Lanço a tese (quem quiser copiá-la sinta-se a vontade porque não tenho a intenção de pesquisar mais isso ...) de que a seleção brasileira atual sofre os efeitos conjugados de vários fatores dos quais eu apontarei pelo menos dois: o fracasso da super-seleção de 2006 e o fenômeno Muricy Ramalho.
Não há dúvida de que tivemos uma das melhores seleções do Brasil de todos os tempos em 2006. Refrescando a memória sempre curta: O time titular era Dida, Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Zé Roberto; Adriano e Ronaldo. Ainda tínhamos no banco jogadores como Juninho Pernambucano, Júlio César, Fred e Robinho... Muito embora eu já discordasse da titularidade do Adriano, ele a havia ganho por seus gols decisivos. Um ataque com Fred ou Robinho seria mais ágil. Nunca gostei do Dida, tá, mas acabaram minhas críticas. Como se pode ver, apenas pontuais. Essa seleção foi mesmo um fiasco?, não sei... lembro de ter jogado muito bem na fase de classificação (inclusive contra o "meu" Japão!) e contra Gana... saiu da Copa pelo tão repetido chavão de "já ganhou" e a soberba que o acompanha? Pode ser que sim, mas sempre há um ou isso também. Talvez sejamos demasiado cegos para perceber que a seleção brasileira pode perder não apenas para si mesma, mas para outras seleções. Encheram o saco em 1998 e por anos a fio com a convulsão (que qualquer médico sabe que não é nada tão grave assim) do Ronaldo e quis se culpabilizar isso pela derrota na final. Esquecem que o adversário era a França não só de Zidane, mas de Djorkaeff, Vieira, Trezeguet, Henry, Lizarazu... Novamente em 2006 caímos para a França de Henry, Zidane e Ribery... que foi... Vice-Campeã! Só perdendo a cabeça (dentro do tórax de Materazzi) na final contra AH...Itália!
Eis então que por esse complexo de superioridade brasileiro o Sr. Ricardo Teixeira demite o Parreira (pois minha terra tem é palmeiras...). E para o seu lugar chama o NUNCA antes técnico Dunga. O lance era, claro, disciplinar a seleção, acabar com a "farra dos jogadores". Escolheram-se alguns bodes expiatórios para 2006 (os Ronaldos, Roberto Carlos e seu meião) mas deixaram outros ficarem (Por que?) como o sabidamente indisciplinado Adriano (excluído ao fim), o muleque Robinho, e claro, o evangélico Kaká. Em suma, uma explicação simples para manter intacto o autoengano do nacionalismo futebolesco brasileiro.
Hoje os críticos jornalistas pouco criticam a seleção (com a exceção de alguns jogadores antigos como Paulo César Caju e o destemido Casagrande), limitaram-se a fazer campanha por Neymar, Ganso e (um pouco menos no final) por Ronaldinho. Mas uma vez que o "professor" (de que? se nem de Ed. Física é?) Dunga decidiu, baixemos nossas cabeças e torçamos então... (Preciso dizer que discordo e que torcerei contra?). Aceitaram o critério dos resultados. Já que a seleção vem ganhando tudo, pouco importa se jogamos bem ou não, se só ganhamos de grandes seleções que não se retrancam o jogo todo e empatamos com Colômbia, Peru, Bolívia... Nossa seleção é a da defesa e do contra-ataque. NUNCA tivemos uma assim. A de 1982 jogou demais e perdeu, mas ficará para sempre na memória do futebol arte, assim como o Carrossel Holandês de 1974 que perdeu para a Alemanha na final. Em 1982 o técnico era Telê... e o Brasil nem tetra era... bem, como Dunga ganhou em 1994 com uma seleção apenas mediana (excetuando Romário e Bebeto), mas mediana por pura falta de opção, acha que deve ser sempre assim. Se ganhar de 1x0 é goleada, o importante é levar a Copa a qualquer custo (é aqui que entra o fenômeno Muricy Ramalho... para bom entendedor, uma alusão basta). Será que precisamos tanto assim de um sexto título mundial? Acho que no futebol, o Brasil chegou a condição de poder jogar pelo título, claro, mas com o que tem de melhor e jogando um futebol arte. Não estamos mais em 1994, mas o Dunga ainda não veio De volta para o Futuro...
Judeu Polaco
Ps: Perdoem o texto longo.