22 de junho de 2011

As festas juninas e suas tradições esquisitas...

Época de festejos e quadrilhas, balões (e baloeiros) e milho cozido, o mês de junho vai descrevendo seu trajeto pelas bandeirinhas de papel colorido e pórticos de bambu. Há uma poesia nisso tudo, claro está. Pelo menos no Rio, as quadrilhas do bem (as de festas juninas) ainda não gozam do prestígio midiático das Escolas de samba (porque alguma escola tinha que receber atenção especial nessas terras de Cabral!). Talvez, só talvez, será bom que permaneça assim: o carnaval glamour é da tv e do turista, as festas juninas são mais do povo.
Mas não é exatamente sobre isso que eu, que gosto tanto de festejos como de benzetacil, vim falar. Outros já notaram o impressionante grau de intimidade entre o fiel brasileiro e aquele outro santo do mês: o Antônio. Colocam-no de castigo, de cabeça pra baixo dentro d’água até que arranje o casamento tão desejado. Imagino sempre o santo perdendo as estribeiras e xingando em latim toda vez que um seu milagre é desfeito por um pedido de divórcio. Mas hoje, fiquei sabendo de outras tantas liberalidade que, positivamente, devem deixar o santo de cabeça quente: a corrida das casadoiras para pegar, sentar e até, pasmem, tomar o chá de seu pau! Calma, explico: parece que na procissão de Santo Antônio existe mastro, um pau (que, parece óbvio, são os homens que carregam rs) no qual as talvez futuras noivas precisam encostar, as vezes sentar em cima e, pelo que foi mostrado na reportagem, até mesmo tomarem o chá que é feito dele. É o pau da bandeira de Santo Antônio. Tudo isso para arranjarem um marido, ou uma mulher, o caso dos homens que procuram o milagre de Santo Antônio. Eis aí um bom tema para uma pesquisa de antropologia (só não sei se o Santo gostaria dessa intromissão acadêmica no assunto)!

Bruno Silva

20 de junho de 2011

Google - O Hegel do século XXI


A Internet sucede à Era do Rádio e da TV, ou inaugura a era midiática "ativa" frente à "passiva". Na net você escolhe (ou lhe é apenas sugerido) o que ler, ouvir, ver, escrever... na hora em que você desejar. De e-mails a chats em tempo real, de jornais atualizados à pornografia, de filmes a jogos, está tudo à mão. E, para além dessas faces "lúdicas", cresce a olhos vistos projetos eruditos, como os do Google (Google Art Project, Google Livros, Google Acadêmico, Google Earth, Maps...). Chocado (positivamente) com esse alargamento do âmbito do mundo virtual - diríamos um Universo Indeterminado ou Infinito (e que falta faz não ter lido um Matrix...) - procurei descobrir o ganho utilitário disso tudo. Talvez a ampliação dos acessos e um ganho pecuniário correspondente? Sim, "nada está fora do mercado", poderíamos hoje dizer (e aqui eu salvo o materialismo). Porém é preciso ir além do limitado utilitarismo para ver o outro lado, o ideal do conhecimento total e totalizante sobre o mundo. Pois penso que o Google atualiza - a seu modo - o ideal filosófico do século XIX (que já havia aparecido noutros séculos), de Hegel e Marx e tantos outros. A ambição do saber generalizado e totalizador, a disponibilidade de fontes do século XV, XVI a qualquer pessoa do século XXI. Visitar centros de arte de Florença, Veneza, Paris, sem se locomover. Visitar sua própria casa pelo Google Earth! Dar-se o olhar do outro sendo o mesmo. Se para Hegel o real é racional e o racional é real, o Google responde que o real é o virtual e o virtual é o real.


Walter Andrade

Ps (que já não faz mais sentido, já que não escrevemos aqui à tinta): Você "curtiu" o Google Art Project? Então ficará orgulhoso de um projeto brasileiro (ao que parece anterior!) semelhante, o Era Virtual Museus. http://www.eravirtual.org/

14 de junho de 2011

GERAIS - Primavera Vermelha, Sarney e FlamengoxVasco

Depois da Primavera de Praga, e em meio à Primavera Árabe, o Rio de Janeiro assiste e participa do que chamaríamos, provocativamente, de uma Primavera Vermelha: não é o vermelho de rosas, nem o do sangue que o Governador talvez esperasse ver derramado ao mandar a tropa de choque invadir o quartel dos bombeiros, mas o vermelho da cor da corporação, das faixas e bandeiras em sinal de apoio à causa dos bombeiros. O governador pretendeu “jogar água” nas reivindicações da classe e decretou a prisão de todos. Agora, vai colocando a lição do florentino Maquiavel em prática: o mal todo de uma vez, o bem aos poucos. É assim que ele vai, à conta gotas, “atendendo” algumas reivindicações: soltar os bombeiros, talvez anistiá-los e, no final, parecerá um buona gente, mesmo que não dê o aumento almejado. É um perigo cair nesta história.

Falando em história, tem gente que anda aflita por ocultá-la. Se existem os negacionistas no campo da história do nazismo, o Brasil tem visto os “ocultacionistas” sempre na ativa: O Sarney, praticamente um personagem do Antigo Testamento, andou dizendo que é necessário que os documentos secretos não percam de todo este título. Diz-nos o senador que tais documentos precisam ser preservados, para não causar feridas. Ele, que já tentou apagar da história do congresso o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. São duas atitudes distintas em relação à história: ocultar e apagar. É o velho princípio do arcana imperii (pai dos segredos de Estado), postulado pelo historiador romano Cornélio Tácito, que escreveu na época do imperador Tibério, a quem não me admiraria que o Sarney tivesse conhecido e de quem tivesse sido amigo de infância! É pra chorar!

Mudando totalmente de assunto, e para que o amigo leitor não se despeça cabisbaixo e descrente do próprio mundo, uma provocação que meu amigo Petrus Inutilis me contou: já cansados com a avacalhação rubro-negra, torcedores do Vasco fizeram uma pequena pesquisa nos anais do futebol carioca e descobriram que o Flamengo é mais vice do que o clube da Colina. A maneira flamenguista de ver a situação: “Ta vendo, até nessa disputa o Vasco é vice do Mengão”! É pra rir!

Bruno Silva

9 de junho de 2011


Porque se uma imagem diz mais que mil palavras, duas devem dizer pelo menos dois mil e onze!

Walter Andrade

6 de junho de 2011

Bombeiros pedem Socorro...

Não poderíamos deixar passar em branco - em paz, pois paz não há - o que vem ocorrendo no caso dos bombeiros do Rio de Janeiro.

Assistindo ao JN do último sábado (04/06) fiquei chocado... com a edição antigreve da Globo (já falamos disso num post sobre a greve dos rodoviários, um dos primeiros post's do blog), em discurso afinadíssimo com o do Senhor Cabral (que chamou aos manifestantes de "vândalos", "irresponsáveis", discurso que lembra muito o delirante de Muammar Kadhafi, quando disse que o "povo o amava" e chamou aos rebeldes líbanos de "jovens drogados"), bombeiros que levaram "mães e crianças" para a manifestação - é preciso chamar a atenção da não-naturalidade desta fórmula, pois as mulheres pareciam, na edição da Globo ("esposas se reuniram para fazer comida para seus maridos") e nas palavras do Governador, simples submissas e manipuladas pelos seus cônjuges, numa dissimulada mensagem católica que impõe a imagem da mulher como simples esposa/procriadora e de que assim "política é coisa para homens" (as mulheres participaram até da Revolução Francesa Vossa Excelência!). Pois Cabral, contraditório, não respeitou as tais "mulheres e crianças" mandando o Bope invadir o quartel dos bombeiros e prender os trabalhadores..., 439 pessoas... A reivindicação? aumento salarial! Os bombeiros guarda-vidas, por exemplo, querem salário mínimo de R$ 2 mil (líquido) para os soldados.

Já as associações propuseram que a reivindicação fosse modificada de forma a se adequar à Lei Estadual 279/79, que dispõe sobre a remuneração dos policiais e bombeiros militares fluminenses. A proposta das associações é que o soldo (salário-base do militar) passe dos R$ 334,27 atuais para R$ 662, valor do piso salarial dos vigilantes privados. Com isso, o salário líquido do soldado (que inclui gratificações e benefícios) passaria de R$ 950 para cerca de R$ 2.600.

Que a maior parte do salário seja de gratificação é um meio de ameaça permanente dos governos sucessivos, já que, como todos sabem, gratificação pode ser retirada a qualquer momento.

Por outro lado a atitude e as palavras de Cabral mostram um certo desespero, se fôssemos com Simone de Beauvoir diríamos o "medo da burguesia", já que como me lembrou Fernanda (além dessa ideia) a rede de saúde do Rio é totalmente dependente dos bombeiros. O Rio pode simplesmente parar. Qual é a ação de Cabral? BOPE! Repressão! Será que as 439 pessoas estão equivocadas e somente o Senhor Governador está correto? (A edição da Globo mostrou um bombeiro batendo num policial com uma marreta, como se os policiais não estivessem atacando-os com bombas "de efeito moral" e não só moral, spray de pimenta, prisão..., é sempre a teoria de que são os manifestantes "anárquicos" que atacam uma polícia que só revida em legítima defesa). O jornalismo, especialmente o global, não aplica a tal "neutralidade" que advoga empregar...

Hoje o movimento ganhou adesão da Associação de Cabos e Soldados dos Bombeiros, além de associações ligadas às Polícias Civil e Militar e outros servidores do Estado que se reúnem para discutir mobilizações em conjunto por melhores salários. A servidoria pública do Rio parece, enfim, ter acordado de seu sono de morte.

Fiquei de repente com a sensação de que estávamos no início do século XX...Será que haverá de se lutar novamente por simples direitos democráticos, o de greve e manifestação de protesto contra governos?

Walter Andrade

Ps: As informações mais jornalísticas foram retiradas do IG. O vídeo é da TV Brasil.

24 de maio de 2011

Show do Paul McCartney no Rio: Diário de Bordo, Parte II (Final)


O último show do Paul McCartney no Rio, na noite (já) histórica de 23/05/2011 começou pontualmente às 21:30, chegando com seu terno e suspensório, um inglês padrão (Padrão?! rs). Pressa do Paul de ir embora pra casa? Que nada! Lá vinham duas horas e meia (parece mais tempo por extenso!) de um espetáculo que poderia ser infinito, não fosse isso inumano, ainda que Paul mesmo mostrasse uma vitalidade maior que a minha! (Fernanda lançou a hipótese do vegetarianismo dele para explicar isso). Eu tinha consultado o setlist da noite anterior, e assim chamo atenção para a abertura diferente, com "Magical Mistery Tour", muito apropriada para uma turnê em si mesma mágica. Sempre os acordes iniciais de seu violão (quando o pegava) me faziam esperar I've Just Seen a Face, que não veio. Frustração então? Como?! Se a grande banda estava na estrada! (Band on the Run). O repertório foi sensacional: um passeio pela discografia dos Beatles (e como era bom ver os gestos de Paul e as fotos, fazendo-me voltar a um tempo que eu deveria ter vivido!), passando por The Wings, o projeto Fireman e a carreira solo, que não são supérfluos! Ou o que diremos de músicas como Mr. Vandebilt, Let me Roll it, Sing the Changes ou Jet?! Live and Let Die foi um show à parte, com os fogos, a pirotecnia, o rock. Aliás, o White Album estava lá presente, mostrando ao mundo o que é o verdadeiro Rock n' Roll! A vertiginosa Helter Skelter incendiando os sentidos (com suas imagens duplas e fundidas). Lembro-me de dizer em Paperback Writer "Isso será para sempre revolucionário", não só esta música, claro, mas A BANDA em questão, The Beatles (quantos mil "The" alguma coisa vieram depois e até hoje?!). Tocando Bandolim, Ukulele (nem sei o que é direito), Piano, Violão, Guitarra, Baixo... e ainda por cima cantando! Paul foi genial, jovial, brincalhão e generoso, tanto com o público em geral quanto com 4 meninas em particular, que subiram ao palco e foram recebidas com abraços e autógrafos, nenhuma cerimônia ou repressão, nenhuma hipocrisia... E eu já estava condicionado a esperar bis pra sempre, e o arrepio final veio com The End, fechando o show com a (penúltima! a-há!) música do meu álbum predileto, o Abbey Road (que inaugura a meu ver o Rock Progressivo).

Um dia terei a oportunidade de dizer a algum jovem que eu assisti ao (quiçá ou provavelmente) último show do Paul no Rio, dizer "eu estava lá" e "foi mágico". Ainda nutro a (boba?) esperança de que serão sempre os grandes artistas que no fim ficarão para a eternidade. É a imortalidade que eles conquistam, merecidamente. E eu, que não sou artista, nem imortal da ABL, digo por mim que me sinto menos devedor à Senhora Morte depois desse dia. Por último, preciso agradecer à Fernanda, minha namorada, pois sem ela não poderia estar lá; ela me deu o melhor presente possível e imaginável que eu poderia ter ganho pelo meu aniversário! ^^

Walter Andrade

22 de maio de 2011

Show de paul McCartney no Rio - diário de bordo, parte I


No ano passado, confesso, chorei a raiva e amaldiçoei o velho Maraca: Paul McCartney não viria ao Rio por conta das obras no estádio. Esse ano, nessa noite, mudei de opinião: o show do ídolo não poderia ter sido melhor! Com a plateia inteira, os 45 mil (embora tenha parecido que os cambistas fizeram muita gente ficar de fora, já que nas cadeiras havia alguns espaços não ocupados) que assistiram ao show ficaram totalmente encantados! Com um palco próximo do público, mesmo os que nào estávamos na pista (aliás, entupida de gente!) tivemos oportunidade de curtir de perto o espetáculo proporcionado por Paul. Foram mais de duas horas e meia de show, com dois
bis
A abertura, com apenas quinze minutos de atraso (lembre-se que o Cara vem da terra da pontualidade) foi ao som de Hello, goodbye, passando por clássicos emocionantes, tais como Let it be,
Eleanor Rigby, Something,
All my loving e Jet.
O final foi com Sgt Pepper`s Lonely Hearts Club band/The end.
Simplesmente fantástico, a plateia cantando tudo! Fiquei sem palavras (literalmente, já que a voz não resistiu rs!). É claro que se todo mundo tiver a chance de falar o que faltou o repertório completo vai aparecer na lista. Quanto a mim, saí querendo ouvir Goldem slumbers fills your eyes, smiles awake you when you rise...!
Enfim, felizes os que estarão lá amanhã e vivenciarão tudo isso! A parte II deste diário fica a cargo do Walter, que também terá o priviégio de conferir tudo de perto.

Bruno Silva

13 de maio de 2011

Sobre Herois e Tumbas...


O falecimento foi na madrugada do último dia 30/04, dois meses antes de completar 100 anos; reduzido a um breve flash em meio à morte de Bin Laden, que é muito menos importante, como dito noutro post. Pois a figura a quem presto aqui homenagem (antes tarde do que nunca!) é ao grande escritor argentino Ernesto Sábato, vencedor do Prêmio Cervantes de Literatura e um dos maiores autores latino-americanos do século XX, escritor daquele que é considerado por muitos o maior romance hermano do último século, Sobre Herois e Tumbas (1961), onde o brilhante autor traça trajetórias de amores passionais e de amores platônicos, de delírios sobre a existência de uma certa Seita Sagrada dos Cegos, sobre o pano de fundo da dramática história do nascimento da nação argentina, entre guerras de independência entre Juan Lavalle e Juan Manuel Rosas ao Peronismo, ambientados numa Buenos Aires melancólica; tudo reunido na visão trágica (argentina!) de Sábato, aliada a uma esperança sempre renovada, humanista acima de tudo.

O humanismo seria de fato sua marca. Nascido em 1911, Sábato doutorou-se em física e, no final da década de 1940, quando se obteve a fissão do átomo de urânio, tornou-se pesquisador do Laboratório Curie, em Paris. Uma visão premonitória e apocalíptica da bomba atômica o fez abandonar a ciência e dedicar-se à literatura (em si uma atitude humanista e política). Mas não se tornou "contemplativo", antes participou ativamente da política de seu país. Sábato presidiu a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), e entregou ao presidente Alfonsin o relatório “Nunca más“ (1985), onde estão detalhados os crimes da ditadura militar argentina (contemporâneo e inspirador do nosso "Brasil Nunca Mais" da CNBB e noutros países). Lá houve um Tribunal que julgou as juntas militares... mas isso já seria tema para outro post.

Ficamos na homenagem a um escritor que muito me incentivou a gostar de literatura, através de um livrinho de contos de outros autores selecionados por Sábato, donde me interessei em conhecer o próprio (que tão bom gosto desfilava!). E se toda pessoa é única e singular, é preciso dizer que poucas são insubstituíveis, como ele. "Curioso" (pois Sabato dificilmente concordaria com o casualismo disso) que o trágico se impõe até nesse momento, pois verifico que, como uma nota dominante em nosso texto, estivemos sempre a falar de Herois e Tumbas...

Walter Andrade

4 de maio de 2011

O Papa é pop... e santo.

O texto aí de baixo já apresentou questões relevantes em torno da morte do Osama, notícia que tomou o mundo nessa semana. Não quero repisar o terreno, razão por que reitero o fundamental do que se defende nessa postagem e apresento outras "eternidades da semana".
João Paulo II foi beatificado após relatos de ter realizado intercessão milagrosa em uma religiosa da França. Até que o casamento do príncipe liberou a agenda do mundo para outras realizações: depois do real casório, a beatificação do Papa, a morte de Osama (que tem provocado bons atos falhos no noticiário, haja vista Rodrigo Bocardi ter afirmado, no Jornal da Globo de anteontem, que o morto era Barack Obama rs) e agora o discurso orgulhoso do presidente dos Estados Unidos (que não havia sido convidado para o casamento e pôde, na sexta feira mesmo, dar o sinal verde para a execussão do fundador da Al quaeda). Será que se não tivesse sido barrado na festa a história seria diferente rs? Agora surgem uma série de dúvidas: será que Osama realmente está morto (cadê o corpo?), estando de fato morto, por que o jogaram no mar? terá sido por motivos religiosos ou por cautela política para se evitar a dignificação do terrorista?, as forças oficiais do paquistão deram cobertura ao terrorista? O problema do corpo do morto é, talvez, o mais intrigante. Já havia o velho ditado: quem pariu Mateus que o embale! Agora, a variação parece ser: quem matou Osama que o enterre (ou lance ao mar)! Estou desconfiado de que começo a repisar o terreno...

Bruno Silva

2 de maio de 2011

A Morte de Bin Laden e o Perigo de Mussum-Obama



"A causa da segurança de nosso país não está completa. Mas, esta noite, mais uma vez lembramos que os Estados Unidos podem fazer tudo a que se determinar fazer. Essa é a história de nossa história, seja a busca da prosperidade para nosso povo, ou a luta pela igualdade de todos os nossos cidadãos; nosso compromisso é lutar por nossos valores no exterior, e nossos sacrifícios é fazer do mundo um lugar mais seguro."

"Deixem-nos lembrar de que podemos fazer essas coisas não apenas por riqueza e poder, mas por causa do que somos: uma nação, sob um Deus, com liberdade e justiça para todos.

"Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".

Trechos da declaração de Barak Obama na tradução de Webster Franklin (Terra), com grifos meus.

As partes grifadas são muito significativas. O Deus do Ocidente não parece ter o mesmo peso do Deus dos Terroristas na justificativa dos atos americanos, ops, estadunidenses, que lutam "não apenas por riqueza e poder", mas por liberdade e justiça para todos. Não sei se para todos... Estamos, afinal!, falando do imperialismo em país, que intervém no mundo todo militarmente, quase nunca com justificativas plausíveis (vide Iraque, Vietnã, Cuba...), e que mantém Guantánamo (a despeito da promessa de fechamento, feita por Obama), que absorve os padrões terroristas de sequestro/tortura, além do sigilo judicial, sobre pessoas a maior parte inocentes de todo, como agricultores afegãos que lá ficaram por 8 ou 9 anos...

Já vinha pensando que a figura mussum do Obama e o entusiasmo em seu entorno poderia dissimular melhor a continuação da mesma política estadunidense, com popularidade e carisma e um pouco menos de agressividade do fundamentalismo cristão (que era apanágio dos Bushs e da direita republicana), já que os democratas representem uma direita mais laica. Não precisaria dizer que não considero os E.U.A modelo de democracia? Com seu bipartidarismo na prática, macartismo, preconceitos raciais (200 anos de "democracia" até ter um negro como presidente!, até nós demoramos menos pra ter um "operário" e uma mulher no cargo). Ademais, é sempre imprudente buscar modelos, mas a Suíça seria mais louvável (democracia direta, não representativa), ou Noruega, Finlândia (e até lá a extrema direita conseguiu vencer recentemente...).

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Reproduzo a seguir um pequeno texto que foge da monotonia/reprodução do mesmo que estamos assistindo por aí sobre a morte de Bin Laden, de uma fonte que me parece respaldada para dizer o que diz:

Morte de Osama Bin Laden é irrelevante, diz Robert Fisk

por Redação 774 ABC Melbourne

O veterano jornalista Robert Fisk, que entrevistou Osama Bin Laden em três ocasiões, disse que a notícia da morte de Bin Laden é muito menos importante que os levantamentos populares que acontecem no mundo árabe. “Já venho dizendo há algum tempo que acho o fato de ele estar ou não estar morto bem irrelevante”, diz o correspondente do jornal inglês The Independent no Oriente Médio. “Ele fundou a Al Qaeda e essa foi, a seus olhos, sua realização”.

O premiado jornalista diz que Osama Bin Laden não estava em condições de realmente dirigir operações da Al Qaeda. “Ele não estava sentado numa caverna com teclas de computador e dizendo ‘aperte o botão B, é a operação 52′”, diz Robert Fisk.

Fisk, que ultimamente esteve noticiando os acontecimentos na Síria, diz que o mundo mudou de várias formas desde o 11 de setembro. “Nos últimos meses vimos um despertar árabe no qual milhões de árabes muçulmanos derrubaram suas próprias lideranças”, ele diz.

“Bin Laden sempre quis acabar com Mubarak e Ben Ali e Kaddafi e os demais, argumentando que eles eram infiéis que serviam à América e, na realidade, foram milhões de pessoas comuns que, pacificamente — bem, mais ou menos, e com certeza no caso da Tunísia e do Egito — , se livraram deles. Bin Laden não, ele fracassou nessa tarefa”.

“Você tem que se lembrar que esses regimes sempre disseram aos americanos: ‘continuem nos apoiando, porque senão a Al Qaeda toma o poder’ — e na verdade a Al Qaeda não tomou poder nenhum”.

É interessante que, depois da derrubada de Mubarak, a primeira coisa que se ouviu da Al Qaeda, uma semana depois, foi um chamado para a derrubada de Mubarak, uma semana depois que ele havia caído. Foi patético”.

Fisk diz que as comemorações da morte de Bin Laden nos Estados Unidos são insignificantes. “Acho que Osama Bin Laden perdeu a relevância há muito tempo, na verdade. Se eles tivessem matado Bin Laden um ou dois anos depois do 11 de setembro, uma parte dessa bateção no peito poderia ter tido alguma relevância. Esses punhos no ar nos Estados Unidos, celebrando vitória, são boas imagens, mas acredito que elas não significam nada”, diz ele.

“O fato real que temos no mundo hoje, o que é importante, é um levante de massas e um despertar de milhões de árabes muçulmanos para derrubar ditadores”.

Robert Fisk diz que esses levantes são “muito, muito mais importantes que um homem de meia-idade sendo morto no Paquistão”.

* Tradução de Idelber Avelar. Publicado originalmente no 774 ABC Melbourne e retirado do site da Revista Fórum. Publicado em http://www.ariquemesonline.com.br/textos.asp?codigo=20603


Walter Andrade

27 de abril de 2011

ESPORTES - De Volta para o Futuro...


Quando achamos que hoje todo jogador é mercenário, que a tal profissionalização do futebol tirou o lado bom do amadorismo, isto é, o amor à camisa, eis que ao menos uma exceção nos enternece: Juninho Pernambucano, que volta ao Vasco recebendo um salário-mínimo... (simbólico mais-que-tudo, e já que se tem de receber algo por trabalhar). o jogador só aceitou receber boas premiações de acordo com o bom desempenho do time no campeonato brasileiro, posto que por sua idade avançada (36 anos) não sabe se terá condições de atuar em alto nível (acreditamos que sim, já que sempre se cuidou fisicamente e sempre foi disciplinado). Exímio cobrador de faltas (além de ótimo passe e visão de jogo, boa marcação, vibração...), até um cientista se interessou por ele, trata-se de Ken Bray, físico inglês, que chegou a fazer um estudo e o considerou o maior do mundo em cobranças de falta (para quem duvida, assista no fim da postagem a uma cobrança magistral quase sem ângulo que parou no ângulo!). Juninho pediu já duas bolas do brasileirão para ir se acostumando, já que só poderá jogar pelo Vasco em agosto, quando abre a janela para as transferências externas. Havia declarado - como se precisasse! - ser Vasco, e que só jogaria no Brasil novamente pelo Gigante da Colina, articulando agora suas palavras em atitudes. A própria trajetória no futebol remete ao esporte no passado: só jogou pelo Sport (1993-1994), Vasco (1995-2001), Lyon (2002-2008) e pelo Al-Gharafa (2009-2011). Foi multicampeão por onde passou (o Lyon nunca havia conquistado o campeonato francês antes dele, com ele conquistou nada menos que o Hepta!). Para prosseguir no passado, o caso ainda lembra o de Pelé, que quando voltou ao Santos jogou "de graça", segundo o mesmo salientou criticando - lembrança inversa - a Ronaldinho "gaúcho", que disse num dado momento que queria voltar ao Grêmio, para compensar a saída conturbada, e que jogaria "até de graça" pelo time que o revelou; como se viu, apenas palavras vazias de sentido...

As boas-vindas ao eterno reizinho de São Janu!

 

Por um vascaíno muito feliz: Walter Andrade

23 de abril de 2011

Casamento do príncipe William: quem se importa?

Estamos já distantes da época em que a monarquia inglesa, conforme se acreditava, possuía o dom de curar escrófulas pelo toque das mãos (Reis Taumaturgos). Mas o interesse pelas coisas da família real, em que pese a crise por que passa a Grã-Bretanha, continua em alta. O inexpressivo príncipe William e sua noiva arrivista, Kate Middleton, estão sempre dando as caras na máquina de fabricar doidos, a TV. Quis assistir ao noticiário ontem e me deparei com um programa inteiro dedicado ao casamento Real (canais abertos...!), que está sendo considerado um moderno conto de fadas (imagine-se a a Cinderela fazendo - de propósito, dizem as ferinas línguas - matrícula na mesma universidade do príncipe encantado!). Mas qual a relação entre a cura dos males e o tão falado casamento? É que, se já não salva o pescoço de ninguém em particular (a não ser o da futura princesa), a família real contribui para acabar com a tragédia no mundo inteiro: o Japão já não enfrenta problemas, o mundo árabe já não se vê mergulhado em uma onda revolucionária, as pessoas não estão sendo metralhadas por tropas fiéis ou não ao regime de Kadafi... O casamento apagou todos os males! Viva a esse estúpido wedding! Talvez o arroz que se jogará em cima sirva de banquete a alguém mais além das media, caso haja alguma Eleanor Rigby para recolhê-lo quando a festa passar!
Nunca disse que era o menos ranzinza...

Bruno Silva

10 de abril de 2011

Fórmula 1 / 2011: grande prêmio da Malásia (sem chuva e com emoção).

Um alemão liderando do início ao fim, um Barrichelo tendo problemas com o carro e abandonando a corrida, uma ferrari atrapalhando a vida de um piloto brasileiro... a fórmula 1 continua a mesma? De jeito nenhum! As expectativas foram confirmadas na corrida da Malásia: ultrapassagens, brigas durante a corrida, estratégias de pit stop definindo posições... Uma corrida viva até o fim, que já nos faz esperar um campeonato emocionante em 2011!

Uma piada do minuto: Mark Webber entra na sala da diretoria de sua equipe e desabafa:
- olha, assim não posso continuar correndo!
- Mas, Webber, já se esqueceu? "Red Bull te dá asas"!
- É, mas eu também preciso de kers!

Uma reflexão do minuto: em alguns carros, a asa traseira faz a diferença; em outros, o kers é quem determina o sucesso. E no carro do Rubinho, é o tacógrafo? rs

Bruno Silva

9 de abril de 2011

POLITICALHA - Tragédia em Realengo: Muita calma nessa hora.


Com prudência pretendo dizer minhas palavras sobre a tragédia que ocorreu em Realengo, ou melhor, não tanto sobre a tragédia em si - já descrita pelo jornalismo - mas de assuntos que a circundam, ou que se ocultam por trás da mesma.

Nesse momento duro é necessário não perdermos a calma e a razão. Isto para que não sejamos levados pela inserção oportunista de velhas-novas plataformas de segurança mais rígidas e disciplinares. Seguem os exemplos.

1) Volta do debate sobre a proibição de venda de armas a civis.

Um pouco de pensamento nos leva a perceber a falácia do argumento: tal possibilidade de proibição de vendas de armas incide apenas sobre a aquisição legal das mesmas, lei que já foi rejeitada por plebiscito recentemente. Ora, para a aquisição legal de armas é necessário passar por exames psíquicos - do qual provavelmente o assassino não sairia aprovado - entre outras burocracias que seria ocioso citar aqui. Por outro lado, deve ser um direito do cidadão "são" defender-se legitimamente de atentados a sua residência ou vida, direito constitucional em democracias. A proibição de que civis possuam armas é característica histórica de regimes ditatoriais e dos mais antigos tiranos, pois assim a sociedade fica mais débil contra os poderes do Estado, possuidor do "monopólio da violência física legítima" (Weber), coisa que devemos desconfiar e criticar, posto que o Estado não é nem nunca fui uma entidade "neutra", e sabemos muito bem o tipo de polícia que temos por aqui. Defendamos a sociedade portanto, através da sociedade, e não somente do Estado. Isto é dito ainda contra certos sociólogos que apareceram defendendo assim o Estado: quando sociólogos defendem o Estado, é porque há algo errado...

2) "Satã Ghost tem o poder de enfurecer os seres e transformá-los em monstros incontroláveis"

Parece piada ou brincadeira de mau gosto, mas a metáfora tirada de Jaspion cai como uma luva para o que é preciso evitar nesse momento (espero que consiga transmitir isso com delicadeza, para que não pensem que eu estou justificando a tragédia): evitar transformar em simples monstro ao assassino que, na verdade, foi uma das possíveis - ainda que não prováveis ou recorrentes - consequências nefastas dos problemas de nossa própria sociedade. A começar pelo bullying pelo qual o rapaz passou durante a idade escolar (passaria muito provavelmente por trote se tivesse ido para uma Universidade), a ausência total de vida social (e não podemos aceitar que se passe a pensar a partir de agora que toda pessoa meio "antissocial" é um provável assassino), a inexistência de auxílio psicológico pelo SUS... Um absurdo que ainda se tome como "luxo" de classes mais abastadas à psicologia, tão importante nas nossas sociedades contemporâneas geradoras de neuroses e problemas psíquicos em alta escala! Pessoas que demonstram tais sintomas precisam de tratamento, não de exclusão ou estigmatização. É muito fácil culpabilizar por completo o outro, e nos tornarmos assim completos inocentes (é claro que as crianças eram sim inocentes do que ocorreu). Fazemos parte de uma sociedade, de uma comunidade social, precisamos ser cidadãos responsáveis e que intervenham na mesma para a sua melhoria, buscando entender os sintomas, os fatos, as mazelas que ocorrem, encontrando suas causas e combatendo-as como médicos antes que policiais.

3) "A miséria do jornalismo"

Os jornalistas da Globo mostraram o quanto sabem sobre a cidade além do túnel rebouças: estereótipos (pra não dizer que não sabem nada). - Como é Realengo? - Não sei... sei que é longe do centro, que fica perto de Santa Cruz (foi a resposta de uma "jornalista" global). Além da teleologia de uma delas, que queria que um psiquiatra afirmasse que poderia se prever 10 anos atrás o assassinato dessa semana, por conta de sintomas apresentados pelo rapaz anteriormente. É muito desconhecimento sobre a cidade (dos seus "apartamentinhos da gávea"), e muita estreiteza de pensamento psicológico...

4) Detector de metais ou PM's nas escolas/universidades

Não é que surpreendentemente o próprio Rodrigo Pimentel foi contra a proposta?! Disse ele muito bem que isso não teria evitado a tragédia, certamente um possível guarda seria igualmente assassinado por alguém tão decidido a fazer o que fez. Por outro lado, é inconstitucional a presença de polícia militar (que é estadual) em universidades federais (só é aceito a existência de vigilantes e/ou de polícia federal ao que me consta). Imaginem nossa PM dando uma dura em estudante dentro de universidade pública? Simplesmente inaceitável.

5) Tragédia

A definição de tragédia - desde o teatro grego - exclui por princípio a ideia de controle e previsibilidade. A tragédia é isto, o lugar do imponderável, do aleatório, da surpresa, do choque, do horror. É duro lembrar disso, mas a tragédia faz parte do mundo humano. Como já dizia em O Poderoso Chefão: "Se a história nos ensinou algo, é que qualquer um pode ser assassinado", especialmente quando o assassino não teme pela sua própria vida.

Espero que os leitores não suponham a indiferença para com a tragédia daquele que vos escreve, a intenção é apenas não cair em clichês direitoides que buscam capitanear o desejo mais sincero de segurança das pessoas em plataformas políticas enrijecidas.

Walter Andrade

6 de abril de 2011

A teologia do famoso "Ladrão Comédia"

Esse vídeo, além de ser um primor em questão humorística, tem também uma outra coisa que chama a atenção: o esquema teológico do ladrão, que muito originalmente, me parece, explica a condição de seus furtos pela permissividade punitiva de Deus para com os pecadores. O ladrão seria uma espécie de "Instrumento da cólera divina", muito embora ele, humildemente, confessa-se também um pecador. Não sou bom conhecedor de teologia, portanto deixo aos leitores a tarefa de tecer maiores comentários a respeito dessa "Teologia criminosa" (rs) proferida por este simpático e bem-humorado larápio!

Bruno Silva

4 de abril de 2011

Vips ou Prenda-me se for capaz? O Coronel Sampaio, Frank Abgnale e Marcelo Nascimento

Ontem foi ao ar uma matéria sobre Carlos da Cruz Sampaio Júnior, o homem que enganou a polícia e a secretaria de segurança do Rio de Janeiro, fingindo ser tenente, major e, por, fim coronel. Confesso que simpatizei com a história do cara: uma espécie de "outsider", o sujeito fez do jeito "errado" a coisa certa. Atuou na Tijuca, Maracanã, Praça da Bandeira, Vila Isabel, Andaraí e Grajaú, segundo informa uma matéria publicada no Extra em outubro do ano passado. Reduziu o número de crimes na região, bateu a meta e garantiu quinhentinho para os polícias da unidade! Esquema honesto, diria o capítão Fábio, personagem de Tropa de Elite. Trata-se de um grande constrangimento, imagino, para o setor de segurança do Rio de Janeiro: um autodidata fez o trabalho que "especialistas" fracassam frequentemente ao tentarem.
Vigarices como esta estão registradas na história e, não por acaso, rendem bons roteiros: foi o caso de Frank Abganale, famoso falsário americano que foi retratado por Leonardo DiCaprio em Prenda-me se for capaz: vôos gratuitos, cheques falsificados, atuação como médico, advogado, professor... genial! Recentemente, a produção nacional reservou espaço para a história de Marcelo Nascimento, retratado por Wagner Moura (ainda não assisti). Mas porquê será que tais histórias interessam tanto as pessoas? No meu caso, sempre acho que vou aprender alguma coisa de útil. O "Coronel Sampaio", por exemplo, ressaltou a importância de você saber se colocar como o que deseja ser: um misto de Maquiavel (fingir possuir as virtudes necessárias) e Max Gehringer, que está tentando ensinar a maneira adequada de se comportar num processo seletivo para alguma vaga? Não sei, mas cuidado quando virem um homem de terno, bem comportado, bom comunicador, etc: ele pode estar mentindo, seja no púlpito de sua cidade ou no Planalto Central do país!

Bruno Silva

24 de março de 2011

GERAIS - Brasil e Irã, a reconstrução do Japão, a situação na Líbia, a Brahma...

Numa época de tantos recursos de edição de imagem, dá até para desconfiar, mas em se tratando do Japão e de sua disciplina... Em apenas seis dias foi reconstruído um trecho de 150 metros da rodovia que ficou famosa na foto. O que não fariam com nossas Brs!...
Após um governo silencioso de Lula-lá, o Brasil de Dilma-Má finalmente demonstra alguma preocupação com o avanço da degradação dos direitos humanos, e vota a favor da proposta para designar um investigador independente de direitos humanos para o Irã. Terá sido uma coincidência o fato de Obama ter vindo ao Brasil e, na sequência, o país ter apoiado uma decisão partida dos EUA? De todo modo, em que pese a desconfiança geral em torno da ONU, não é má a ideia de uma fiscalização nesse sentido...
Na Líbia, as forças aliadas (Estados Unidos, França, Reino Unido, Espanha, Itália e outros) continuam o ataque as forças de Kadafi, explodindo palácios e, mais recentemente, derrubando aviões que cruzam a zona de exclusão aérea. Já tem até versão nova para o antigo trava-línguas: Num ninho de Muammar Kadafi, tem avião que está caindo. Enquanto o Muammar Kadafi macho pia, morrem vários muammar kadafinhos rs!...
No campo dos patrimônios históricos, a Alerj acaba de revogar o tombamento da fábrica da Brahma, que data de 1888: agora, sem o tombamento, a fábrica tombará de vez! Coisas da língua portuguesa, e da politicalha brasileira. Só mesmo com umas duas caixas de Brahma na cabeça para entender, e mais duas para aceitar!

Bruno Silva

13 de março de 2011

O mundo acabará em 2012? Tragédia no Japão.


Os últimos acontecimentos ocorridos no Japão fazem parecer otimistas as previsões apocalípticas esperadas para 2012. Tragédias naturais (não escondo a sensação estranha de chamar "naturais" as tragédias, mas enfim...), tragédias radioativas... Uma das questões que durante muito tempo assombrou as preocupações escatológicas dos cristãos relacionava-se à maneira como o mundo acabaria: não seria por um novo dilúvio, estavam todos certos disso. Mas, de que maneira seria, então? Ninguém esperava que pudesse ser de todas as outras formas restantes. Calor infernal, deslizamentos inéditos, terremotos no topo da escala... Para alguns, o mundo acaba todo dia, um pouco de cada vez: fome, doença, mulher indo embora, homem dando o pé... Para outros, acaba todo de uma vez só: família soterrada, bala perdida, álcool na direção. Mas o que vemos é o último nível da noção global: Américas, Ásia, Europa, irmanadas não apenas no mesmo modo de produção, mas na mesma forma de destruição, da destruição-resultado e da destruição-imponderável. As chaminés podem esquentar o planeta, derreter geleiras, mas não terão força para fazerem tremer as placas tectônicas. Os homens agora podem destruir o mundo sem maiores pesos de consciência, porque talvez não tenham tempo para terminarem a tarefa! "Pensem nas crianças. Mudas, telepáticas. Pensem nas meninas. Cegas, inexatas. Pensem nas mulheres. Rotas, alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas..." (Rosa de Hiroxima - Vinícius de Moraes)

Bruno Silva

2 de março de 2011

Monopólios, Bingos e Outros Bichos...


"Desde que continuassem trabalhando e procriando, suas outras atividades careciam de importância. Abandonados a si mesmos, tal como o gado solto nos pampas argentinos, haviam regredido ao estilo de vida que lhes parecia natural - uma espécie de modelo ancestral. Nasciam, cresciam pelas sarjetas, começavam a trabalhar aos doze anos, aos trinta chegavam à meia-idade, em geral morriam aos sessenta. Trabalho físico pesado, cuidados com a casa e os filhos, disputas menores com os vizinhos, filmes, futebol, cerveja e, antes de mais nada, jogos de azar, preenchiam o horizonte de suas mentes. Não era difícil mantê-los sob controle"

Parece a descrição de nossas sociedades contemporâneas (em especial a brasileira), e não deixa de ter esse objetivo, mas se trata de um trecho de 1984, de George Orwell... (a despeito das aparências, como nos parecemos com os ingleses!)

Assim como no livro, os jogos de azar/sorte continuam controlados pelo Estado, mais um monopólio (que acho Weber esqueceu de acrescentar), o monopólio da sorte, marginalizando bingos (que a Comissão de Constituição e Justiça (re)aprovou em 2009 e que agora depende da aprovação na Câmara, no Senado e da sanção de Dilma), marginalizando o jogo do bicho, que nasceu nobre - pois foi inventado em 1892 em Vila Isabel pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do jardim zoológico do Rio de Janeiro - e hoje já é parte da cultura popular carioca e mesmo se espalhou pelo Brasil. Câmara Cascudo, no seu Dicionário do folclore brasileiro, já dizia ser o jogo do bicho invencível e que "a sua repressão apenas ampliava sua reprodução por todo o país. Vício irresistível, escreveu o folclorista: (…)contra ele a repressão policial apenas multiplica a clandestinidade. O jogo do bicho é invencível. Está, como dizem os viciados, na massa do sangue". Em Ordem e progresso (1959), Gilberto Freyre descreveu o jogo do bicho como uma das poucas atividades sem discriminação de classes no início da república. José Murilo de Carvalho demonstrou (?!) em Os bestializados: Rio de Janeiro e a república que não foi que a sociedade carioca difundia a crença na sorte como uma forma de ganhar a vida sem trabalhar - o que me parece mais uma reprodução do senso comum que qualquer outra coisa, mas ideia que muito me enternece...

E olhem que a Paraíba é o único estado onde o jogo do zoo é legalizado. Lá os números correm pela loteria e os "banqueiros" pagam taxas ao governo, sendo assim a atividade foi afastada do mundo do crime e da corrupção e ainda gera divisas ao Estado. Não se deve brincar com a sorte... E, no fundo, não importa se você ganha ou perde, o Estado (ou estado) sempre vence de antemão qualquer aposta, como em 1984...

Walter Andrade

23 de fevereiro de 2011

Revolução na Líbia: "A Líbia é bombardeada/ a libido e o vírus..."


Queimem os livros de história, joguem fora os programas de aulas, senhores professores! O mundo mudou de vez. O que se assiste no mundo árabe pode sim ser classificado como fez o Walter em uma postagem anterior: "uma era das revoluções árabe"! A Líbia, bombardeada, procura se livrar do vírus Muammar Kadafi. É uma busca pelo "Alívio Imediato", para continuar nas referências a Humberto Gessinger. O exército está aderindo à revolução popular, embaixadores, diplomatas e ministros, favoráveis ao movimento popular (ou ao menos contrários à repressão que se abate), estão pedindo demissão. No mar de petróleo há uma onda revolucionária no ar; ou será no deserto?

"A onda" (Humberto Gessinger)

Força não há capaz de enfrentar
Uma idéia cujo tempo tenha chegado
A força não é capaz de salvar
Uma idéia cujo tempo tenha passado...


Bruno Silva