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12 de dezembro de 2013

A enchente é um fenômeno político

Por que será que, ano após ano, as enchentes "surpreendem" as autoridades? A Rede Globo, por exemplo, começou a se tornar o que é graças à cobertura ao vivo que realizou sobre a fatídica enchente de 1966. De lá pra cá, entre dezembro e março sempre tem Natal, Inundação e Carnaval! 
Ninguém deveria se demonstrar surpreso com os cataclismos estivais! Tudo colabora para sua ocorrência: fatores meteorológicos, sócio-econômicos e, principalmente, políticos. A enchente é um fenômeno político: o sistema de drenagem insuficiente (ou sua não-existência), a ausência de políticas habitacionais, a vista grossa para o arrasamento da natureza pelas grandes empresas que destroem os rios (destruindo suas matas ciliares). Tudo isso está diretamente relacionado com o resultado que as urnas consagram. 
Do mesmo modo que a seca e sua miséria se explicam pela política, a enchente guarda esse parentesco, essa filiação, com a classe governante. Pode-se, sem muito esforço, culpar o morador das palafitas, das beiras dos valões, dos subúrbios esquecidos: vocês jogam lixo nas ruas, os bueiros entopem, o lixo volta para vocês, numa espécie de jogo cíclico perverso; mas a coleta de lixo, as políticas de ocupação da terra, as obras de infraestrutura a a correta fiscalização das atividades que degradam o meio ambiente, isso é atribuição dos governantes. 
Cada bueiro entupido significará, nas próximas chuvas veranis, algumas centenas de notas de real para bolsos que não são os nossos. Assim, a chuva significa uma grande oportunidade: será que todo o dinheiro que sai dos cofres federais rumo aos municípios chega ao seu destino? Será que o montante recebido pelos prefeitos é integralmente utilizado para a solução dos problemas? Será que o orçamento feito em situação de calamidade pública esconde algo? Muitas questões e uma saída emprestada do Riobaldo de Guimarães Rosa: "eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."

O papel que se joga no chão tem culpa. O papel que não se cumpre, tem ainda mais.

Bruno Silva

19 de setembro de 2013

Pizzas, ratos e Coca-Cola


Walt Disney e Coca-Cola: dois símbolos da cultura dos USA. Imagine o Mickey Mouse bebendo Coca-Cola. Imaginou? Agora imagine a cabeça do Mickey dentro da garrafa de Coca! Isso nada tem de Tio Sam! Absurdos como esse são reservados para uma geração Coca-Cola de terceiro mundo!
O caso do consumidor que contraiu graves problemas de saúde após ingerir o refrigerante de uma garrafa que continha pedaços de rato, recentemente divulgado na grande mass media, gera indignação geral e doses de humor negro (humor caramelo IV, para ser mais exato!); mas a piada é, também, uma forma de protesto. Um tratado filosófico não geraria a mesma comoção que um meme nesses tempos de internet. A mensagem, por incrível que pareça, pode dizer tanto mais quanto menos palavras utilize.
Por falar nisso, quem acompanhou a maratona no STF pode notar a prática dos discursos herméticos. Um palavrório arcaico e recheado de latim. E teve ministro gastando o seu latim em votos de duas horas para dizer o que todo mundo entenderia com uma simples frase: tudo acabará em pizza no julgamento do mensalão! E pizza, sabemos muito bem, faz boquinha pra Coca-Cola. Os ratos, dessa vez, do lado de fora da garrafa!


Bruno Silva

21 de abril de 2012



A indignação é um dos motores mais vigorosos da atividade política. O absurdo é um leitmotiv.


É claro que, numa visão filosófica, não há algo que não seja absurdo, "viver assim é um absurdo (como outro qualquer)/como tentar o suicídio (ou amar uma mulher)/como lutar pelo poder (lutar como puder) - EngHaw". Contudo, se nos tornarmos total contemplativos, nunca nos libertaremos da inércia niilista. O relativismo dos absurdos não é, todavia, equivalente. A aceitação da existência do absurdo (e assim a des-ilusão) não implicam a resignação com o mundo. Aliás, é somente percebendo o absurdo que o ser humano poderá confrontá-lo. Combater a vida pode então ser mais absurdo que ela, pois é uma tentativa de evitar o absurdo (suicídio é só o adiantamento da morte, do não-ser, mas há quem lute contra a vida vivendo...). É a beleza que encontramos na vida - apesar dos pesados pesares - que a faz valer a pena. O significado que podemos inventar para ela, contanto que não se torne nova ilusão dogmática, nos ajuda a preencher seu vazio inerente. Daí que, como um círculo, voltamos à luta pela vida, à luta política pela melhoria da vida humana. Para que se torne mais bela, menos sofrida (na medida do possível), mais humana.


Muito se poderia melhorar a vida sem a corrupção, claro, mas, pergunta-se, é possível que ela suma? Parece-me isto uma nova ilusão, ilusão de pureza. 


A luta contra a corrupção, portanto (e como tudo...) é uma disputa política em si também. Vejamos:


A crítica da corrupção pode esconder uma defesa de uma maior eficácia do sistema econômico-político, um aperfeiçoamento da ordem e do progresso. É um uso à direita do tema, que é tão popular. É o tipo de discurso moralizante que faz sumir o fato mesmo de que o capitalismo se constituiu e se reproduz mediante todo tipo de subterfúgios (subornos, mecenato político, concorrência desleal) e a corrupção é apenas um deles (sendo a exploração do trabalho humano com fins privados a pior, e nada óbvia, porque naturalizada). Claro que temos no Brasil um adicional cultural da corrupção, tão estudado por Antropólogos. Mas há também os que falam até em modo de produção...


A crítica à esquerda da corrupção deve primar por utilizá-la como um sintoma, índice que dá a ver algo muito mais profundo, que é estrutural. É a própria ordem atual que se deve transformar, estrutural e não apenas superestruturalmente (campo moral, político). É pela defesa do aprofundamento da democracia, da transparência, da participação popular (e daí da melhoria da educação que possibilite uma participação realmente cidadã), que poderemos combater não só a corrupção, mas a estrutura econômica e social tão desigual em que vivemos. Para aqueles que não acreditam em mudança, é só olhar para a história. Há alterações que só ocorrem com séculos, sim, mas como homens de nosso tempo podemos e devemos fazer parte do processo histórico, e nele atuarmos como cidadãos responsáveis e conscientes. Importantíssima é, logo, a marcha contra a corrupção. Cumpre disputar seus rumos...


Walter Andrade

17 de janeiro de 2012

Estupro de BBB - Um Contributo Histórico


Já vai milenarmente incutido em nossas mentes uma crítica de "sólidos" e metafísicos princípios à sociedade do espetáculo, que põem o efêmero, a aparência e o fútil como manifestações superficiais, do outro lado do discurso verdadeiro e, para além do epidérmico, sob o signo do engodo - diríamos mais modernamente também sob o emblema dos interesses privados (Gilles Lipovetsky. O Império do Efêmero). Que esta descrição adapte-se com louvor à TV Globo, não se está muito longe do verossímil em muitos casos. Ocorre que nenhuma análise apriorística pode ter lugar quando ainda não se sabe se realmente ocorreu um estupro no BBB atual - que eu nem vi, aliás, só flashes sobre o caso. Não se pode aventar tão levianamente a ideia do "bode expiatório", do "racismo" (o rapaz era até contra cotas, estaria realizando talvez um serviço à Globo), da busca desenfreada por Ibope (que na verdade despencou desde então). Eu induzo que ocorreu sim, dada a sumária expulsão do "Brother" (que seria além de estupro um incesto?! rs), sem qualquer defesa feita pelo mesmo (contra a expulsão) e a investigação que a Polícia está fazendo, incluso com intervenção da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres. Tanto mais que "estupro de vulnerável" não exige "penetração", "apenas" abuso sexual.

A outra "justificativa" da total indiferença pelo caso é mais profunda, e se disfarça sob a ideia de que "devia-se usar o twitter e outros canais para detonar o Sarney e a corrupção, os reais problemas do país, não para expulsar um Brother". Ora... primeiro que uma coisa não inviabiliza, sem mais, a outra. Segundo que se está a querer dizer que o estupro então não é um "problema real do país"? Aí adentramos, quer queiramos ou não, no terreno da cultura do machismo, e aqui eu trago um contributo histórico à questão.

"O estupro na Era Moderna (Sécs XVI-XVIII) configurava uma transgressão moral associada aos crimes contra os costumes - fornicação, adultério, sodomia, bestialidade - e não aos crimes de sangue. Pertencia ao universo do impudor, sendo gozo ilícito antes que violência corporal. A visão moralizada do crime reforçava o silêncio da vítima sobre a violência sexual, envolvendo a vítima na indignidade do ato, transformando em infâmia o simples fato de ela ter vivido, pelos sentidos e pelos gestos, a transgressão condenada. O estupro só passou a ser considerado legalmente violência moral e física a partir do século XIX. Esta nova visão não permitiu, contudo, superar a vergonha da vítima ou a suspeita do investigador. Isto significa  que esses limites confirmam a manutenção da dominação sobre a mulher, a existência de um julgamento de saída inigualitário, a estabilidade relativa dos costumes, apesar da inegável mudança na lei. Elas ilustram ainda a duradoura dificuldade de levar materialmente em conta a consciência da vítima, de objetivar suas falhas interiores, essas perturbações do dominado pelas quais a violência é reforçada".


(Itálicos nossos, fragmentos selecionados e parafraseados de VIGARELLO, Georges. História do Estupro: A Violência Sexual nos Séculos XVI-XX. Jorge Zahar Editor: 1998).

Como se vê, a suspeita apriorística sobre a vítima de estupro ainda prossegue, a inexistência de uma educação realmente igualitária, no campo sexual, que ensine um homem a conter seus impulsos quando necessário, para não falar já da ideia comum de que mulher que usa pouca roupa está "pedindo" estupro, que é já puta. Ora, puta quer dinheiro por sexo, não estupro, e tem ainda o direito de não querer um dado cliente. Tudo isto demonstra que o estupro ainda prossegue, nos costumes, filiado à esfera do impudor e do machismo, antes que do crime. E assim, via BBB, um programa sem dúvida fútil, que eu particularmente não suporto, podemos sim, porque não?, discutirmos problemas reais do país, quando a ocasião assim surgir.

Walter Andrade

11 de janeiro de 2012

A Visita de Eduardo Paes à Barra de Guaratiba ou O Paraíso também tem seus Infernos



Barra de Guaratiba é conhecida pelo seu tradicional roteiro turístico-gastronômico, pelo Sítio Burle Marx, belas praias, algumas com trilhas, a Restinga da Marambaia...

Desde César Maia, em cujo mandato foi realizada uma reformulação na orla da praia grande, quando traillers foram alterados para os atuais quiosques, que não se via intervenções urbanas no local.

O atual prefeito Eduardo Paes autorizou uma importante obra de tratamento de esgoto na praia grande, que está acabando com as "línguas negras" no local (haviam pelo menos duas grandes), e é para a "inauguração" da estação que o mesmo visitará BG dia 12/01/2012, aproveitando o ensejo para reunir-se com representantes do Polo Gastronômico de Guaratiba, da Associação de Moradores (que nem é legalizada, o que inviabilizaria, ao que parece, a organização do Reveillón pela Prefeitura), onde serão debatidas melhorias para BG.

Com efeito, há muito mais necessidades,.Como ampliar o tratamento de esgoto para a prainha e praia do canto. Outros exemplos são o asfalto da estrada Roberto Burle Marx, que se encontra em estado lamentável e com excesso de quebra-molas. É preciso ainda melhorar o transporte público na região, especialmente para o Recreio/Barra/Zona Sul/Centro, com a introdução de uma nova linha que fizesse o trajeto até a Barra da Tijuca e tivesse intervalo regular de, no mínimo, 30 minutos. Isto evitaria a espera pelo atraso rotineiro do 387 (Barra de Guaratiba - Carioca), que, por ser longo o trajeto e cheio de retenções, sempre atrasa, e cuja empresa Pégasus nada faz para evitá-lo, não colocando mais carros para a linha. Não me parece que o motivo seja alguma restrição por conta de Guaratiba ser "área de reserva ambiental", já que o 867 (Campo Grande - B. Guaratiba) tem uma grande frota, e que lota o local em dias de sol (linha que deveria não passar mais pela Ilha de Guaratiba, e sim seguir até CG via Rio-Santos). Este aliás é outro problema: a superlotação verificada nestes dias. Não há posto policial próximo - seria preciso haver um na entrada para a serra do Grumari - onde a guarda municipal ou PM's deveriam controlar o tráfego de carros, restringindo o acesso apenas para moradores em dias muito concorridos, para além de uma vigilância mais concreta das pessoas na praia e quando há blocos de samba (quando ocorrem brigas e até tiros). Ah! os shows e fogos (e os últimos já foram muito bonitos) no Ano-Novo deveriam voltar, porque as pessoas não deixam de lotar a praia grande mesmo sem...  É preciso dar um pouco de, para usar uma palavra meio falaciosa, "sustentabilidade" ao local.

Mas o que se está vendo hoje, um dia antes da visita de Eduardo Paes, são intervenções maquiadoras, com brita emergencial no asfalto próximo às praias, carros da Cedae (há um problema crônico de água na região), reparo do refletor da prainha (que estava sem funcionar há meses). Ao que parece, tudo para que as reclamações sejam amenizadas amanhã...

Walter Andrade

7 de dezembro de 2011

Fim da Escrita à Mão?

 
A MÃO ATIVA O CÉREBRO
31/08/2011



A palavra escrita no papel está ameaçada de extinção pelo computador. E não se trata de ser apocalíptico...

Na semana passada, uma decisão tomada nos EUA veio reforçar essa ideia que tanto atormenta os (cada vez mais raros) entusiastas do lápis, caneta e papel. Em ato inédito, o governo do estado de Indiana desobrigou as escolas de ensinar a escrita cursiva (aquela em que as letras são emendadas umas nas outras) e recomendou que elas passassem a dedicar-se mais à digitação em teclados de computador - decisão que deve ser acompanhada por outros quarenta estados seguidores do mesmo currículo. Oficializa-se com isso algo que, na prática, já se percebe de forma acentuada, inclusive no Brasil. Diz a VEJA o especialista americano Mark Warschauer, professor da Universidade da Califórnia: "Ter destreza no computador tornou-se um bem infinitamente mais valioso do que produzir uma boa letra". 

Um conjunto de pesquisas recentes na área de neurociência, no entanto, afirma que a escrita de próprio punho provoca uma atividade significativamente mais intensa que a da digitação na região dedicada ao processamento das informações armazenadas na memória (o córtex pré-frontal), o que tem conexão direta com a elaboração e a expressão de ideias. Está provado também que o ato de escrever desencadeia ligações entre os neurônios naquela parte do cérebro que faz o reconhecimento visual das palavras, contribuindo assim para a fluidez na leitura (diria-se aqui: se quem lê mais escreve melhor, o contrário também ocorre). Com a digitação, essa área fica inativa. "Pelas habilidades que requer, o exercício da escrita manual é mais sofisticado, por isso põe o cérebro para trabalhar com mais vigor", explica a neurocientista Elvira Souza Lima, especialista em desenvolvimento humano. Isso só vem reforçar a complexidade do problema sobre o qual as escolas estão hoje debruçadas. 

O hábito da escrita vem caindo em desuso à medida que o computador - cujo primeiro chip foi traçado pelo americano Gordon Moore de posse de um velho lápis... - se dissemina. Lembro até de ter ouvido, não sem riso e alguma cumplicidade, de um colega no mestrado: "acho que não sei mais escrever sem backspace!". 
 
Até aqui, foi a palavra eternizada em papel (ou pedra, pergaminho, papiro) que se encarregou de registrar a história da humanidade, não raro em garranchos deixados por seus protagonistas. O computador traz uma nova dimensão à aquisição de conhecimento e à interação entre as gerações que chegam aos bancos escolares. Para elas, escrever a mão corre o risco de se tornar apenas mais um registro do passado...guardado em arquivo digital! Como a foto cimeira...


 Adaptado de "Educar".

Walter Andrade

9 de novembro de 2011

A interpretação política de Slavoj Zizek sobre as questões atuais

 Reproduzo aqui um post do site http://dafnesouzasampaio.blogspot.com/2011/10/vermelho-e-cor.html, já os grifos no texto do filósofo Slavoj Zizek são meus. O texto de Zizek é uma espécie de condensador de tudo que está ocorrendo neste ano de 2011, e dialoga assim com nossos post's até aqui, até com o sobre o "fim do mundo".

vermelho é a cor

ano interessantíssimo esse 2011 com revoltas democráticas pelo mundo árabe, o quebra-quebra de londres e agora essa ocupação em várias cidades dos estados unidos (mais informações no site oficial do occupy wall street), sem falar nas nossas marchas da maconha, da liberdade e tantas outras ocupações de espaços públicos (como na USP). na segunda, dia 10 de outubro, o filósofo esloveno slavoj zizek esteve na liberty plaza, em nova york, condensou algumas de suas mais conhecidas teorias recentes e disparou um discurso muito bom sobre o presente, o futuro e o estado das coisas. a tradução abaixo é de Rogério Bettoni, feita para o blog da boitempo editorial; também é possível ver o homem em ação no meio da galera em inúmeros videos espalhados pelo youtube (por exemplo nessa trilogia aqui parte 1, parte 2 e parte 3).
O filósofo esloveno Slavoj Zizek na ocupação anticapitalista da Wall Street

 A TINTA VERMELHA
por Slavoj Zizek


Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.


Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.


Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?


Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…


Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.


Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…


Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?


Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.


Walter Andrade

O Real Motivo da Resistência na USP: A Repressão Policial

Essa vai para todos aqueles que compram à vista a informação globista (oficial) e superficial de que a motivação da ocupação da USP pelos estudantes e funcionários é apenas "pra fumar maconha em paz", o vídeo é a entrevista do professor Luiz Renato Martins, da USP:

http://www.youtube.com/watch?v=8MTAcnr-LaQ&sns=fb

Além do texto de Tico Santa Cruz (ele mesmo!), que faz um apanhado de outros textos também sobre o assunto e que podia usar essa inteligência nas suas canções...

http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=288&postId=28701&permalink=true

Walter Andrade

Ps: Tentei pôr dentro do post, mas o blogspot não localizava o vídeo.

22 de agosto de 2011

A Ideológica Caridade de um Criança Esperança...

Aproveitando o ensejo de uma crítica feita por um amigo (Dian) à dedução fiscal de que a Globo se utiliza com o "Criança Esperança", preferi publicar aqui o comentário que postaria no facebook (que estava se estendendo demais pra uma rede social... rs).

Interessante que os anos passem e os valores de doação aumentem (inclusive o mínimo, este ano R$7, e os demais R$20 e R$40), índice do crescimento do salário ou da inflação/desvalorização da moeda, ou ainda da ambição e necessidades globistas?

A caridade dos grandes sempre foi compensação (mínima) da desigualdade social, com o intuito de manter o status quo sob o alarde de uma solidariedade social das elites, meio durkheimiana, um modo de diminuir as tensões e os conflitos sociais, de classe (é, ninguém mais fala, mas não é por esse pudor ou olvido que elas não existem, né Prof. Rômulo!?), "pacificando" a sociedade. Que um bom número acredite verdadeiramente na caridade advém talvez do catolicismo (ainda e talvez daqui a pouco não mais) dominante e, concedo, da bondade de coração que uns e outros possam ter (alguém há de ter isso!). Eu, contraditório como todo ser humano o é, digo que sou um "humanista à distância", que não aprecia muito o contato social, nem sou um otimista antropológico...

Mas que as pessoas não se enganem (e muitos me parecem estar contidos na frase "Eu quase que nada sei mas desconfio de muita coisa..."), não esqueçam do óbvio: São Gonçalo continua miserável, o Fome Zero fracassou, e Capitalismo Solidário é, em boa e velha lógica, uma contradição em termos, em termos uma TV que chama os jovens desempregados europeus de "criminosos", "marginais", e que quer salvar as crianças brasileiras...

Mas são tudo exemplos, não se trata de uma conspiração, mas de uma estrutura social (o tal "sistema"). Se existe comida no mundo suficiente para alimentar a todos, porque o homem, que segundo filosofias (já) comuns é racional, não divide em justiça os produtos da natureza e do seu trabalho? É que a maior parte do tempo ele é uma besta. Que não venham achar que eu acredito na felicidade do homem! Num mundo sem fome continuariam a existir crimes passionais, tragédias sem conta, mesquinharias... Porém ninguém deixaria de ter a dignidade mínima das condições básicas de sobrevivência, com um programa habitacional realmente revolucionário, bom sistema de saúde, educação etc.

Apenas aqui do ponto de vista econômico - já que eu não defendo a "ditadura do proletariado", o comunismo soviético; socialismo sem liberdade é outro tipo de escravidão... mas, do ponto de vista econômico, a União Soviética em menos de 50 anos saiu da terra feudal ao espaço sideral! (o foguete que explodiu foi da NASA...). Só um exemplo do quanto se pode fazer com uma economia planificada, socialista.

Walter Andrade

14 de agosto de 2011

Um Contraponto ao Discurso Global em plena Globo (G1)!

 

Contra o ponto de vista "imparcial" da Rede Globo, que vem tratando dos protestos de rua em Londres e outras cidades inglesas como simples "anarquia", "crime" e "violência" gratuitas, é que compartilhamos este vídeo. Vejam que a todo momento os jornalistas do G1 tentam fazer que o sociólogo Silvio Caccia Bava subscreva a versão global para os acontecimentos britânicos, no que é, sem irritações manifestas, continuamente obliterada pelo estudioso. Nesse post, portanto, apenas ecoaremos e reproduziremos a fala do pesquisador. Sinalizamos, assim, como o neoliberalismo corta as conquistas sociais dos jovens europeus em momentos de crise, como o que está em jogo lá (como aqui e em todo o mundo) é a disputa entre um modelo de Estado de bem-estar social (com socialização das oportunidades de melhores condições de vida, estudo, trabalho...) e um modelo neoliberal que tudo quer privar-nos por privatizar-nos e a tudo o mais, favorecendo ao lucro de uma percentagem irrisória da humanidade os recursos naturais e o trabalho de bilhões de pessoas, o que se chama, em Economia, "mais-valia" ou "apropriação do trabalho pelo capital".

Walter Andrade

21 de julho de 2011

"Até o Namoro foi corrompido - pela União Estável".

"Mesmo o concubinato foi corrompido - pelo casamento" - Nietzsche

E eu diria a Nietzsche que na atualidade "Até o namoro foi corrompido - pela união estável".

Hoje, em nome do Direito, você não tem mais direito de ter um relacionamento "alegal", fora dos protocolos da justiça e da lei, sem a chancela do Estado. Mesmo o período de mais de 2 anos para a configuração de uma união "estável" (o que se quer dizer com isso?!) parece ter ido água abaixo:

"A Lei 9.278/96 não estabeleceu prazo mínimo de convivência, tampouco fez menção à existência de filhos como requisito para a sua confirmação... no texto legal, a união é vedada nos mesmos casos de impedimento de casamento".

Ora, se as pessoas não estão impedidas de casar (requisito para considerar uma "união estável", não um concubinato - que é definido como relações não eventuais entre um homem e uma mulher impedidos de casar), eu dizia, ora ora, se não se casam é porque não o querem! Ou, como diz este sábio ditado popular: "Quando um não quer, dois não brigam".

A assimilação do namoro pela figura jurídica da união estável nada mais é que uma espécie de casamento forçado. E com ele vão todas as amarras econômicas: pensão, herança, comunhão parcial de bens, direitos e deveres recíprocos... Pois você, meu caro, que está namorando (que pensava, quem sabe, ter um "relacionamento leve" e apenas baseado no sentimento), não precisa mais pensar em/ou se quer noivar, casar ou não (com todas as considerações filosóficas ou não que você possa ter sobre o assunto): o Estado decidirá o regime jurídico do seu relacionamento afetivo. Gostaria de ver o liberalismo aparecer agora, reclamando contra o alargamento da intervenção estatal em assunto privado. Mas nosso liberalismo é de mandrake, só quer saber de defender a propriedade privada e o mercado. O máximo que nos dão é um direito do consumidor...

Walter Andrade

5 de julho de 2011

Mi Buenos Aires Querido

Como começar quando escrever sobre uma viagem é uma tentativa de reconstituição sempre, senão de todo inútil, por supuesto fadada ao quase isso, à prolixidade, ao "principal que fica fora do resumo"?

Hoje, para pessoas "baratadas", as anteninhas, os satélites e toda a informática nos permitem e sugerem viajar sem sair de casa, ou viajar antes da viagem. De modo que as fotos que você pode tirar de um lugar não diferem em quase nada das semelhantes que vemos na internet (com a ressalva daquelas em que você mesmo sai na foto). Sin embargo, nenhum Google Earth (estamos nós de novo falando dele!) pode te dar a sensação de visitar com seu próprio corpo os locais que você desejaria ir. Quanto menos esse texto que vos escrevo! Admitindo de antemão as limitações da empresa, seguimos viagem...

Há anos queria ir a Buenos Aires. Acho que há pelo menos uns 3 calendários completos a ideia tornou-se mais fixa. E fui agora, quando menos tinha condições financeiras...talvez quando mais precisasse então...

A cidade é muito além das expectativas. Vamos começar pelo humano nela. A rivalidade entre argentinos e brasileiros é patente, logo você não pode esperar ser bem tratado lá. ERRADO. Nunca fui tão bem tratado em toda a minha vida por pessoas desconhecidas. E não pense você que era por causa do dinheiro-de-turista! Porque qualquer um na rua fornecia informações bem explicadas (e até não perguntadas) sobre tudo que você quisesse saber da cidade... A única exceção, talvez universal, seja a dos taxistas, malandros que só, mas já sabíamos disso (somos cariocas!), então não caímos...

Ônibus coloridos de Buenos Aires
O transporte público lá é mais antigo que o nosso, tanto na infra-estrutura quanto nos próprios veículos. Pero são muito bem conservados, limpinhos (exceção talvez do Subte, o metrô de lá, e de alguns trens, que, no entanto, ligam toda a cidade...), os ônibus são bem coloridos, a suspensão em dia, e o preço, equivalente a menos de R$1 em média por viagem (falo do sistema de transporte público como um todo)! (Na volta pegamos aquele Real azul, do Galeão à Alvorada, confortável certo? Pois a direção agressiva do motorista já tinha desconjuntado o coletivo de modo que a suspensão estava horrível, ah! R$9...).

Andar em Buenos Aires é como voltar no tempo, para a década de 1990. Neon nas propagandas, bom número de carros antigos, letreiros de farmácia como os de filmes que se passam no Nordeste brasileiro...  O Rio de Janeiro é a cidade mais avançada da América do Sul, provavelmente.

A cidade é relativamente pequena, de maneira que fizemos quase tudo à pé (e parece ser hábito hermano também). Ficamos em San Telmo, espécie de Santa Tereza de lá (sem ser no morro), fomos
Casa Rosada iluminada à noite


ao centro histórico no 1º dia (Casa Rosada, Congresso, Cabildo... a parte "obrigatória" da viagem). No 2º saímos da cidade rumo ao Delta do Rio Tigre (passando por umas ilhazinhas bonitas com casas de veraneio), quando conhecemos o trem urbano (passamos pela Recoleta e Palermo, e quase sempre como um ônibus, já que não há tanto os muros entre o trem e a rua, nem o tal "espaço entre o trem e a plataforma"), e o tren de la costa, um pouco mais caro porque turístico ($32 pesos), margeando o Rio da Prata. No derradeiro dia fomos à La Boca, ver o Caminito (menor casa do mundo, de apenas 2 metros de largura), o estádio do Boca, comprar souvenirs e assistir um showzinho de Tango num restaurante, à noite fechamos com Puerto Madero, espécie de Barra da Tijuca (por causa de um grande shopping, o único que vimos em Buenos Aires), mas com poucos prédios e sem a privatização-condominização do espaço público e da existência, como o é aqui..

Teatro Colón
Detalhe: Quase não ouvi música ruim em todas as andanças. Tango (claro), pop-rock argentino, música internacional (quando apareciam algumas pop's ruins; aliás, americanas quase sempre). É preciso dizer que Carlos Gardel é praticamente unanimidade, um mito nacional que sobrepuja de fato todos os outros músicos argentinos. De Astor Piazolla não tive notícia... mas fui ver o Teatro Colón, onde ele tocou seu Concierto para Bandoneóns! 



Michel Foucault em banca de jornal!



Buenos Aires é muito politizada. Vimos 2 manifestações políticas num só dia. Visitamos a Universidad Popular de las Madres de Plaza de Mayo (não deu tempo de vermos a Universidad de Buenos Aires). Ademais, é preciso dizer que era necessário que o conto "O Memorioso" fosse escrito por um argentino, Borges: a capital argentina vive uma hiper-memória, museus surgem frequentemente, as manifestações clamam "proibido olvidar...nos." "Memória y Justiça, Juicio y Castigo..." aos partícipes da ditadura por exemplo, incluso a juízes que foram negligentes ou cúmplices da mesma. Vimos até um ato simbólico de uma associação catalã pela autonomia face à Espanha! A despolitização atual do Rio deve muito ter a ver com a transferência
Reivindicação no chão de Justiça de Transição Pós-Ditadura
da capital para Brasília, como me lembrou Bruno, além de outros fatores talvez inumeráveis... Ademais, é de se notar que o fanatismo pelo futebol, que os argentinos compartilham conosco, não os cega para a política... Aliás, vimos in loco a grande cobertura sobre o já provável rebaixamento do Monumental River Plate (confirmado pouco depois de termos deixado a cidade).

 
Bife de Costilla com Papas Fritas!
A comida (ah a comida!). Cada bife de costela! cada massa deliciosa (lasanha com queijo roquefort, pizza ao estilo italiano, fininha e com muito molho de tomate, daqueles que não se encontra nos supermercados). A carne vem com pouco sal para o paladar brasileiro. O que muito se deve ao fato de eles fazerem-na sem sal grosso, por exemplo, porque desidrata a carne. O sistema de churrasco é diferente (Parilla), já que há uma chapa que isola a carne da brasa, usando somente o calor para assá-la, não influindo assim em seu sabor, etc...).

O câmbio é favorável: cada R$1 troquei por $2,43 pesos, no Banco de la Nación Argentina, no próprio Aeroporto. As moedas são escassas e essenciais, para os ônibus (ah! o motorista não dá troco enquanto dirige, há uma maquininha para as moedas e uma outra semelhante ao "Riocard"). O castelhano achei tranquilo, só era difícil quando um ou outro falava rápido demais, o que é natural. Foi uma mão na roda ter decorado alguns essenciais “falsos amigos”, já que acordar significa lembrar, cancelar e abonar é pagar (!), chorizo é lingüiça ou bife de chorizo (contra-filé), além dos já conhecidos pelos comerciais do CCAA (mas saí de lá tendo comido e sem saber o que é o Vacío! nem na net encontrei a tradução). Ah! O choripán é uma delícia, versão do nosso famoso pão com lingüiça.

Viagem que começou antes do voo, na internet e na cabeça. E que nunca terminará, já que a memória sempre a reviverá e remodelará. E por mais que tudo esteja disponível virtualmente, o que nos salva é que não é possível substituir a experiência pessoal e singular de estar-lá ou em qualquer outro lugar. Amyr Klink já disse algo parecido...

Walter Andrade

Ps: Não consegui fazer um texto menor... e tentei dar uma dimensão mais humana e menos superficialmente "turística"; só pude ainda selecionar poucas fotos, para interpor no texto. Para mais fotos é só procurar pelo nome dos lugares.

6 de junho de 2011

Bombeiros pedem Socorro...

Não poderíamos deixar passar em branco - em paz, pois paz não há - o que vem ocorrendo no caso dos bombeiros do Rio de Janeiro.

Assistindo ao JN do último sábado (04/06) fiquei chocado... com a edição antigreve da Globo (já falamos disso num post sobre a greve dos rodoviários, um dos primeiros post's do blog), em discurso afinadíssimo com o do Senhor Cabral (que chamou aos manifestantes de "vândalos", "irresponsáveis", discurso que lembra muito o delirante de Muammar Kadhafi, quando disse que o "povo o amava" e chamou aos rebeldes líbanos de "jovens drogados"), bombeiros que levaram "mães e crianças" para a manifestação - é preciso chamar a atenção da não-naturalidade desta fórmula, pois as mulheres pareciam, na edição da Globo ("esposas se reuniram para fazer comida para seus maridos") e nas palavras do Governador, simples submissas e manipuladas pelos seus cônjuges, numa dissimulada mensagem católica que impõe a imagem da mulher como simples esposa/procriadora e de que assim "política é coisa para homens" (as mulheres participaram até da Revolução Francesa Vossa Excelência!). Pois Cabral, contraditório, não respeitou as tais "mulheres e crianças" mandando o Bope invadir o quartel dos bombeiros e prender os trabalhadores..., 439 pessoas... A reivindicação? aumento salarial! Os bombeiros guarda-vidas, por exemplo, querem salário mínimo de R$ 2 mil (líquido) para os soldados.

Já as associações propuseram que a reivindicação fosse modificada de forma a se adequar à Lei Estadual 279/79, que dispõe sobre a remuneração dos policiais e bombeiros militares fluminenses. A proposta das associações é que o soldo (salário-base do militar) passe dos R$ 334,27 atuais para R$ 662, valor do piso salarial dos vigilantes privados. Com isso, o salário líquido do soldado (que inclui gratificações e benefícios) passaria de R$ 950 para cerca de R$ 2.600.

Que a maior parte do salário seja de gratificação é um meio de ameaça permanente dos governos sucessivos, já que, como todos sabem, gratificação pode ser retirada a qualquer momento.

Por outro lado a atitude e as palavras de Cabral mostram um certo desespero, se fôssemos com Simone de Beauvoir diríamos o "medo da burguesia", já que como me lembrou Fernanda (além dessa ideia) a rede de saúde do Rio é totalmente dependente dos bombeiros. O Rio pode simplesmente parar. Qual é a ação de Cabral? BOPE! Repressão! Será que as 439 pessoas estão equivocadas e somente o Senhor Governador está correto? (A edição da Globo mostrou um bombeiro batendo num policial com uma marreta, como se os policiais não estivessem atacando-os com bombas "de efeito moral" e não só moral, spray de pimenta, prisão..., é sempre a teoria de que são os manifestantes "anárquicos" que atacam uma polícia que só revida em legítima defesa). O jornalismo, especialmente o global, não aplica a tal "neutralidade" que advoga empregar...

Hoje o movimento ganhou adesão da Associação de Cabos e Soldados dos Bombeiros, além de associações ligadas às Polícias Civil e Militar e outros servidores do Estado que se reúnem para discutir mobilizações em conjunto por melhores salários. A servidoria pública do Rio parece, enfim, ter acordado de seu sono de morte.

Fiquei de repente com a sensação de que estávamos no início do século XX...Será que haverá de se lutar novamente por simples direitos democráticos, o de greve e manifestação de protesto contra governos?

Walter Andrade

Ps: As informações mais jornalísticas foram retiradas do IG. O vídeo é da TV Brasil.

4 de maio de 2011

O Papa é pop... e santo.

O texto aí de baixo já apresentou questões relevantes em torno da morte do Osama, notícia que tomou o mundo nessa semana. Não quero repisar o terreno, razão por que reitero o fundamental do que se defende nessa postagem e apresento outras "eternidades da semana".
João Paulo II foi beatificado após relatos de ter realizado intercessão milagrosa em uma religiosa da França. Até que o casamento do príncipe liberou a agenda do mundo para outras realizações: depois do real casório, a beatificação do Papa, a morte de Osama (que tem provocado bons atos falhos no noticiário, haja vista Rodrigo Bocardi ter afirmado, no Jornal da Globo de anteontem, que o morto era Barack Obama rs) e agora o discurso orgulhoso do presidente dos Estados Unidos (que não havia sido convidado para o casamento e pôde, na sexta feira mesmo, dar o sinal verde para a execussão do fundador da Al quaeda). Será que se não tivesse sido barrado na festa a história seria diferente rs? Agora surgem uma série de dúvidas: será que Osama realmente está morto (cadê o corpo?), estando de fato morto, por que o jogaram no mar? terá sido por motivos religiosos ou por cautela política para se evitar a dignificação do terrorista?, as forças oficiais do paquistão deram cobertura ao terrorista? O problema do corpo do morto é, talvez, o mais intrigante. Já havia o velho ditado: quem pariu Mateus que o embale! Agora, a variação parece ser: quem matou Osama que o enterre (ou lance ao mar)! Estou desconfiado de que começo a repisar o terreno...

Bruno Silva

2 de maio de 2011

A Morte de Bin Laden e o Perigo de Mussum-Obama



"A causa da segurança de nosso país não está completa. Mas, esta noite, mais uma vez lembramos que os Estados Unidos podem fazer tudo a que se determinar fazer. Essa é a história de nossa história, seja a busca da prosperidade para nosso povo, ou a luta pela igualdade de todos os nossos cidadãos; nosso compromisso é lutar por nossos valores no exterior, e nossos sacrifícios é fazer do mundo um lugar mais seguro."

"Deixem-nos lembrar de que podemos fazer essas coisas não apenas por riqueza e poder, mas por causa do que somos: uma nação, sob um Deus, com liberdade e justiça para todos.

"Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".

Trechos da declaração de Barak Obama na tradução de Webster Franklin (Terra), com grifos meus.

As partes grifadas são muito significativas. O Deus do Ocidente não parece ter o mesmo peso do Deus dos Terroristas na justificativa dos atos americanos, ops, estadunidenses, que lutam "não apenas por riqueza e poder", mas por liberdade e justiça para todos. Não sei se para todos... Estamos, afinal!, falando do imperialismo em país, que intervém no mundo todo militarmente, quase nunca com justificativas plausíveis (vide Iraque, Vietnã, Cuba...), e que mantém Guantánamo (a despeito da promessa de fechamento, feita por Obama), que absorve os padrões terroristas de sequestro/tortura, além do sigilo judicial, sobre pessoas a maior parte inocentes de todo, como agricultores afegãos que lá ficaram por 8 ou 9 anos...

Já vinha pensando que a figura mussum do Obama e o entusiasmo em seu entorno poderia dissimular melhor a continuação da mesma política estadunidense, com popularidade e carisma e um pouco menos de agressividade do fundamentalismo cristão (que era apanágio dos Bushs e da direita republicana), já que os democratas representem uma direita mais laica. Não precisaria dizer que não considero os E.U.A modelo de democracia? Com seu bipartidarismo na prática, macartismo, preconceitos raciais (200 anos de "democracia" até ter um negro como presidente!, até nós demoramos menos pra ter um "operário" e uma mulher no cargo). Ademais, é sempre imprudente buscar modelos, mas a Suíça seria mais louvável (democracia direta, não representativa), ou Noruega, Finlândia (e até lá a extrema direita conseguiu vencer recentemente...).

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Reproduzo a seguir um pequeno texto que foge da monotonia/reprodução do mesmo que estamos assistindo por aí sobre a morte de Bin Laden, de uma fonte que me parece respaldada para dizer o que diz:

Morte de Osama Bin Laden é irrelevante, diz Robert Fisk

por Redação 774 ABC Melbourne

O veterano jornalista Robert Fisk, que entrevistou Osama Bin Laden em três ocasiões, disse que a notícia da morte de Bin Laden é muito menos importante que os levantamentos populares que acontecem no mundo árabe. “Já venho dizendo há algum tempo que acho o fato de ele estar ou não estar morto bem irrelevante”, diz o correspondente do jornal inglês The Independent no Oriente Médio. “Ele fundou a Al Qaeda e essa foi, a seus olhos, sua realização”.

O premiado jornalista diz que Osama Bin Laden não estava em condições de realmente dirigir operações da Al Qaeda. “Ele não estava sentado numa caverna com teclas de computador e dizendo ‘aperte o botão B, é a operação 52′”, diz Robert Fisk.

Fisk, que ultimamente esteve noticiando os acontecimentos na Síria, diz que o mundo mudou de várias formas desde o 11 de setembro. “Nos últimos meses vimos um despertar árabe no qual milhões de árabes muçulmanos derrubaram suas próprias lideranças”, ele diz.

“Bin Laden sempre quis acabar com Mubarak e Ben Ali e Kaddafi e os demais, argumentando que eles eram infiéis que serviam à América e, na realidade, foram milhões de pessoas comuns que, pacificamente — bem, mais ou menos, e com certeza no caso da Tunísia e do Egito — , se livraram deles. Bin Laden não, ele fracassou nessa tarefa”.

“Você tem que se lembrar que esses regimes sempre disseram aos americanos: ‘continuem nos apoiando, porque senão a Al Qaeda toma o poder’ — e na verdade a Al Qaeda não tomou poder nenhum”.

É interessante que, depois da derrubada de Mubarak, a primeira coisa que se ouviu da Al Qaeda, uma semana depois, foi um chamado para a derrubada de Mubarak, uma semana depois que ele havia caído. Foi patético”.

Fisk diz que as comemorações da morte de Bin Laden nos Estados Unidos são insignificantes. “Acho que Osama Bin Laden perdeu a relevância há muito tempo, na verdade. Se eles tivessem matado Bin Laden um ou dois anos depois do 11 de setembro, uma parte dessa bateção no peito poderia ter tido alguma relevância. Esses punhos no ar nos Estados Unidos, celebrando vitória, são boas imagens, mas acredito que elas não significam nada”, diz ele.

“O fato real que temos no mundo hoje, o que é importante, é um levante de massas e um despertar de milhões de árabes muçulmanos para derrubar ditadores”.

Robert Fisk diz que esses levantes são “muito, muito mais importantes que um homem de meia-idade sendo morto no Paquistão”.

* Tradução de Idelber Avelar. Publicado originalmente no 774 ABC Melbourne e retirado do site da Revista Fórum. Publicado em http://www.ariquemesonline.com.br/textos.asp?codigo=20603


Walter Andrade

9 de abril de 2011

POLITICALHA - Tragédia em Realengo: Muita calma nessa hora.


Com prudência pretendo dizer minhas palavras sobre a tragédia que ocorreu em Realengo, ou melhor, não tanto sobre a tragédia em si - já descrita pelo jornalismo - mas de assuntos que a circundam, ou que se ocultam por trás da mesma.

Nesse momento duro é necessário não perdermos a calma e a razão. Isto para que não sejamos levados pela inserção oportunista de velhas-novas plataformas de segurança mais rígidas e disciplinares. Seguem os exemplos.

1) Volta do debate sobre a proibição de venda de armas a civis.

Um pouco de pensamento nos leva a perceber a falácia do argumento: tal possibilidade de proibição de vendas de armas incide apenas sobre a aquisição legal das mesmas, lei que já foi rejeitada por plebiscito recentemente. Ora, para a aquisição legal de armas é necessário passar por exames psíquicos - do qual provavelmente o assassino não sairia aprovado - entre outras burocracias que seria ocioso citar aqui. Por outro lado, deve ser um direito do cidadão "são" defender-se legitimamente de atentados a sua residência ou vida, direito constitucional em democracias. A proibição de que civis possuam armas é característica histórica de regimes ditatoriais e dos mais antigos tiranos, pois assim a sociedade fica mais débil contra os poderes do Estado, possuidor do "monopólio da violência física legítima" (Weber), coisa que devemos desconfiar e criticar, posto que o Estado não é nem nunca fui uma entidade "neutra", e sabemos muito bem o tipo de polícia que temos por aqui. Defendamos a sociedade portanto, através da sociedade, e não somente do Estado. Isto é dito ainda contra certos sociólogos que apareceram defendendo assim o Estado: quando sociólogos defendem o Estado, é porque há algo errado...

2) "Satã Ghost tem o poder de enfurecer os seres e transformá-los em monstros incontroláveis"

Parece piada ou brincadeira de mau gosto, mas a metáfora tirada de Jaspion cai como uma luva para o que é preciso evitar nesse momento (espero que consiga transmitir isso com delicadeza, para que não pensem que eu estou justificando a tragédia): evitar transformar em simples monstro ao assassino que, na verdade, foi uma das possíveis - ainda que não prováveis ou recorrentes - consequências nefastas dos problemas de nossa própria sociedade. A começar pelo bullying pelo qual o rapaz passou durante a idade escolar (passaria muito provavelmente por trote se tivesse ido para uma Universidade), a ausência total de vida social (e não podemos aceitar que se passe a pensar a partir de agora que toda pessoa meio "antissocial" é um provável assassino), a inexistência de auxílio psicológico pelo SUS... Um absurdo que ainda se tome como "luxo" de classes mais abastadas à psicologia, tão importante nas nossas sociedades contemporâneas geradoras de neuroses e problemas psíquicos em alta escala! Pessoas que demonstram tais sintomas precisam de tratamento, não de exclusão ou estigmatização. É muito fácil culpabilizar por completo o outro, e nos tornarmos assim completos inocentes (é claro que as crianças eram sim inocentes do que ocorreu). Fazemos parte de uma sociedade, de uma comunidade social, precisamos ser cidadãos responsáveis e que intervenham na mesma para a sua melhoria, buscando entender os sintomas, os fatos, as mazelas que ocorrem, encontrando suas causas e combatendo-as como médicos antes que policiais.

3) "A miséria do jornalismo"

Os jornalistas da Globo mostraram o quanto sabem sobre a cidade além do túnel rebouças: estereótipos (pra não dizer que não sabem nada). - Como é Realengo? - Não sei... sei que é longe do centro, que fica perto de Santa Cruz (foi a resposta de uma "jornalista" global). Além da teleologia de uma delas, que queria que um psiquiatra afirmasse que poderia se prever 10 anos atrás o assassinato dessa semana, por conta de sintomas apresentados pelo rapaz anteriormente. É muito desconhecimento sobre a cidade (dos seus "apartamentinhos da gávea"), e muita estreiteza de pensamento psicológico...

4) Detector de metais ou PM's nas escolas/universidades

Não é que surpreendentemente o próprio Rodrigo Pimentel foi contra a proposta?! Disse ele muito bem que isso não teria evitado a tragédia, certamente um possível guarda seria igualmente assassinado por alguém tão decidido a fazer o que fez. Por outro lado, é inconstitucional a presença de polícia militar (que é estadual) em universidades federais (só é aceito a existência de vigilantes e/ou de polícia federal ao que me consta). Imaginem nossa PM dando uma dura em estudante dentro de universidade pública? Simplesmente inaceitável.

5) Tragédia

A definição de tragédia - desde o teatro grego - exclui por princípio a ideia de controle e previsibilidade. A tragédia é isto, o lugar do imponderável, do aleatório, da surpresa, do choque, do horror. É duro lembrar disso, mas a tragédia faz parte do mundo humano. Como já dizia em O Poderoso Chefão: "Se a história nos ensinou algo, é que qualquer um pode ser assassinado", especialmente quando o assassino não teme pela sua própria vida.

Espero que os leitores não suponham a indiferença para com a tragédia daquele que vos escreve, a intenção é apenas não cair em clichês direitoides que buscam capitanear o desejo mais sincero de segurança das pessoas em plataformas políticas enrijecidas.

Walter Andrade

21 de fevereiro de 2011

POLITICALHA - Como se rasgar um mesmo papel todos os dias...


Lê-se na Constituição, Artigo 7º, inciso IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas [do trabalhador] necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

E ainda no inciso XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;


A levar-se em consideração a indigna ou farsante disputa por míseros R$15,00 na queda-de-braço (ou decadénce) entre Governo e Centrais Sindicais por um salário ou de R$545 ou de R$560 (e havia a "revolucionária" proposta de R$600 dos tucanos e democratas!) é de se (re)fazer a pergunta que o Plínio de Arruda Sampaio fez à Dilma durante o programa eleitoral: "Gostaria de saber se a senhora viveria com um salário mínimo?". Outrossim, há de se lembrar a proposta do PCO de "salário vital de R$2.500", sim, porque, devemos nos perguntar profundamente isto: de que lado se encontra a utopia, exigir R$2.500,00 ou usufruir - vamos lá - "moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social" com R$545 ou R$560?!?!

O segundo inciso coloco por conta do básico setor comercial, onde "não se sabe mas se desconfia de muita coisa", isto é, de que não se cumpre a lei ordinariamente, especialmente talvez os trabalhadores de um certo supermercado da "Rua Maxwell, aberto até a meia-noite" e outros exemplos em feriados e afins. "Negociação Coletiva", "Flexibilização dos Contratos de Trabalho", dirão alguns liberais, quando se sabe que o tempo é tudo que um despossuído possui: "É tudo que eu posso oferecer...é pouco...é quase nada...mas é tudo que eu tenho, tudo que eu posso oferecer" já dizia o Humberto Gessinger (o tema da música era romântico, mas cai como uma luva, e acho que o próprio aprovaria meu emprego, ele, que gosta tanto de polissemias...). Como se sabe "Ninguém respeita a Constituição...Mas todos acreditam no futuro da Nação...Que país é esse?!". Respondemos como se fazia nos shows: "É a porra do Brasil"...

Walter Andrade

20 de fevereiro de 2011

"Lei Tiririca": reforma política e voto majoritário

Parece que a proposta de reforma política começará a ser debatida na próxima terça feira e terá, no centro das discussões, o problema do coeficiente eleitoral, este agente complicador do entendimento geral, impossibilitador do exercício pleno (ou encenação sem cortes) da democracia brasileira e garantidor da politicalha dos partidos políticos. Atualmente, o candidato não está apenas na dependência dos votos conquistados: em 2002 a eleição do impagável Éneas, que recebeu cerca de 1,5 milhões de voto, trouxe à reboque a entrada de Vanderlei Assis de Souza, que só teve 275 votos! Casos semelhantes foram registrados em 2006, na eleição do estilista Clodovil e, mais recentemente, com a eleição de Tiririca em 2010, que obteve aproximadamente 1,35 milhões de votos. A reforma pode significar o fim das coligações partidárias com interesses numéricos e o fim das aparições bizarras incumbidas de atrair votos para os partidos introduzirem seus agentes mais especializados (sabe Deus com quais propósitos!) É claro que a reforma não significará apenas isso, pois discutirá, entre outros pontos, o financiamento público das campanhas na expectativa de minimizarem os efeitos do lobby político e outras arestas do nosso sistema (porque ele está muito longe de ser redondo, apesar de permitir a manutenção de tantos círculos viciosos!). Pode ser, mas o horário eleitoral está prestes a ficar menos divertido!

Bruno Silva

10 de fevereiro de 2011

50 bilhões a menos: a vez de Dilma, de uma vez só!

"É melhor ser temida que amada neste país da cordialidade corrupta!" Essas foram palavras pronunciadas ontem (09/02) por Arnaldo Jabor. Elas fazem referências que não são tão conhecidas, embora sejam evidentes: Para os que começam a governar um dominio novo é melhor ser temido ou amado? Era a questão a que Maquiavel, o "imoral" quinhentista da terra de Berlusconi (que começa a conhecer o peso real de uma mulher de 17!), procurava dar resposta. O tese do Brasil do homem cordial, por sua vez, é uma reflexão do sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda (sim, tem a ver com o Aurélio do dicionário e com o Chico Buarque!) Mas percebo que o texto, a exemplo do que acontece com nossa economia, começa a se afastar do rumo. Voltemos ao tema central: as palavras de Jabor.
Ele comentava a recente e amarga notícia do corte de 50 bilhões de reais no orçamento da União. Tá certo, há muita contenção de gastos abusivos, há também o anúncio de uma procura pelos desvios orçamentários do país. Mas o fato é que o corte vai doer para os que se preparavam para os concursos públicos federais, e também para aqueles já aprovados e que, agora, se encontram impedidos de nomeação.
A antiga medicina ensina (e não foi minha intenção fazer a rima) que o remédio amargo é o mais eficiente, e que "o que arde cura". Pode ser, mas se se tentasse impedir o abusivo aumento de salário da politicalha legislativa já seria uma colherinha de açucar no café amargo que se oferece para curar a ressaca de uma embriaguez econômica que começa a causar dor de cabeça!

Bruno Silva

23 de dezembro de 2010

POLITICALHA - A CBF e os campeões brasileiros

O Santos e o Palmeiras são, oficialmente, octacampeões brasieliros de futebol! Sou contra.

Sou contra, mas acho justo... Contra simplesmente porque dentro das minhas convicções jamais poderei concordar com uma decisão do Sr. Ricardo Teixeira.

A justiça se faz quando incluimos grandes idolos (e grandes times) nas estatisticas do nosso principal campeonato, Pelé, Ademir da Guia, Garrincha...

Penso que há excessos nesta unificação, dar dois títulos brasileiro em um ano macula as estatísticas, porém estou ciente da confusão que seria ter que escolher qual campeonato valeria em determinado ano...

Está feito, mas penso que ficou uma sensação de traquitanagem, principalmente pela pouca presença de ex-atletas na festa de premiação.

João Gabriel (que continua hexacampeão brasileiro)