7 de novembro de 2012

Trens, Metrens e BRTrens

Com o passar dos anos nos acostumamos a reclamar dos trens urbanos de transporte coletivo, sempre lotados e sucateados, chegam a ser referência de desconforto para a população carioca, que, sempre muito criativa, já apelidou os novos BRT's de "BRTrens", pois vivem lotados (embora ainda não sucateados)! Penso eu: será tão difícil dimensionar a demanda diaria por tal serviço? Obviamente, não! Nossos gestores sabem muito bem fazer contas, mas nesse caso e em muitos outros, a matemática é mais perversa; porém, bem simples: o lucro é diretamente proporcional ao número de passageiros e inversamente proporcional ao investimento. Ou seja: mais pessoas em pouco espaço e maior velocidade = dinheiro pra caráleo! E nesse ponto, o atual PrefeitoGovernadorPresidente do RJ foi genial! Temos novos trens orientais nos trilhos do Metrô; são bonitos, geladões, painés com LED que iluminam o percurso no mapa e se apagam a cada estação (achei o máximo essas luzinhas), mas a sensível mudança é o conforto... para os que vão em pé!!! Possui, notavelmente, maior espaço livre nos corredores, em detrimento dos assentos, claro! Entendeu agora? Mais pessoas... Mesmo espaço...
E os BRT's? E a transoeste? Aí existe o dolo com requintes de crueldade. Não vou nem discutir a relevancia do modal, se não ficou claro, que fique agora: Fuck the rodovia! Keep calm and vamos de trem! (não esse lotado, claro!) A perversidade está no produto vendido: "você, trabalhador que depende do transporte público para sustentar sua família..."; "com a transoeste, você faz o trajeto casa-trabalho na metade do tempo... Qualidade de vida e talz". Sacou? "metade do tempo"... o dobro do lucro! A lógica é essa: Nunca Resolveremos o Transporte, pois resolvido foi dessa forma.

J.G

18 de outubro de 2012

A Cor Púrpura

Meu pai é um bruto, autêntico leão: só come uma vez por dia, tem mãos pesadas como bigornas, trabalha exposto às intempéries. Seu estilo soviético dos filmes herdeiros da Guerra Fria não exclui, todavia, algumas notas de sensibilidade: veio dele o meu gosto pelo violão; o que não herdei de meu pai foi a devoção à sétima arte. Colecionador, meu pai possui quase novecentos dvds originais. Sabe a posição de cada filme na estante, e é capaz de fornecer uma sinopse autoral de praticamente todos os filmes que possui.
Sou preguiçoso e indiferente ao cinema. Chocam-se os meus conhecidos mais "cults" com essa minha desdita. Por outro lado, gosto muito de alguns poucos filmes, e os revejo de maneira obsessiva. Vez por outra cedo ao conselho paternal e assisto algum de seus favoritos. Foi assim que assisti A Cor Púrpura, baseado no livro de Alice Walker (e aqui será honestidade minha informar que todo o lido até agora constitui apenas uma introdução meio autobiográfica!)
A Cor Púrpura foi a reunião de genialidades:  dirigido por Spilberg, ele marca a estreia de Woopie Goldberg, e conta com a atuação brilhante de Oprah Winfrey, de Dany Glover e de Margaret Avery na pele de uma cantora de blues de cabaré. A trilha é assinada pelo Quincy Jones (produtor de Michael Jackson). Chamou minha atenção a estreia de Woopie pois, tal como aconteceu com o Charlie Sheen em Platoon, foi marcada por uma atuação dramática em um filme até, de alguma forma, pesado. Ela está sensacional numa personagem que quase não tem diálogo no filme, mas cujos olhos enormes transmitem a mais profunda mensagem. Abusada sexualmente pelo homem a quem chamava de pai numa Georgia do início do século XX, ela dá á luz duas crianças das quais é imediatamente separada. Vê-se forçada a um casamento-escravidão com Mister (Dany Glover) enquanto vive assombrada com o destino dos filhos e de sua irmã mais nova, a quem o pai (e posteriormente seu proprio marido) também procura violentar. Celie (Woopie Goldberg) é uma sofredora estóica. Vive preocupada com seus filhos e sua irmã, aparentemente resignada com sua vida. Com a entrada em cena de Shug Avery (Margaret Avery) sua vida sofre uma transformação. Shug é uma paixão vadia de Mister. Quando este a leva para morar em sua casa, um relacionamento afetivo surge entre Shug e Celie. Amante e esposa-escrava se confraternizam, e a força da personalidade de Shug invade Celie. Curiosamente, a primeira relação de carinho experimentada com a libido vem de Shug. Elas se beijam (e o filme é de 85) e se unem em sentimento.
Não convem contar a história do filme. Basta apontar que seu tema fundamental é a redenção: dos pecadores, dos fracos e dos covardes. Acho que é o filme que mais me marcou nos últimos anos.
Para finalizar, é preciso comentar a música-tema do filme: Miss Celie's Blues (Sister). Já a conhecia da gravação de Renato Russo em seu Stonewall Celebretion Concert, mas fiquei duplamente surpreso quando ela surge no filme: primeiro que eu descobri que havia sido feita para o filme, e segundo que a música é de Quincy Jones, Lionel Richie e Rod Temperton, letrista de vários sucessos de Michael Jackson. Isso sem falar na interpretação fantástica de Avery, motivo pelo qual encerro me desculpando pelo tamanho do texto e oferecendo o vídeo como forma de compensar o esforço de quem leu:



Bruno Silva

17 de setembro de 2012

Você fecha com quem? Velhos igredientes, novas receitas e uma lula a menos na minha paella

Estive lendo algum artigo de alguma Época em que se dizia: " O Brasil ético está escandalizado com o aperto de mãos entre Lula e Paulo Maluf". Os embates dos tempos heróicos entre o lider sindical e a artilharia da elite econômica brasileira ficaram tão distantes que se teme que talvez jamais tenham existido, não passando tudo de uma fábula sonâmbula.
O ex-uma série de coisas inclusive presidente Lula talvez estivesse indo longe demais com o aperto de mãos. Aos seus seguidores ainda restava o consolo de dizer: é uma foto, apenas. Mas agora, as declarações  a favor de Eduardo Paes constituem o último tiro, sem misericórdia. Não faz outra coisa o Lula senão desqualificar o posicionamento do qual durante anos foi o principal modelo: a oposição. Quando ele diz que a oposição fala, critica, mas a administração empreende e realiza, não está apenas dando um colher de óbvio, muito menos o suco do fruto da experiência: está se posicionando, se reposicionando.
Na certa há muita cara avermelhando, e não é o vermelho do comunismo. Talvez Eduardo Paes não precisasse do luxuoso depoimento de Lula e Dilma, mas foi bom que eles viessem a público, de mãos limpas como um Pilatos do século XXI, declarar seu apoio ao Paes e desqualificar a opção que, atualmente, aparece representada por outra bandeira: a de número 50. Isso coloca tudo às claras e serve, deve servir, de lembrete e alerta para a próxima corrida presidencial. Estão aí todos os elementos de uma tragédia grega. Grega, não: de uma tragédia carioca.
Enquando escrevia essas linhas ia ouvindo a gravação de "Amanhã", de Gulherme Arantes, feita por Caetano Veloso. Lembro que já foi usada em campanha para o Lula e depois para o Gabeira no Rio. Acho que o Brasil dormiu 48 horas, e não viu esse amanhã. Acordemos, enfim!

Bruno Silva

5 de setembro de 2012

Pedreiros da Marvel, Paralimpíadas e Adriano, estátua de imperador


No mês passado um acidente impressionante deixou muita gente de boca aberta: o sujeito caiu do andaime numa obra do Rio de Janeiro e  um vergalhão atravessou seu crânio. Felizmente não houve maiores danos ao trabalhador. Ontem um outro pedreiro, na Bahia, foi vítima de uma bala perdida: o projétil acertou sua cabeça e deixou apenas um ferimento superficial. Três hipóteses: milagres em série; apocalipse zumbi confirmado ou, vai saber!, trata-se de pedreiros da linhagem Wolverine.
Mudando completamente de assunto, as Paralimpíadas estão acontecendo e ninguém parece dar a mínima. Ela não consegue mobilizar os media com a mesma força das Olimpíadas. Uma pena, porque,não contando o fato do Brasil apresentar melhor desempenho naquela do que nesta, as Paralimpíadas dão exemplos inestimáveis de superação pessoal! Comentava com um amigo outro dia: parece que os atletas escolhem os esportes mais desafiadores, aqueles para os quais a falta de um membro representa uma dificuldade aparentemente paralisante. Será que o Adriano, nas suas inúmeras folgas, tá acompanhando os jogos?

Bruno Silva

21 de agosto de 2012

Curtindo a vida adoidado: entre a falta e a folga

Não sei se alguém já notou, mas um dia de falta pode recompensar mais do que um de folga. É claro que há o dia descontado, fazer o quê? Café produz gastrite; bebedeiras, ressacas. É um preço justo, o que não nos impede de tentar, por mil artifícios, o abono redentor.
Faltar um dia de escola é altamente recompensante. Faltar um dia de trabalho, revigorante. Imagine-se, então, quando se trabalha dentro de uma escola?! É a própria glória desse plano!
A falta é uma atitude transgressora, é uma tomada momentânea da felicidade de que nos privaram na época das maçãs proibídas. Quando se falta ao trabalho - sabe-o quem já fez - recupera-se um dia de ócio, que será tanto melhor se não for um do tipo criativo. A folga, por sua vez, vem com ares de concessão, de recompensa (nunca suficiente) pelo trabalho que se realizou. Por mais que represente - e representa - uma conquista dos trabalhadores, a folga nos mantém no terrítório do mundo do trabalho. Estamos ainda dentro do sistema capitalista quando tiramos um dia de folga: em geral acordamos cedo, programamos o dia, saímos ao consumo e continuamos dando corda à engrenagem. A folga é algo do qual se pretende extrair o máximo, o melhor. É boa, mas não se compara à falta, sobretudo àquela que não se adivinhava na véspera. Aquela que, de repente, aconteceu na falha do relógio, nos cinco minutos a mais, no "vou um pouco mais tarde hoje". Acaba-se acordando para almoçar, no meio da semana, sem noite que nos espere.
Quando faltamos ficamos à deriva dentro de casa, e finalmente descansamos.
Quem leu o título percebeu a referência: Save Ferris!
Mas, dirão alguns, ele faltou aula para curtir a vida adoidado, indo para vários lugares, vivendo fantásticas aventuras. Ao que argumento: pode ser, mas Ferris Bueller não estava perto dos trinta!

Bruno Silva

9 de agosto de 2012

A Poética do Amadorismo



Saudade, sentimento lusitano, dos campeonatos cariocas de tempos pretéritos: do amadorismo, das blasfêmias contra as torcidas, da provocação sadia ou não e até rebolativa (Edmundo contra o Botafogo no Carioca de 1997...e o Vasco perdeu!). Nostalgia-me o futebol-pelada dos estádios pequenos em fim de ruas estreitas, de calçamento duvidoso e buracos precisos. Negócio bem diverso deste profissionalismo insosso, do clube-empresa-sociedade anônima e de jodagores padronizados vendidos por preços fora do padrão (e dos craques antigos vendidos à preço de banana!). Penso no amor à camisa e no jogo atravessado por outros jogos de linguagem, mais afeitos ao cotidiano e à caricatura de nossas personalidades esquisitas. Quem estava consciente nos anos 1990 ainda viu a décadence da decadência. Mas é por um decadentismo - da melancolia como prazer de estar triste - que eu filtro esse olhar ao passado, visto e reconhecido como uma poética da proximidade (talvez me enterneça o Botafogo por isso). Tempos de finais como provações e de "times de chegada" substituídos por campeonatos de pontos corridos, por prudência eficaz mas imbela e equipos menos técnicas que exército-táticas mais à abutres análogas (acho que prefiro a Libertadores e a Copa do Brasil! mas até lá estes times têm vencido...). Até o Barcelona já me enfastiou um bocado, com sua obsessão pela bola que tem faltado pelo gol. A seleção brasileira: um agregado de individualidades isoladas, nada além. Torço pelos times que ainda jogam futebol e não algo parecido. É meu critério, um pouco difícil de pôr em prática ultimamente, mas eu prossigo tentando.

Pareço amargurado...mas, acho, só estou saudoso.

Walter Andrade

31 de julho de 2012

Crônica de aeroporto

No aeroporto Antônio Carlos Jobim, esperando um meu amigo, observo as cenas que cotidianamente, suponho, se dão nos desembarques internacionais: são papeis com nomes escritos, siglas enigmáticas e símbolos estranhos; papeis que são empenhados por pessoas vestidas de maneira bastante sóbria, embora com algum excesso de tédio e apreensão. Encontros efusivos tem seu lugar no desembarque: abraços que mais parecem a prática do rapel, tudo fortemente desaconselhado pela ótica da civilidade, porém ignorado por sentimentos talvez mais antigos (alguns, segundo se propaga, exclusivos dos lusitanos e seus povos órfãos)!
Passa alguém vestido de branco (de vestido branco, mais exatamente), com a barba preta e grossa como náilon: todos suspendem a respiração. Debalde, aliás, pois que, se chegou a desembarcar, muito provavelmente vem com as melhores intenções, ou, ao menos, intenções comuns de turista. Desconfiança menor suscitam aqueles que agora chegam, saídos todos de uma mesma forma, praticando o milagre de falar e entender um idioma que nossas letras não conseguem registrar.
Observo estas coisas, conforme anunciado anteriormente,  enquanto espero, mais ansioso do que saudoso, cumpre reconhecer, esse meu amigo viajandão, que traz as muambas e encomendas dele, minhas e dos demais amigos. Uma infinidade de garrafas que, por aqui, custariam muito mais do que valem nossos fígados heróicos!
Ou o país abaixa as taxas e juros ou, o que é menos provável, vamos esperar que Hollywood nos ensine a beber, elegante e sedutoramente, doses generosas de cachaça em copos de extrato de tomates, pois aqui temo-los - os copos e a caninha - em quantidade suficiente.

Bruno Silva  

22 de julho de 2012

Gerais: o que um piercing de castidade, Humberto Gessinger e um gordo num fusca tem em comum?

Na Índia acontece tanta coisa esquisita que faz um deus de quatro braços e tromba de elefante parecer pinto (não, não fica parecendo um pequeno bípede penado; é apenas uma forma de expressão). Dois exemplos: um homem de 83 anos (em 2010) intrigara cientistas ao ficar dez dias sem comer e sem beber! O fato até serviu de prenúncio para o que se acredita ser o advento do apocalipse zumbi. Mais recentemente, outro indiano, dos que comem, instalou um artefato revoltante em sua esposa: um "piercing de castidade". O marido instalara um cadeado na genitália de sua esposa e levava as chaves na meia, todos os dias antes de ir trabalhar. Quer dizer: um indiano não quer comer, e o outro, não quer que os outros comam! Fiquei pensando: esse cara não só é um idiota ignorante, como tem pouca imaginação sexual. Isso vindo da terra do Kama Sutra é, no mínimo, absurdo!
Mudando de assunto, preciso comentar dois acontecimentos da esfera pessoal. O primeiro diz respeito a uma noite de autógrafos no Rio Sul. Os fãs de Humberto Gessinger tivemos uma oportunidade rara de conhecer o ídolo e, ainda por cima, tirar uma foto para recordação. Tendo lido na tarde do dia 18 que Gessinger estaria por lá lançando seu último livro "Nas entrelinhas do horizonte", não pensei duas vezes:

Por fim, quero compartilhar uma reflexão que tive na manhã seguinte: vi um gordo dentro de um fusca e achei a coisa mais leve do mundo! Aquela imagem me emocionou e me passou uma sensação de harmonia nas coisas. Parecia que o gordo havia se sentado num banco e esperado que o fusca fosse montado ao seu redor. Parecia que o fusca era um casaco de chuva daquele gordo. Um quilo a menos no proprietário, um centímetro a mais no fusca, e lá se ia a harmonia. Coisa complicada é o equilíbrio: pode estar num gordo dentro de um fusca, mas pode faltar num estudante de neurociências numa sala de cinema dos Estados Unidos da América.


Bruno Silva

17 de julho de 2012

Da comunicação mãe-bebê

Mães e bebês possuem uma forma específica e enigmática de comunicação. Como no trânsito, as mães sabem o que ignifica o choro breve, o choro longo, dois choros breves, etc. Eu não entendo de apitos, quem dirá de choro de crianças! Mas o que chamou minha atenção na sexta feira passada foi outra coisa: dentro de uma kombi estavam uma mãe e seu bebê. Era uma menina (falo do bebê), e me olhava fixamente. Tentei algum tipo de aproximação (falo do bebê), mas rejeitei, como sempre faço, apelar para o estilo bilo-bilo. É como dizia o Quintana: "O idiota estilo bilo-bilo com que os adultos se dirigem às crianças, isso deve chateá-las enormemente..." Fiquei olhando, mexendo as sombrancelhas, os lábios... sendo ridículo de outra maneira, em suma.
A menina, que se chamava Izabeli, não esboçava reação, apenas me fitava como se soubesse algum segredo meu. Comecei a me sentir mal, fiz revisão do meu dia: o que será que essa criança sabe a meu respeito. Comentei com a mãe da menina: - poxa, ela não dá chance! Está me olhando de uma maneira adulta, parece que sabe algum segredo meu! Continuamos nos olhando, e era sempre a mesma ameaça nos olhos da Izabeli. Quando desci da kombi, de alguma forma aliviado, a criança, que tinha um ano e pouco, subitamente olhou para a mãe. Mas olhou de uma forma tão eloquente que até eu consegui traduzir o que ela queria dizer: "Mãe, de onde você conhece aquele idiota!"

Bruno Silva

11 de julho de 2012

"Todo mundo odeia mudanças na programação!": gerais com algum humor.

"Lá vem ele reclamar de novo!"
Venho. É como diz na música: a hora do sim é um descuido do não. Não digo que estivesse feliz; estava conformado em trabalhar igual a um relógio e, chegando em casa, assistir ao seriado ultrarrepetido da Record. Agora não tem mais, falhou. Parece que mudaram o horário. Só que ninguém mudou o meu! Então, o que sobra é o noticiário, as vezes até inédito. Ontem, por exemplo, uma história com igredientes conhecidos resultou numa coisa nova e escandalosa. Uma vovó sulista, daquelas que não atiram, fraturou um fêmur e foi a um hospital do SUS (SUS CREDO!) para realizar cirurgia. Era para colocar platina na perna esquerda, mas os gênios não consultaram o prontuário e mandaram platinar a destra da vovó. Percebido o equívoco, fizeram nova cirurgia, mas a platina da direita vai continuar.
Coitada da vovó: vovólwerine (Rir = inferno).
Um experiente paraquedista realizava um treinamento de pane, quando ocorre uma simulação de problema e o pára-quedas é aberto no último momento. O piloto do avião fez uma manobra errada, acertando com a asa na head do paraquedista. Deu ruim de verdade. É o que os italianos chamariam de tropo vero!
O pior foi o comentário de uma autoridade competente: ou foi um erro humano, ou foi um erro da máquina, ou foram as duas coisas juntas. É mais fácil ele perder jogando dados com todos os lados iguais do que errar nessa análise!
O time do Sonnen pretende anular a luta do último sábado. Motivo alegado: a joelhada do Aranha teria sido ilegal. Se você tem dúvidas, procure o vídeo na internet e o assista ao vivo. Galvão garante que é possível!
Bruno Silva

20 de junho de 2012

Gerais: notícias intrigantes

Há pouco tempo programava o despertador para não perder o seriado "Eu, a patroa e as crianças", e ficava feliz quando acordava a tempo de assistir o programa esportivo. Nos últimos ontens, no hoje e provavelmente nos próximos amanhãs (se umas das oitenta quinas de São João não for sorteada!), o único tempo disponível é para o "Todo mundo odeia o Chris" e para algum telejornal, quase sempre na Band.
Não sei com qual das duas opções mais me divirto, porque ultimamente tenho ouvido algumas notícias intrigantes. Desde que a simpática vovó acertou três tiros no ladrão, alegando que jamais havia atirado e que a arma (que estava carregada e ao alcance da mão) era herança de família, algumas coisas andaram acontecendo, com especial destaque para o dia de ontem: ladrões proibem venda de crack em favelas do Rio, preocupados com o resultado ínfimo das vendas e com a "categoria" dos usuários que atualmente procuram o comércio das drogas: é que o crack espanta alguns e concorre diretamente com a maconha e a cocaína. Agora sim, com as autoridades competentes tomando partido, talvez o crack desapareça junto com as cracolândias (como aquela situada na vizinhança do Comando Militar do Leste e do Duque de Caxias). Camarada apanhando como judas, entra no carro e atropela dois dos que estavam na briga. Os jornalistas se chocam dele não ter parado para prestar socorro. Isto seria, sem dúvidas, dar a outra face! Tem notícia que repete mais do que os episódios de "Todo mundo odeia o Chris": Adriano falta compromisso esportivo e dirigentes se queixam de falta de comprometimento! Por fim (talvez fim dos tempos!), Lula apoiando Maluf! Enfim, é uma droga só... e não é o crack!

Bruno Silva

9 de junho de 2012

Poema atravessando a Ponte.





As águas da Guanabara
São mais calmas as seis da manhã.
Um passarinho branco sobrevoa
Ao rés da superfície de gelatina.
Ele que não se atreva a mergulhar!
Pois, ou não volta nunca mais,
Ou emerge de outra cor
E não o reconhecem seus pais.
O Estaleiro Mauá estará lá
A esperar por quem cruza a ponte?
É provável que nem se importe...
O Rio vai surgindo de uma cortina,
E o sol vai compondo com a neblina
Um alento da existência matutina.
Mas, escapemos a esta rima viciada:
Em que paragens terá pousado
O passarinho branco da alvorada?




Bruno Silva

25 de maio de 2012

Pseudos ou Quase Isso!





Triste como se vulgariza tudo neste país (e não só aqui), do sertanejo de raiz tornado "batidão sertanejo"(!), do samba ao "pagode romântico", do forró tornado "aviões do". Agora ainda assistimos ao Rock virado happy rock, emo, hip-rock, new metal... Que mundo nos ficou! Ao que a indústria cultural e outros tantos fatores nos levaram!


E daí surgem ainda os cult's, do outro lado do espectro (os pseudos), que endeusam qualquer banda/artista doce (apenas ou quase bom) que surja num mar salgado...


Ah, este Brasil brasileiro que tem, quiçá, a melhor música no mundo, não por nacionalismo, mas exatamente por cosmopolitismo, por antropofagia criadora.

Lembro hoje (saudosamente já!) da década de 1990 - que em breve passará por um processo de "cultização" também -, na qual se emparelhavam ainda bandas/artistas como Engenheiros do Hawaii, Nação Zumbi, Angra, Djavan,  (para ficarmos nos mais conhecidos apenas)... com a ascensão do "pagode romântico", do "axé" e do "funk" (ao menos aquele que ficou para a classe média televisiva e baladeira, sabe-se lá do "funk de protesto" que rumo tomou). Tivemos no âmbito internacional muita coisa boa ainda (Oasis, Pearl Jam, Radiohead etc.), mas já se sentia o avançar das correntes deletérias...



Hoje a defesa da boa música tem tomado um aspecto "cult" que também me incomoda, com um lado artificial e artificioso de artistas afortunados, entediados e sem vida, que não podem revolucionar verdadeiramente a arte como um dia Astor Piazzola, Jimi Hendrix, Miles Davis e a Tropicália o fizeram. O punk veio dos subúrbios londrinos... não quero dizer com isto que gente rica não possa fazer música "profunda", mas decididamente não com esta postura indiferente! (No mais, o próprio rock progressivo seria uma contraprova)


Hoje as "novidades" que ouço são o passado esquecido, as bandas quase desconhecidas que busco na net, os gêneros diversos como a música latina, o fado, o tango, o jazz, o blues, a MPB claro, tudo isso que passou também (tirante a música latina talvez) pelo tal processo artificioso de "cultização", porque é preciso que se lembre que são todos gêneros populares, populares eu disse. O jazz e o blues são apanágio da black music norte-americana! O tango dos subúrbios de Buenos Aires como La Boca, se o fado não for popular também eu de nada mais sei...

Parece que antes era "natural" ouvir música boa, era parte do Zeitgeist, da atmosfera, do "espírito do tempo"; hoje é um esforço - o esforço é incontornável - que tende a premiar o ouvinte com um status de culto...

Devemos ser, antes de tudo, não dever, e, depois de mais nada, iconoclastas.

Este texto é um desabafo. Pois não posso compactuar com a inautenticidade dos pseudos atuais 
(e receio ser confundido com um "cult").. É só mais uma forma - das inúmeras - de alienação, esta cultural. 


Walter Andrade 

14 de maio de 2012

O Ladrão foi lá em casa...

Não sou propriamente o Jason Bourne, mas na noite da primeira quinta feira do mês achei estranho quando, ainda da rua, notei lâmpadas acesas dentro do meu humilde covil. "Terá sido o meu relapso amigo, o Pedro Rachadura?", pensei. "Mas o que ele tanto buscava para ter deixado minhas roupas e papéis revirados em cima da cama? E por que deixou a janela aberta?" Dali a pouco notava que a janela fora arrombada, coisa que o Rachadura, forte como um Sr. Burns, jamais poderia fazer.
Percebi que havia sido vítima de uma tentativa de furto. Olhei as coisas com calma e não dei pela falta de nada. Se procuravam por dinheiro foram no seu paradeiro menos provável. O vil e fracassado larápio não teve a decência de me levar um dos meus bons livros. Tinha prosa, poesia, crônicas, livros acadêmicos e até um exemplar de bolso do Kama Sutra. Teve a astúcia de retirar o meu quadro do Tom Jobim para descobrir, infeliz, que só tinha parede atrás. Mas não lhe ocorreu tomar um trago da boa garrafa de tequila envelhecida em carvalho, que repousa tranquila e indiscretamente sobre uma das minhas duas geladeiras velhas (a outra faz as vezes de guarda-roupas).
Poderia ter saído mais culto, mas bêbado, mas só conseguiu se cansar e irritar. Ainda por cima deu provas inequívocas de ignorar a velha máxima, mandamento popular: o último a sair apaga as luzes.

Bruno Silva

P.S.: Já escritas estas linhas, dias depois do susto, o autor sentiu falta de um perfume que, para seu malgrado, já saiu de linha! Diga-se a bem da reputação do ladrão, aliás, que não foi de todo inoperante. Não saiu mais culto, nem bêbado, mas agora disfarce em perfume francês o suor que não derrama em labuta!


9 de maio de 2012

Coisas que eu não entendo

Um desodorante aerosol promete 48 horas de proteção: ou seja, dois dias inteiros sem tomar banho! Pode até fazer sucesso em alguns países da Europa, mas na fornalha Brasilis?...

Existe um serviço no atendimento por telefone para aqueles que tem deficiência auditiva. Alô? Alô? Alô!!!!!!!!!

Comprei o tal do "sal light", com cinquenta por cento menos sódio, esse maldito componente que existe em quase tudo que a gente come ou bebe. O macarrão lámen, por exemplo: tem uns sabores com mais de oitenta por cento da quantidade recomendada para o consumo diário. Mas, voltando ao caso do sal, eis a questão: o pacote é de 500 gramas (metade de um pacote normal); na prática, você precisa de uma porção duas vezes maior para temperar; custa o dobro do preço. Isto é: tô pagando quase oito reais! Era mais fácil o fabricante escrever "sal Dom Perrier" e cobrar a mais por esse mimo!

O goleiro Bruno deve voltar ao Flamengo, conforme admitiu o vice-presidente jurídico do time. O mais querido do Brasil não é só uma colônia para as férias: é uma possibilidade de pena condicional!

Bruno Silva


21 de abril de 2012



A indignação é um dos motores mais vigorosos da atividade política. O absurdo é um leitmotiv.


É claro que, numa visão filosófica, não há algo que não seja absurdo, "viver assim é um absurdo (como outro qualquer)/como tentar o suicídio (ou amar uma mulher)/como lutar pelo poder (lutar como puder) - EngHaw". Contudo, se nos tornarmos total contemplativos, nunca nos libertaremos da inércia niilista. O relativismo dos absurdos não é, todavia, equivalente. A aceitação da existência do absurdo (e assim a des-ilusão) não implicam a resignação com o mundo. Aliás, é somente percebendo o absurdo que o ser humano poderá confrontá-lo. Combater a vida pode então ser mais absurdo que ela, pois é uma tentativa de evitar o absurdo (suicídio é só o adiantamento da morte, do não-ser, mas há quem lute contra a vida vivendo...). É a beleza que encontramos na vida - apesar dos pesados pesares - que a faz valer a pena. O significado que podemos inventar para ela, contanto que não se torne nova ilusão dogmática, nos ajuda a preencher seu vazio inerente. Daí que, como um círculo, voltamos à luta pela vida, à luta política pela melhoria da vida humana. Para que se torne mais bela, menos sofrida (na medida do possível), mais humana.


Muito se poderia melhorar a vida sem a corrupção, claro, mas, pergunta-se, é possível que ela suma? Parece-me isto uma nova ilusão, ilusão de pureza. 


A luta contra a corrupção, portanto (e como tudo...) é uma disputa política em si também. Vejamos:


A crítica da corrupção pode esconder uma defesa de uma maior eficácia do sistema econômico-político, um aperfeiçoamento da ordem e do progresso. É um uso à direita do tema, que é tão popular. É o tipo de discurso moralizante que faz sumir o fato mesmo de que o capitalismo se constituiu e se reproduz mediante todo tipo de subterfúgios (subornos, mecenato político, concorrência desleal) e a corrupção é apenas um deles (sendo a exploração do trabalho humano com fins privados a pior, e nada óbvia, porque naturalizada). Claro que temos no Brasil um adicional cultural da corrupção, tão estudado por Antropólogos. Mas há também os que falam até em modo de produção...


A crítica à esquerda da corrupção deve primar por utilizá-la como um sintoma, índice que dá a ver algo muito mais profundo, que é estrutural. É a própria ordem atual que se deve transformar, estrutural e não apenas superestruturalmente (campo moral, político). É pela defesa do aprofundamento da democracia, da transparência, da participação popular (e daí da melhoria da educação que possibilite uma participação realmente cidadã), que poderemos combater não só a corrupção, mas a estrutura econômica e social tão desigual em que vivemos. Para aqueles que não acreditam em mudança, é só olhar para a história. Há alterações que só ocorrem com séculos, sim, mas como homens de nosso tempo podemos e devemos fazer parte do processo histórico, e nele atuarmos como cidadãos responsáveis e conscientes. Importantíssima é, logo, a marcha contra a corrupção. Cumpre disputar seus rumos...


Walter Andrade

9 de abril de 2012

Sandy da Páscoa no UFC

O Fantástico preparou uma surpresa pascoal para os participantes do reality show do UFC: a cantora Sandy carregando um ovo de chocolate. Os apresentadores chamaram isso de "tentação para os lutadores". Quer dizer: a macharada indócil naquela casa, um provável cheiro de plantação de cebolas 24 horas por dia... será que comer chocolate foi a maior tentação para os brutos? Só mesmo para quem acredita no coelhinho!

Em tempo: mais fácil suportar um round com o Anderson Silva do que um capítulo inteiro do TUF Brasil.

Bruno Silva

27 de março de 2012

Urbana Legio Omnia Vincit

Os fãs de Legião Urbana não precisamos nem de tradução para o título desse texto, mas vale o registro: Legião Urbana Vence Tudo. Também não será necessário explicar o porquê do que segue escrito. Bastará lembrar das palavras iniciais de uma música das menos conhecidas da Legião: "Eu sou Renato Russo, eu escrevo as letras, eu canto. Nasci no dia vinte e sete março..." (Rinding Song/  disco: "Uma outra estação").
O líder da banda, que afinal e infelizmente não venceu tudo, faria aniversário hoje. Acho mais apropriado fazer uma homenagem agora, deixando o dia de seu falecimento (11 de outubro) seguir em luto.
Estive pensando na importância que essa banda teve (e talvez ainda tenha) para a juventude. A minha geração, os primeiros órfãos, aprendeu violão tocando "Que país é este?", sonhando com os arranjos mais badalados como o da versão acústica de "Teatro dos Vampiros". Aprendemos também a procurar significados ocultos por trás das letras, mensagens subliminares. Aprendemos, de forma mais geral, a prestar atenção nas próprias letras. Para muitos, os discos da banda foram a porta de entrada para um convívio mais intenso com a escrita, com a poesia. Na verdade, Legião Urbana é o começo de muita coisa.
Ser legionário, hoje, soa a algo retrô; exatamente como as camisas em estampa xadrês, que o Renato Russo já usava antes da voga. Mas, pelas praias sem progresso, quando tem um grupo reunido em torno de fogueira ou garrafas, eles continuam dizendo: "todos os dias, quando acordo, não tenho mais o tempo que passou..."

Bruno Silva

11 de março de 2012

O homem; as viagens... de ônibus!

Eis um trecho do brilhante poema de Carlos Drummond de Andrade: "O homem; as viagens", publicado em época tão recente quanto seja 1973, quando a possibilidade de se chegar a Marte era mais remota do que hoje!

"O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão.
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para o Lua
desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?"
(...)

Dispensam-se maiores comentários sobre a poesia, que parece ter algo a ver com a ida (terá ido?) do homem à Lua. Fala, claro está, da insatisfação e inquietação do ser humano, da vontade de ver o novo, errar de novo.
Ocorre que, atualmente, a ida a outra parte (digamos: Marte!) coloca-se quase como uma questão de manutenção da vida: não falta só diversão, falta espaço para tantas ruas; ruas para tantos carros. Ponho-me a imaginar marcianos em seus cinemas, tremendo com a possibilidade de uma invasão terráquea ao seu planeta. Um amigo e autor no blog esteve por esses dias numa infernal viagem de ônibus interminável! Veio-lhe, então, a inspiração que eu, sem prévia autorização, dou a conhecer:

"Vai vir um dia em que a malha viária será menor do que o comprimento de todos os automóveis perfilados; nesse mesmo dia não haverá terreno para se construir. Os prédios ficarão mais altos, talvez os carros subam na parede, talvez nos mudemos para Marte. Talvez os prédios, de tão altos, cheguem até Marte. Vias expressas interplanetárias sobre as empenas desses edifícios...caberiam mais alguns carros!
Chegaríamos em Marte na metade do tempo, iríamos mais à Marte, finais de semana incríveis, em Marte! Casa de campo! Iates! Carro off road pra fazer trilha, em MARTE! E vai chegar um dia em que não haverá mais espaço em Marte..."
Marte humanizado.

Bruno Silva/ J.G.

6 de março de 2012

Ressurgimento do Carnaval de rua do Rio?

(foto aérea do Monobloco/2012)
Pode ser que eu esteja apenas ficando velho, mas não consigo ver essa melhora tão propagada por todos no carnaval de blocos no Rio de Janeiro.
A prefeitura e o Estado certamente gostam, pois com um patrocinador fixo pagando milhões para exibir sua marca (que nem é a melhor delas!) e jogando a responsabilidade de organização, segurança e horários a seguir nos blocos, deixam seus ombros livres e leves pra curtir a festa.

As mudanças que eram realmente necessárias estão sendo feitas, deve-se ressaltar: mais banheiros químicos (apesar de, em alguns casos, mal distribuídos), um policiamento mais ostensivo e presente e, principalmente, a coleta mais eficaz do lixo deixado pelos foliões.
Porém, em minha opinião, estão querendo bahianizar nosso carnaval! Estão querendo colocar todos (ou a maioria esmagadora) os blocos no Centro, na Avenida Rio Branco, como se fosse um corredor, uma espécie de Barra/Ondina em que os foliões se aglomerassem e ficassem no constante ritmo das ondas, indo com um bloco (Monobloco?) e voltando ao início da avenida para acompanhar outro. E assim durante o dia todo em nosso Mauá/ Cinelândia.

Não acredito que alguém que tenha ido ao Monobloco em Ipanema, ou em Copacabana, com 80 mil pessoas, goste ou vá no desfile da Rio Branco, com suas 500 mil. O Monobloco foi nascido na zona sul, e tiraram um pouco de sua originalidade quando o mudaram de lugar. Seria o mesmo que tirar o Suvaco do Cristo de baixo do suvaco do Cristo Redentor. Sinceramente espero que não viva para ver 2 ou 3 milhões de pessoas se espremendo no circuito Paes/Cabral para ver o "Virilha do Teatro" passar, acompanhados de milhares de uniformizados dentro da corda com seus abadás.

Mas pode ser que eu esteja apenas ficando velho.


Thiguim