25 de janeiro de 2011

Bravo Tom! O aniversário do maestro Tom Jobim

Du Bruni
Se ainda estivesse nesse mundo (porque vivo com certeza está) o maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim teria a aparência de um senhor com oitenta e quatro anos de idade. É curioso que Tom Jobim tenha nascido no primeiro mês do ano e partido no último: de dó a sí lá se vão doze semitons; nos doze meses de um ano lá se vai um Tom inteiro!
Sobre ele, Ruy Castro uma vez disse o seguinte: "Toda vez que Tom abriu o piano, o mundo melhorou. Mesmo que por poucos minutos , tornou-se um mundo mais harmônico melódico e poético. Todas as desgraças individuais ou coletivas pareciam menores porque , naquele momento , havia um homem dedicando-se a produzir beleza. O que resultasse de seu gesto de abrir o piano , uma nota , uma acorde , uma canção , vinha tão carregado de excelência , sensibilidade e sabedoria que ,expostos a sua criação , todos nós , seus ouvintes , também melhorávamos como seres humanos ". ( texto : Ruy Castro .)
Hoje, quando não nos resta senão recordar suas músicas através de gravações, o mundo está um pouco mais feio.
Outras águas de outros meses passaram sem deixar promessas de vida no coração de ninguém! A casa em que o Tom compôs "Águas de Março", em São José do Vale do Rio Preto, foi destruída pela desgraça que se abateu sobre a região serrana do Rio de Janeiro, outra paixão de Tom além da cidade que o maestro amou e ajudou a inventar cantando.
A maneira melhor de se comemorar o aniversário do gênio da música brasileira, penso, é colocar um cd pra tocar e procurar se reconciliar com a vida e a leveza que nos chegam por acordes impossíveis de um piano de magia.
Aos que ainda não conhecem a fundo a obra do maestro Tom Jobim, eis uma data propícia para fazê-lo. Àqueles que já são admiradores: aproveitemos o dia.

Bruno Silva

11 de janeiro de 2011



Como diz na legenda da foto ao lado, Ronaldinho está no Flamengo. Uma contratação gigante, como o futebol que possui o jogador em questão.
Muitos estão em dúvida se será boa para o clube, pois é um jogador em decadência e notívago. Para esses digo que, se Ronaldinho tiver nesse contrato com o Fla (se serão realmente 4 anos? Aaaaacho que non...) apenas 8 ou 9 grandes apresentações no ano, já terá feito mais que todo o elenco rubro-negro junto. Como gostam de dizer os comentaristas esportivos, é um jogador "de rara habilidade e que pode decidir um jogo em um passe ou um chute genial."
E existem outros torcedores, e me incluo nesse grupo, que quer só comemorar a contratação de um ídolo e gozar com a cara dos torcedores de outros times. Que chorem.

Apesar de existirem pessoas que irão torcer pelo fracasso dele, pensem antes: Quantos de vocês já se pegaram pensando "a o Ronaldinho no meu time...". Pois bem. Nós rubro-negros não precisamos mais imaginar. Somente ler as notícias do dia.

P.S.: Isso se falar no Thiago Neves, que já me irritou muito quando jogava pelo Flu. Acometido pela esperança besta de toda nação flamenguista em início de ano, ganharemos tudo que disputarmos. Tenho dito.


Thiguim

10 de janeiro de 2011

Estranhezas do futebol: entre a dedada e o chute na cara.



O ano começou igual para mim, que não ganhei na mega da virada, igual para o Felipe Melo, que tomou um vermelhaço depois de dar um chute de sola na cara do Paci, zagueiro do Parma. Para este o ano começou ruim... Ainda na Itália, o jogador Cassano, na estréia em seu novo time, o Milan, deu uma dedada no companheiro de equipe... Mas poderia ter sido pior: e se fosse o Felipe Melo com mania de proctologista?


Bruno Silva

9 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS SOLTOS - O lado existencialmente positivo da hierarquia

* Pirâmide de Chichen-Itza, México

A hierarquia está no trabalho, no ensino (locais onde é oficial e propagandeada), na família (dissimulada, às vezes mais manifesta), no namoro (implícita mas comum) e até na diversão (área comum e área VIP). Diz-se que nosso (meu, seu?!) povo parece ter um certo horror às diferenças sociais, às patentes. "Tudo junto e misturado" aparenta ser a última palavra-de-desordem. Admito que partilho desse asco ao "Senhor Doutor...", quanto mais ao "Vossa Excelência..." nada excelsa, os pronomes de tratamento nobres mais são fórmulas mofadas, amareladas em livros didáticos. O Brasil não é cerimonioso, ainda que seja muito ritual. Confesso que (mea culpa partiale) tenho lá meus preconceitos com Roberto da Matta por conta da ideia de que a novela das oito (nove? dez?) seja o grande locus de debate político (acho que é conceder demais às TV's, que se orgulham muito e o convidam bastante não à toa). Então pra saber mais sobre o que estou falando seria bom ter lido mais antropologia brasileira... Todavia quero chamar atenção sobre o lado bom da hierarquia: ela garante ao menos o distanciamento mais precário entre os homens (e as mulheres!), já que conquistado por razões de patente ou efeito do poder do dinheiro, esse que gera uma hierarquia mais flexível, não vinculada necessariamente a uma posição social x ou y (é o caso da compra de locais VIP's numa festa). Como dizia uma amiga minha, Taís codinome "Muga", trata-se de "Very Important Putão" no mais da vezes, e esse é um dos problemas também...

No meu caso, acho que a hierarquia vale, apenas existencialmente falando aqui, para garantir as pessoas contra "as discórdias da igualdade" (nunca pensei que fosse citá-lo aqui, mas isso é Francisco Suárez, teólogo espanhol [1548-1617]). É como "viver em sociedade sendo o mínimo sociável possível". Em alguns momentos isso é importante, pelo menos do meu ponto de vista misantropo, solitário e "alternativo". É um modo de garantir a mínima paz possível, distante das multidões massacrantes, irrespiráveis, malcheirosas. Por isso nada melhor que festas em locais VIP's (ou ao menos com um limite numérico) ou ao ar livre. Bom, ao menos ele continua sendo...


Ps (uma convenção, já que pós-scriptum só tem sentido numa carta à mão): Uma van passava com os gritos do cobrador arrebanhando gente para um local de seropédica "Social! Social!", lembro de ter respondido "Antisocial!!!", ao que o rapaz me olhou encabulado. Acho que era dia de choppada de adm ou algo assim...

Walter Andrade

26 de dezembro de 2010

GERAIS - Réveillon, cidras, foguetórios e flores brancas...

Já passou o natal! Os Flinstones já comemoraram o seu natal ("na idade das pedras que não criam limo"), dando demonstração suficiente da cultura criada em torno desta celebração. Já empazinados de rabanada e panetone, esperamos o réveillon, termo, que conforme indica o já indispensável Wikipédia, é oriundo do verbo francês réveiller e que em português significa "despertar". É o momento em que milhões (e talvez esta seja uma estimativa modesta) de pessoas deixarão de fumar de uma vez por todas, de beber para toda a vida; outros tantos milhões iniciarão o regime revolucionário, mudarão de vida, trocarão de emprego, serão mais dóceis, etc... Uma série de promessas de calendário que poucos milhares (esta sim, com certeza uma estimativa das mais otimistas) chegarão a cumprir. Esse "despertar" será, para muitos (com a exceção garantida dos acertadores da mega da virada), exatamente igual ao da maioria dos dias. O saudoso Arthur da Távola, cronista brilhante, já ensinava: a natureza não sabe que o ano mudou. Para ela, o novo é cada estação.
Meu bom e nem tão velho pai sempre me diz: se faz algum sentido comemorar o 31 de dezembro, é pelo próprio 31 de dezembro, e não pelo 1 de janeiro. Comemora-se um ano que foi bom, ou comemoramos o final de um ano ruím. Dar boas vindas ao ponto de interrogação é que não tem muito cabimento, ao menos para meu pai, pessimista de primeira linha, e para este seu filho, que já possui quase a mesma idade do pai!

P.S.: Se é verdade que "todos nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou..." então está é uma das poucas postagens que faço do Brasil, pois vou acertar a mega e me mudar para algum destino de milionário.

Bruno Silva

23 de dezembro de 2010

POLITICALHA - A CBF e os campeões brasileiros

O Santos e o Palmeiras são, oficialmente, octacampeões brasieliros de futebol! Sou contra.

Sou contra, mas acho justo... Contra simplesmente porque dentro das minhas convicções jamais poderei concordar com uma decisão do Sr. Ricardo Teixeira.

A justiça se faz quando incluimos grandes idolos (e grandes times) nas estatisticas do nosso principal campeonato, Pelé, Ademir da Guia, Garrincha...

Penso que há excessos nesta unificação, dar dois títulos brasileiro em um ano macula as estatísticas, porém estou ciente da confusão que seria ter que escolher qual campeonato valeria em determinado ano...

Está feito, mas penso que ficou uma sensação de traquitanagem, principalmente pela pouca presença de ex-atletas na festa de premiação.

João Gabriel (que continua hexacampeão brasileiro)

22 de dezembro de 2010

Déjà vu e Djavú

Segundo o site Wikipédia “Déjà vu é uma reação psicológica fazendo com que sejam transmitidas idéias de que já esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. O termo é uma expressão da língua francesa que significa, literalmente, já visto.”

Tenho essa sensação sempre que o tédio me faz parar a TV em um canal de videoclipes. São tantos os "déjà véanus" ("já vivido"), "déjà lu" ("já lido"), "déjà entendu" ("já ouvido"), "déjà visité" ("já visitado")...

Frases como “shake your body” e “put your hands up” estão no topo de cada lista de top, me irrita como a música pop americana está cada dia menos original, mais chata e repetitiva!

Não quero dar uma de crítico de música ou levantar a bandeira de bandas independentes. Até porque já não tenho mais paciência para artistas e críticos em geral.

Mas e o “húmor”?

O humor nos tempos de cólera!

Cólera, Justin Bieber, Black eye peas, katy Perry e outras coisas contagiosas.

Falando em febre, não posso deixar de voltar os olhos para o nosso (vagabundo muito) querido: Brasil (com ‘S’ e com ‘Z’), copiamos muito bem nossos líderes, temos o don de transformar “im a single lady” em “hoje eu to soltera”, um legítimo tecnobrega!

Também tem sons de teclado, voz aguda, danças exóticas e jogadas de cabelo a banda com o nome mais verossimilhante e... eu diria: Honesto!

Banda Djavú!


João Gabriel (com a sensação de que já falei, pensei ou escrevi isso antes!)

21 de dezembro de 2010

Gerais - Tristezas natalinas

Agora é uma tristeza em verde e vermelho pendurada nas janelas e árvores de plástico. O Natal é uma nostalgia de coisas que não se podem explicar: temos saudades de outros natais que já não estão com nitidez na memória. Acho que não mudou tanto assim: panetone, coca-cola para combinar com o papai noel, jingles do comércio... Já não se compram cartões, é verdade; mas as mensagens chegam, prontas ou de improviso, nas caixas de e-mail, sites de relacionamento etc.
Há os que, como eu, acreditam que o nosso natal nunca será o de Nova Iorque; mas uma grande maioria ainda se esforça para tornar cada vez mais parecido o nosso verão de inferno em inverno, e fazem cair até neve de isopor sobre árvores falsas de florestas coníferas.
O Natal, não deveria, mas me enche de tristeza. O ano novo também, mas isso fica para mais tarde.

Bruno Silva

15 de dezembro de 2010

A Ciência Mágica

Hoje tomando banho pensei em como funciona a resistência do chuveiro; logo olhei para a lâmpada acesa do banheiro, e verifiquei que também não sei, concretamente, como ela funciona. As placas elétricas dos componentes de um computador, som, tevê?! Carros?! Fenômenos químicos, físicos, biológicos?! Idem...

Aquela coisa de "alienação do proletariado" pode ser ampliada exponencialmente: Nossa sociedade contemporânea herda e usufrui de todos os avanços tecnológicos de muitos gênios ao longo da história, mas tudo se passa como se fosse simples mágica, magia e não ciência, já que não temos (cons)ciência de como funcionam as coisas realmente. Como disse Arthur C. Clarke, em sua Terceira Lei, "qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia" (Richard Dawkins, Deus: um Delírio). Poucos podem dizer que não são alienados de fato. E, em vez de o conhecimento da humanidade nos fazer a todos progredir, acho, pelo menos nesse sentido e em alguns outros, que tende a nos tornar "ignorantes funcionais", análogo aos "analfabetos funcionais" que tanto vemos por aí.

Walter Andrade (que não sabe nem como funciona um site ou blog, mas que acha o blogspot foda!).

Gerais novamente

No fim de ano oque não muda? Dom Berlusconi continua sendo o "padrinho" do cenário político italiano, tendo condições mínimas de governabilidade, e condições máximas de lançar uma edição comentada de O Príncipe! No Brasil, o Oscar vai para Niemeyer (trocadilho ridículo!), que continua vivo e hoje completa 103 primaveras (completará mais um verão? tomara!)Tiroteio? ou é nas ruas do Rio ou nas escolas dos EUA: teve mais gente descarregando em cima de diretores em uma escola qualquer de um Estado tal nos EUA. Parece que cometeu suicídio depois. Porradeiro, troca de socos? ou é no UFC ou nas câmaras de vereadores no Brasil: assessores saem no tapa no Pará!
Enfim, nada de novo no front!






Putz!, ia esquecendo: O "Mazebra" despachou o Internacional com dois golaços! Felicidade dos gremistas, delírio deste são paulino cheio de rancor no coração! rs

Bruno Silva

26 de novembro de 2010

A propósito do texto anterior: reiterações...

Vim para falar da onda de caos que varre a cidade. Que varre em sentido contrário: de baixo do tapete para o meio da sala. No Rio de Janeiro, o morro só desce ao asfalto na enchente ou no enfretamento armado. Muita gente tem medo dessa aproximação do morro. Não percebem, porém, que o grande mal é a subida alucinada e clandestina do asfalto para o morro: é a subida para comprar drogas e canalizar o dinheiro para o tráfico. Não legalizam a maconha. No Tropa de Elite foi dito ao usuário "é você quem financia essa merda". Não está correto. Na verdade, "essa merda", o traficante e o usuário são elementos de um mesmo sanitário, sobre o qual se assenta toda uma legislação moralista e seus beneficiados diretos: a politicalha.
Eu verifico que há um certo otimismo amedrontado de grande parte: "finalmente eu acho que vai melhorar essa situação!". Fica o pé atrás: ou matam todos (e levam o Wagner Montes ao orgasmo), ou apenas reestruturam a geopolítica criminosa. Assim não adianta. Querem cortar o mal pela raíz, e não percebem que a solução talvez seja deixar a raíz crescer livremente, fora dos canteiros da criminalidade...

Bruno Silva

Que outro tema poderia ser?! A Guerra Urbana Carioca

"Sarajevo é brincadeira/Aqui é o Rio de Janeiro"...

Não sou lá de numerologia, e sei que isso pode esconder uma inclinação pouco pragmática, mas minha inclinação é mesmo o pensamento mais solto, aliás números é o que mais a imprensa e os institutos têm pra oferecer, então pretendo oferecer-lhes coisas diferentes, ideias.

O que estamos (ainda) assistindo por esses dias é a tentativa terrorista dos bandidos, mas de um terrorismo sem ideologia, ou um terrorismo de instinto de conservação, por assim dizer, de gerar pânico e medo na população. Por outro lado, a reação policial tem sido correta, inclusive em relação aos direitos humanos, que um certo fascismo popular e populista critica, e vocês sabem os meios onde se propagam e as pessoas que o veiculam. Ficou provado de todo modo a ausência de efetivo policial satisfatório e de equipamentos para essa resposta do governo estadual, tanto que necessitou de auxílio das forças armadas e da polícia federal. A reação dos traficantes à implantação das UPP's acelerou o enfrentamento com um dos locais de maior criminalidade carioca, a região da Penha. Forçou, de certo modo, ao governo reorganizar seu plano em direção à zona norte, pois as melhorias das UPP's estavam se dando primeiramente na Zona Sul, se por um lado em morros menores (a Rocinha e o Vidigal prosseguem incólumes) por causa do parco efetivo policial, não poderia deixar de causar desconfiança na população da zona norte de um acusado elitismo de Cabral (ou a mais geral de que só se está fazendo isso por causa da Copa e das Olimpíadas, mas, ainda sendo esses os motivos iniciais, espero que os efeitos permaneçam como "legado" de ambos os jogos). É preciso que as UPP's sejam também "Unidades de Políticas Públicas", como inteligentemente disse o candidato ao governo pelo PSOL nas últimas eleições. Outra coisa ainda é o controle sobre as mesmas, para que não se tornem novas milícias, como levantou José Padilha, diretor de Tropa de Elite (e estamos frente a um Tropa de Elite 3, documentário ao vivo e bem mais realista e inesperado que uma ficção pode ser).

Outra coisa deve ser dita nesse momento um pouco fascistoide e moralista: muito (não digo TUDO) do que está ocorrendo teria sido evitado se a moral conservadora brasileira não impedisse (como ainda impede) a legalização de drogas, ao menos da maconha e, a meu ver, da cocaína também (um caso como o Crack é mais delicado). Na Holanda a maconha é legalizada e existem clínicas para dependentes químicos (que no Brasil são 20 % da população que usa drogas ilegais, segundo ouvi numa dessas transmissões desses dias sobre a operação policial). O dinheiro proveniente da venda legal de maconha (para não falar dos empregos diretos e indiretos criados), os tributos que o governo ganharia (como ganha tanto sobre a taxação dos cigarros e em menor medida das bebidas) excederiam as necessidades financeiras dessas clínicas e esse excesso poderia ser investido na saúde como um todo também. Por que você pode consumir álcool (com moderação, dizem os comerciais, que poderiam ser estendidos às drogas hoje ilegais que citei em favor da descriminalização) e tabaco, e não pode algo tão menos corrosivo como a maconha?! O que está ocorrendo é, sim, culpa de todos nós, de um modo direto ou indireto, de um jeito ou de outro. Mas não é com o moralismo (como não é somente com repressão policial) que resolveremos nossos problemas sociais.

E nisto, ao menos nisto, penso... que ninguém pode dizer que não sou pragmático.

Walter Andrade

22 de novembro de 2010

Quando o Futebol joga contra: Paul McCartney

Não quero bancar o resmungão, mas se não fosse a Copa de 2014, o Maracanã não estaria fechado hoje, e o Paul viria tocar no Rio de Janeiro. Ficamos a mercê da Globo, que nunca abre mão de sua programação ordinária (no sentido original e no pejorativo também)! Saem-me com uma história de "melhores momentos do show", reduzindo quase três horas de música em mais ou menos uma hora de programação. Só tem um detalhe: trata-se de Paul McCartney, ou seja, todos os momentos são melhores momentos (observação do Walter)! O cara fica 17 anos sem vir ao Brasil, não há lugar para show no Rio e a Globo ainda me faz isso! Será que "Eleanor Rigby" não faz parte dessa famigerada seleção global? E "Something"?! Não quero desdenhar de ninguém, mas porque não deixam pra fazer isso com o especial Roberto Carlos?!

Bruno Silva

14 de novembro de 2010

Caosmos: Dinheiro x Vida

Sei que um texto deve ordenar as ideias, mas quero dar uma mostra a vocês de como as coisas vão se encaixando umas nas outras por associações imprevisíveis e de um modo meio caótico. Sim, pois o caos também gera o cosmos.

Hoje acordei, mesmo depois de não ter dormido, assaltado por pensamentos soltos e recorrentes. Coisas como "eu não quero enriquecer, mas precisava ter nascido rico". Explico: por motivos ideológicos, sou contra o trabalho com fins de lucro exponencial (e também contra o trabalho por muito tempo, que é aviltante em vez de ser digno, como dizem por aí). E a herança da riqueza é um modo mais nobre de se relacionar com o Dinheiro. Hoje Educação é ligada intrinsecamente - pelo menos no discurso - à possibilidade de ascensão social, de "inserir-se no mercado de trabalho". Talvez seja resultado do nosso estado bem atrasado "espiritualmente" e materialmente falando, porque reduzir a educação a um meio de conquista de posição social e dinheiro é ter um pensamento bem... é não ter pensamento, pra ser mais conciso e duro. O Esporte é também tomado como "meio de inclusão social": esporte é "saúde, espírito de equipe, é cidadania(!?)", como tenho uma noção bem mais ampla do que é ser cidadão, não acho que o esporte possa ser identificado com cidadania sem maiores explicações. Mas sempre me pergunto: "e aquelas milhares de crianças que não têm talento para os esportes e enchem os projetos sociais ligados a ele?!", porque fica parecendo que todos ganham, quando é preciso lembrar que o esporte possui outra ligação com o mundo capitalista: a competição, e competição sempre exclui os derrotados e ainda mais, por princípio, os incapazes. Como se diz, o 2º é o primeiro entre os derrotados. Dentro de tudo isso ainda há todas as contradições possíveis e imaginárias, como as pessoas que enriquecem por serem bonitas, por conchavos, na TV, quase sempre nada inteligentes, e que jogam ao chão o esforço de estudo de muitos, aqueles que acreditam na panaceia da educação. Se a educação fizesse tantos milagres, o povo de maior índice de educação à época não teria realizado o holocausto.

É preciso, é preciso... (quem sou eu pra dizer sempre o que é preciso?!), mas me parece que para termos uma vida mais completa seria necessário não viver de modo tão restrito, tão ligado, por mil e um laços, a "papeis sujos com poderes mágicos", já que necessita de palavras como "crédito", como já disse Ernesto Sábato, nessa nossa religião contemporânea, que congrega a todos na crença do Deus Mammon, de ateus a ortodoxos religiosos...

Walter Andrade

9 de novembro de 2010

Ambientalismo ou Otimismo?!

Primeiramente pedimos desculpa coletiva por um sensível hiato nas postagens do blog.

Talvez por isso mesmo o texto de hoje será uma espécie de panorama do caminho político das eleições brasileiras e um olhar para o futuro...

Fiquei profundamente decepcionado com o nível das eleições presidenciais de 2010. Por exemplo achei que pela 1º vez entraria em pauta a política internacional (motivos não faltavam: a relação do Brasil com o Irã, a emergência diplomática brasileira dentro da ONU, reivindicando assento no conselho de segurança, os embates com o protecionismo estadounidense e europeu etc). Nada disso foi debatido. Os discursos nos diversos "debates eleitorais(eiros)" foram mais do mesmo: repetições de frases feitas, acusações e réplicas na mesma moeda, certo ufanismo petista, ops, LULISTA, já que o "companheiro" dominou de vez o partido. Ética?! Ela ninguém poderia convocar ao seu lado. O que não quer dizer que um governo do PSDB seja o mesmo que um do PT...

Mas o foco aqui hoje é o otimismo pré-sal petista. As imagens mais pareciam anúncio da Ricardo Eletro (grandes palavras como EDUCAÇÃO, SAÚDE, FIM DA MISÉRIA assim, em caixa alta, descendo dos céus se não me engano [não deveriam sair do fundo do mar?!] e batendo forte contra o chão). Parecia propaganda evangélica também, ainda que as promessas não sejam as mesmas. Mas, de todo modo, denuncia uma religião secularizada (Koselleck): a do futuro radiante, a da perfectibilidade do progresso (ainda que não se use mais a palavra símbolo e lema da bandeira nacional por desgaste de sua utilização pela direita durante largo tempo). Substitua-se progresso por desenvolvimento/crescimento e estamos quites.

Isto é grave. É iludir-se a si antes de enganar o povo. Há complicações de longo prazo nisso. Primeira coisa: Quanto mais um país torna-se rico através da exploração de recursos naturais não-renováveis (como na prática é o petróleo) ao mesmo tempo torna-se mais pobre (Economista José Eli da Veiga). Segundo: O crescimento exponencial do consumismo leva à correspondente utilização de recursos naturais para a fabricação de mais produtos, no que a obsolescência programada das mercadorias muito influencia, junto da propaganda (Henrique Cortez e Osvaldo Ferreira Valente). O MMC disso é a crise ambiental.

Crise ambiental que não pode ser travada se não se põe o dedo na ferida: no modelo de economia capitalista. Pois é ele que em pouco mais de 1 século gerou mais destruição ao planeta que tantos milênios (vai saber quantos!). Não é apenas proibindo o uso de sacolas nos supermercados ou deixando de jogar lixo na rua que mudaremos a cabeça das pessoas (se fosse tão simples seria apenas uma questão de educação e leis sanitárias, e não é só isso). A propagação assustadora da humanidade no planeta é também um problema grave, é só viver numa grande capital ou pensar na China/Índia por exemplo (no que me assumo Malthusiano mesmo). Como prover tantas necessidades reais e simbólicas sem acelerar a degradação do planeta?!

É preciso mais reflexão política, menos otimismo desenfreado e um consumo mais racional. Ou assumirmos de vez o lugar que os filmes americanos como "Independence Day", entre outros, deixam para os extraterrestres, o de sanguessuga irracional dos recursos naturais, e que para mim não é senão a transferência de uma imagem pessimista do homem ao alienígena. Afinal, a culpa é sempre do outro, mesmo quando vem de tão longe...

Walter Andrade

Ps: Se fôssemos tão "divinos" quanto as religiões dizem, aprenderíamos que o melhor nesse caso é ser o mais próximo possível dos animais silvestres (que somos também animais): cumprem muito bem seus papeis na cadeia alimentar, e no ciclo da natureza, longe de a destruir.

27 de setembro de 2010

POLITICALHA - "Governar para todos"

Estava vendo a propaganda eleitoral hoje e percebi que temos o melhor exemplo do "governar para todos", que é o lema do CABRAL. Ele falava de UPP e do bilhete único. Olha a perfeição: a UPP vai e ocupa as comunidades sem efetuar prisões. Mais: possibilita que a informação do projeto de ocupação chegue ao conhecimento dos traficantes. Tudo bem que isto evita os confrontos e eventuais balas perdidas (que sempre encontram abrigo), mas o fato é que os traficantes apenas mudam de endereço; o mais irônico é que ao sairem das comunidades do Rio para a baixada e outras regiões do Estado eles gastam menos dinheiro de passagem: R$ 4,40!

Bruno Silva

23 de setembro de 2010

POLITICALHA - Pesquisas Eleitoreiras...

Eleição gera pesquisas de opinião. Aliás, diz-se que vivemos uma democracia de opinião. Opinião pública, publicizada, propagandeada pela mídia. Mídia que encomenda pesquisas de opinião. Agências de propaganda que fazem mais do mesmo. Uma espécie de venda por demanda, no caso do comércio, e de acomodação de plataforma política à opinião dominante, no caso das eleições.

As pesquisas eleitorais cumprem o papel positivo de evitar surpresas e possíveis fraudes durante a eleição, já sabemos "2 pontos percentuais para mais ou para menos" o que acontecerá dia 3 de outubro. Por outro lado, cumpre um papel negativo ao coagir os eleitores, num certo sentido, a não concretizarem suas iniciais intenções de voto, caso pensem em votar do 3º candidato nas pesquisas para baixo (o primeiro pensamento é o de que tal voto não terá um peso definidor nas eleições...e todos queremos influir decisivamente nela). Outrossim, legitima a seleção de 3 candidatos para participarem de debates na mídia, alijando os demais. Aliás, o tempo de propaganda eleitoral é dividido de modo completamente desigual entre os diferentes partidos. Há coeficientes de acordo com o número de eleitos nas eleições anteriores, cláusulas de barreira...enfim, um mundo de condições que terminam por beneficiar os grandes partidos e imprimir uma tendência de continuidade dos mesmos "no Poder", cerceando a capacidade de renovação política e de mudanças sociais. E isso não é NADA DEMOCRÁTICO.

A "Democracia de Opinião" deveria sempre primar por dar voz às opiniões minoritárias, EM IGUAIS CONDIÇÕES, e não somente à opinião dominante. Mas o que vemos são um monte de regras antidemocráticas no seio da própria organização eleitoral(eira).

É minha espécie de "protesto de princípios".

Walter Andrade

11 de setembro de 2010

GERAIS - Explosões pelo mundo

É difícil entender a marcha do mundo. Dá vontade de pedir: pare o mundo que eu quero descer! O grupo ETA decide deixar as armas como estratégia de luta pela afirmação da nacionalidade basca, sufocada pelo processo de construção dos Estados, tal como os historiadores blá blá blálam há anos. Isso é um passo para frente? Pode ser.
Hoje, quando o mundo lembra do atendado das Torres Gêmeas, os EUA respiram aliviados de que o Pastor Terry Jones tenha desistido do plano absurdo de queimar exemplares do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. É bem verdade que o motivo de maior preocupação é o ensejo que este ato ridículo daria para uma resposta em represália ou, como manifestou o Obama (não confundir com Osama), a fomentação de um alistamento maciço para Al Qaeda.
O pastor se esquece (se é que já soube algum dia) que o tempo em que a igreja queimava ou mandava queimar obras já passou. Sua função religiosa como pastor, baseada no Evangelho, é a de propagar as palavras de Cristo. Mas quem há no mundo com disposição para oferecer a outra face? Não se trata mais da lei mosaica do dente por dente! Até porque, se fosse o caso, a "resposta" teria que chegar de avião, oque duvido que o bigodudo Terry tenha coragem para fazer!

Bruno Silva

8 de setembro de 2010

(ANTI)ESPORTE: Onde a Ferrari se FIA...

A reunião do Conselho Mundial de Esporte a Motor da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) deu-se hoje, em Paris, na Place de la Concorde.
***
A Praça da Concórdia já teve seus tempos de radicalização, durante a Revolução Francesa, quando foi chamada de Praça da Revolução. A guilhotina lá foi instalada, aterrorizando muitos nobres, degolando até o Rei Luís XVI mas igualmente Danton e Robespierre (pois é isso o terror, aterroriza a todos, até aos dirigentes dele mesmo). Lá havia sido edificada antes de 1789 uma estátua equestre do Rei Luís XV, ornada de baixos relevos evocando as virtudes do monarca: a Força, a Justiça, a Prudência e a Paz. Sua impopularidade, contudo, fez o povo cantar à época de sua inauguração

Ah! la belle statue, ah! le beau piédestal,
Les vertus sont à pied et le vice à cheval.

O que é de fácil tradução ao português:

Ah! a bela estátua, ah! o belo pedestal,
As virtudes vão a pé e o vício a cavalo.

Chegou a ser renomeada Praça Luís XVI, em virtude do retorno do regime monárquico ao Estado. A Revolução de 1830, porém, a rebatizaria de Place de la Concorde. Em 1831, o vice-rei do Egito, Méhémet Ali, oferece à França os dois obeliscos que marcam a entrada do palácio de Ramsés II em Tebas, atual Luxor. O primeiro chegou a Paris em 21 de dezembro de 1833 e é Luís Felipe I quem decide erigi-lo na Praça da Concórdia onde «ele não lembrará nenhum acontecimento político». A principal particularidade da Praça da Concórdia é que ela é delimitada pelo «vazio» em três lados (contrariamente à maior parte das praças que são delimitadas por edifícios de todos os lados): os Campos Elísios, o Jardim das Tulherias e o Sena.
***
É o sonho de todo escritor quando as metáforas se derramam perante ele, e pedem apenas um pouco de talento narrativo para tornarem-se um belo símbolo comunicativo. Aqueles que acompanharam esse resumo onde talvez esteja o principal para o caso atual e cuja atenção se deixou chamar pelos grifos itálicos, já sabem a conclusão desta pequena tirada jornalístico-histórica.

Não houve nenhum acontecimento político revolucionário hoje onde o próprio nome já predizia a conciliação. O que restou foi o vácuo ético por todos os cantos do mundo (para usarmos um sinônimo pouco recorrente nas corridas...). E o vício, bem, o vício vai a cavallino rampante e a muitos cavalos-vapor.

Walter Andrade (A história da Place de la Concorde foi extraída da Wikipédia)

21 de agosto de 2010

Pensamentos Soltos - A Era da Informação Contradiz o Capitalismo?

Vivemos a era da informação. Informação que, no sentido mais trivial, não é nem mais necessariamente comprada (o Jornal do Brasil decidiu suspender sua versão impressa); basta conectarmos em algum site de notícias e poderemos ler, sem nem mesmo sair de casa para ir à banca de jornal, as notícias do O Globo e do Estadão, como do New York Times ou Le Figaro... Parece-me que a "revolução informática" contradiz um dado essencial do capitalismo: a mercadorização de tudo (merkatudo) - além de ser uma contradição em si o fato de essa "revolução informática" ter sido forjada dentro do sistema capitalista, e já parece discurso marxista o apenas nomear o sistema, mas Marx já chamava atenção para as contradições do capital. Informação é para o consumo, claro, mas não é para o tipo de consumo de algo "finalizável" e apropriado de modo privado, como um carro ou celular; a informação não é propriedade de ninguém e está sempre circulando entre emissor e receptor e alterando seus sentidos nesse caminho, sempre se renovando e atualizando, é de uma obsolescência aceleradíssima! Hoje boa parte dela não mais se vende (o jornal da banca já está ultrapassado mal é impresso!), mas ainda há quem a compre... A Internet especialmente põe em xeque a propriedade intelectual ou artística, já que não parecem haver meios de controle - ou talvez nem se os queiram, pelo menos da parte dos usuários e de alguns sites, a despeito de algumas tentativas tímidas atuais, como a venda de mp3's -, meios de controlar a difusão de tal música, de certo texto, de uma imagem... Vejam que são apenas devaneios sem uma ideia definida de final, não sei a que tudo isso nos levará, talvez a cultura seja cada vez menos presa do capital ou o capitalismo se redirecione noutro rumo, talvez torne-se algo ainda sem nome... de todo modo, estamos aqui distantes de um filme com roteiro simples e final previsível, será ele feliz?

Walter Andrade (Avançando certas considerações de Jean Lojkine)