam aqueles que agora chegam, saídos todos de uma mesma forma, praticando o milagre de falar e entender um idioma que nossas letras não conseguem registrar.
Observo estas coisas, conforme anunciado anteriormente,  enquanto espero, mais ansioso do que saudoso, cumpre reconhecer, esse meu amigo viajandão, que traz as muambas e encomendas dele, minhas e dos demais amigos. Uma infinidade de garrafas que, por aqui, custariam muito mais do que valem nossos fígados heróicos!
Ou o país abaixa as taxas e juros ou, o que é menos provável, vamos esperar que Hollywood nos ensine a beber, elegante e sedutoramente, doses generosas de cachaça em copos de extrato de tomates, pois aqui temo-los - os copos e a caninha - em quantidade suficiente.

Bruno Silva  

22 de julho de 2012

Gerais: o que um piercing de castidade, Humberto Gessinger e um gordo num fusca tem em comum?

Na Índia acontece tanta coisa esquisita que faz um deus de quatro braços e tromba de elefante parecer pinto (não, não fica parecendo um pequeno bípede penado; é apenas uma forma de expressão). Dois exemplos: um homem de 83 anos (em 2010) intrigara cientistas ao ficar dez dias sem comer e sem beber! O fato até serviu de prenúncio para o que se acredita ser o advento do apocalipse zumbi. Mais recentemente, outro indiano, dos que comem, instalou um artefato revoltante em sua esposa: um "piercing de castidade". O marido instalara um cadeado na genitália de sua esposa e levava as chaves na meia, todos os dias antes de ir trabalhar. Quer dizer: um indiano não quer comer, e o outro, não quer que os outros comam! Fiquei pensando: esse cara não só é um idiota ignorante, como tem pouca imaginação sexual. Isso vindo da terra do Kama Sutra é, no mínimo, absurdo!
Mudando de assunto, preciso comentar dois acontecimentos da esfera pessoal. O primeiro diz respeito a uma noite de autógrafos no Rio Sul. Os fãs de Humberto Gessinger tivemos uma oportunidade rara de conhecer o ídolo e, ainda por cima, tirar uma foto para recordação. Tendo lido na tarde do dia 18 que Gessinger estaria por lá lançando seu último livro "Nas entrelinhas do horizonte", não pensei duas vezes:

Por fim, quero compartilhar uma reflexão que tive na manhã seguinte: vi um gordo dentro de um fusca e achei a coisa mais leve do mundo! Aquela imagem me emocionou e me passou uma sensação de harmonia nas coisas. Parecia que o gordo havia se sentado num banco e esperado que o fusca fosse montado ao seu redor. Parecia que o fusca era um casaco de chuva daquele gordo. Um quilo a menos no proprietário, um centímetro a mais no fusca, e lá se ia a harmonia. Coisa complicada é o equilíbrio: pode estar num gordo dentro de um fusca, mas pode faltar num estudante de neurociências numa sala de cinema dos Estados Unidos da América.


Bruno Silva

17 de julho de 2012

Da comunicação mãe-bebê

Mães e bebês possuem uma forma específica e enigmática de comunicação. Como no trânsito, as mães sabem o que ignifica o choro breve, o choro longo, dois choros breves, etc. Eu não entendo de apitos, quem dirá de choro de crianças! Mas o que chamou minha atenção na sexta feira passada foi outra coisa: dentro de uma kombi estavam uma mãe e seu bebê. Era uma menina (falo do bebê), e me olhava fixamente. Tentei algum tipo de aproximação (falo do bebê), mas rejeitei, como sempre faço, apelar para o estilo bilo-bilo. É como dizia o Quintana: "O idiota estilo bilo-bilo com que os adultos se dirigem às crianças, isso deve chateá-las enormemente..." Fiquei olhando, mexendo as sombrancelhas, os lábios... sendo ridículo de outra maneira, em suma.
A menina, que se chamava Izabeli, não esboçava reação, apenas me fitava como se soubesse algum segredo meu. Comecei a me sentir mal, fiz revisão do meu dia: o que será que essa criança sabe a meu respeito. Comentei com a mãe da menina: - poxa, ela não dá chance! Está me olhando de uma maneira adulta, parece que sabe algum segredo meu! Continuamos nos olhando, e era sempre a mesma ameaça nos olhos da Izabeli. Quando desci da kombi, de alguma forma aliviado, a criança, que tinha um ano e pouco, subitamente olhou para a mãe. Mas olhou de uma forma tão eloquente que até eu consegui traduzir o que ela queria dizer: "Mãe, de onde você conhece aquele idiota!"

Bruno Silva

11 de julho de 2012

"Todo mundo odeia mudanças na programação!": gerais com algum humor.

"Lá vem ele reclamar de novo!"
Venho. É como diz na música: a hora do sim é um descuido do não. Não digo que estivesse feliz; estava conformado em trabalhar igual a um relógio e, chegando em casa, assistir ao seriado ultrarrepetido da Record. Agora não tem mais, falhou. Parece que mudaram o horário. Só que ninguém mudou o meu! Então, o que sobra é o noticiário, as vezes até inédito. Ontem, por exemplo, uma história com igredientes conhecidos resultou numa coisa nova e escandalosa. Uma vovó sulista, daquelas que não atiram, fraturou um fêmur e foi a um hospital do SUS (SUS CREDO!) para realizar cirurgia. Era para colocar platina na perna esquerda, mas os gênios não consultaram o prontuário e mandaram platinar a destra da vovó. Percebido o equívoco, fizeram nova cirurgia, mas a platina da direita vai continuar.
Coitada da vovó: vovólwerine (Rir = inferno).
Um experiente paraquedista realizava um treinamento de pane, quando ocorre uma simulação de problema e o pára-quedas é aberto no último momento. O piloto do avião fez uma manobra errada, acertando com a asa na head do paraquedista. Deu ruim de verdade. É o que os italianos chamariam de tropo vero!
O pior foi o comentário de uma autoridade competente: ou foi um erro humano, ou foi um erro da máquina, ou foram as duas coisas juntas. É mais fácil ele perder jogando dados com todos os lados iguais do que errar nessa análise!
O time do Sonnen pretende anular a luta do último sábado. Motivo alegado: a joelhada do Aranha teria sido ilegal. Se você tem dúvidas, procure o vídeo na internet e o assista ao vivo. Galvão garante que é possível!
Bruno Silva

14 de maio de 2012

O Ladrão foi lá em casa...

Não sou propriamente o Jason Bourne, mas na noite da primeira quinta feira do mês achei estranho quando, ainda da rua, notei lâmpadas acesas dentro do meu humilde covil. "Terá sido o meu relapso amigo, o Pedro Rachadura?", pensei. "Mas o que ele tanto buscava para ter deixado minhas roupas e papéis revirados em cima da cama? E por que deixou a janela aberta?" Dali a pouco notava que a janela fora arrombada, coisa que o Rachadura, forte como um Sr. Burns, jamais poderia fazer.
Percebi que havia sido vítima de uma tentativa de furto. Olhei as coisas com calma e não dei pela falta de nada. Se procuravam por dinheiro foram no seu paradeiro menos provável. O vil e fracassado larápio não teve a decência de me levar um dos meus bons livros. Tinha prosa, poesia, crônicas, livros acadêmicos e até um exemplar de bolso do Kama Sutra. Teve a astúcia de retirar o meu quadro do Tom Jobim para descobrir, infeliz, que só tinha parede atrás. Mas não lhe ocorreu tomar um trago da boa garrafa de tequila envelhecida em carvalho, que repousa tranquila e indiscretamente sobre uma das minhas duas geladeiras velhas (a outra faz as vezes de guarda-roupas).
Poderia ter saído mais culto, mas bêbado, mas só conseguiu se cansar e irritar. Ainda por cima deu provas inequívocas de ignorar a velha máxima, mandamento popular: o último a sair apaga as luzes.

Bruno Silva

P.S.: Já escritas estas linhas, dias depois do susto, o autor sentiu falta de um perfume que, para seu malgrado, já saiu de linha! Diga-se a bem da reputação do ladrão, aliás, que não foi de todo inoperante. Não saiu mais culto, nem bêbado, mas agora disfarce em perfume francês o suor que não derrama em labuta!


9 de maio de 2012

Coisas que eu não entendo

Um desodorante aerosol promete 48 horas de proteção: ou seja, dois dias inteiros sem tomar banho! Pode até fazer sucesso em alguns países da Europa, mas na fornalha Brasilis?...

Existe um serviço no atendimento por telefone para aqueles que tem deficiência auditiva. Alô? Alô? Alô!!!!!!!!!

Comprei o tal do "sal light", com cinquenta por cento menos sódio, esse maldito componente que existe em quase tudo que a gente come ou bebe. O macarrão lámen, por exemplo: tem uns sabores com mais de oitenta por cento da quantidade recomendada para o consumo diário. Mas, voltando ao caso do sal, eis a questão: o pacote é de 500 gramas (metade de um pacote normal); na prática, você precisa de uma porção duas vezes maior para temperar; custa o dobro do preço. Isto é: tô pagando quase oito reais! Era mais fácil o fabricante escrever "sal Dom Perrier" e cobrar a mais por esse mimo!

O goleiro Bruno deve voltar ao Flamengo, conforme admitiu o vice-presidente jurídico do time. O mais querido do Brasil não é só uma colônia para as férias: é uma possibilidade de pena condicional!

Bruno Silva


6 de março de 2012

Ressurgimento do Carnaval de rua do Rio?

(foto aérea do Monobloco/2012)
Pode ser que eu esteja apenas ficando velho, mas não consigo ver essa melhora tão propagada por todos no carnaval de blocos no Rio de Janeiro.
A prefeitura e o Estado certamente gostam, pois com um patrocinador fixo pagando milhões para exibir sua marca (que nem é a melhor delas!) e jogando a responsabilidade de organização, segurança e horários a seguir nos blocos, deixam seus ombros livres e leves pra curtir a festa.

As mudanças que eram realmente necessárias estão sendo feitas, deve-se ressaltar: mais banheiros químicos (apesar de, em alguns casos, mal distribuídos), um policiamento mais ostensivo e presente e, principalmente, a coleta mais eficaz do lixo deixado pelos foliões.
Porém, em minha opinião, estão querendo bahianizar nosso carnaval! Estão querendo colocar todos (ou a maioria esmagadora) os blocos no Centro, na Avenida Rio Branco, como se fosse um corredor, uma espécie de Barra/Ondina em que os foliões se aglomerassem e ficassem no constante ritmo das ondas, indo com um bloco (Monobloco?) e voltando ao início da avenida para acompanhar outro. E assim durante o dia todo em nosso Mauá/ Cinelândia.

Não acredito que alguém que tenha ido ao Monobloco em Ipanema, ou em Copacabana, com 80 mil pessoas, goste ou vá no desfile da Rio Branco, com suas 500 mil. O Monobloco foi nascido na zona sul, e tiraram um pouco de sua originalidade quando o mudaram de lugar. Seria o mesmo que tirar o Suvaco do Cristo de baixo do suvaco do Cristo Redentor. Sinceramente espero que não viva para ver 2 ou 3 milhões de pessoas se espremendo no circuito Paes/Cabral para ver o "Virilha do Teatro" passar, acompanhados de milhares de uniformizados dentro da corda com seus abadás.

Mas pode ser que eu esteja apenas ficando velho.


Thiguim

7 de janeiro de 2012

Um Bêbado (com mais bebidas!) vai a um Encontro de AA!

Darrin Porter, Condição: Bêbado Idade: 45 Anos
Darrin Porter, de 45 anos, pode ser considerado o homem errado, no lugar errado, na hora errada. O americano simplesmente invadiu uma reunião dos Alcóolatras [sic] Anônimos em Cincinnati, no estado de Ohio (EUA), completamente embrigado [sic] e carregando algumas garrafas de cerveja.
Os agentes do AA escoltaram Darrin até a rua, mas ele estava decidido a participar do encontro para debater os males que o alcool faz ao homem. Como se negava a deixar o recinto, a polícia teve que ser chamada. Ao ver os guardas, Darrin pediu a eles nome completo, número da identidade e da previdência social.
Darrin foi em cana (olha o trocadilho!) por desordem pública e desacato.
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Glosando a matéria...

Quem nunca pensou em fazer algo parecido?

Darrin Porter (de quem sabemos ao menos o nome!) queria debater os males do alcoolismo com os alcoolatras anônimos; bêbado, claro, e portando mais bebidas, ironicamente talvez. Teve uma consciência crítica no momento mesmo da embriaguez (ou uma atitude sarcástica!). Devia ser enaltecido ou... espíritos bukowskianos o enalteceriam também!, e não preso por desordem pública (talvez por desordem interior alheia!). Mas, como desconfia-se por aí (e por aqui), os alcoolatras anônimos, um pouco como os vegetarianos, não conseguem esconder o gosto (bom!) que sabem que as coisas têm: por isso uns chamam guardas para prender quem leva bebidas - imaginem a tensão nervosa dos AA! - e outros comem carne de soja.

Walter Andrade

Ps: Nunca disse que era o menos sádico...