17 de julho de 2012

Da comunicação mãe-bebê

Mães e bebês possuem uma forma específica e enigmática de comunicação. Como no trânsito, as mães sabem o que ignifica o choro breve, o choro longo, dois choros breves, etc. Eu não entendo de apitos, quem dirá de choro de crianças! Mas o que chamou minha atenção na sexta feira passada foi outra coisa: dentro de uma kombi estavam uma mãe e seu bebê. Era uma menina (falo do bebê), e me olhava fixamente. Tentei algum tipo de aproximação (falo do bebê), mas rejeitei, como sempre faço, apelar para o estilo bilo-bilo. É como dizia o Quintana: "O idiota estilo bilo-bilo com que os adultos se dirigem às crianças, isso deve chateá-las enormemente..." Fiquei olhando, mexendo as sombrancelhas, os lábios... sendo ridículo de outra maneira, em suma.
A menina, que se chamava Izabeli, não esboçava reação, apenas me fitava como se soubesse algum segredo meu. Comecei a me sentir mal, fiz revisão do meu dia: o que será que essa criança sabe a meu respeito. Comentei com a mãe da menina: - poxa, ela não dá chance! Está me olhando de uma maneira adulta, parece que sabe algum segredo meu! Continuamos nos olhando, e era sempre a mesma ameaça nos olhos da Izabeli. Quando desci da kombi, de alguma forma aliviado, a criança, que tinha um ano e pouco, subitamente olhou para a mãe. Mas olhou de uma forma tão eloquente que até eu consegui traduzir o que ela queria dizer: "Mãe, de onde você conhece aquele idiota!"

Bruno Silva

11 de julho de 2012

"Todo mundo odeia mudanças na programação!": gerais com algum humor.

"Lá vem ele reclamar de novo!"
Venho. É como diz na música: a hora do sim é um descuido do não. Não digo que estivesse feliz; estava conformado em trabalhar igual a um relógio e, chegando em casa, assistir ao seriado ultrarrepetido da Record. Agora não tem mais, falhou. Parece que mudaram o horário. Só que ninguém mudou o meu! Então, o que sobra é o noticiário, as vezes até inédito. Ontem, por exemplo, uma história com igredientes conhecidos resultou numa coisa nova e escandalosa. Uma vovó sulista, daquelas que não atiram, fraturou um fêmur e foi a um hospital do SUS (SUS CREDO!) para realizar cirurgia. Era para colocar platina na perna esquerda, mas os gênios não consultaram o prontuário e mandaram platinar a destra da vovó. Percebido o equívoco, fizeram nova cirurgia, mas a platina da direita vai continuar.
Coitada da vovó: vovólwerine (Rir = inferno).
Um experiente paraquedista realizava um treinamento de pane, quando ocorre uma simulação de problema e o pára-quedas é aberto no último momento. O piloto do avião fez uma manobra errada, acertando com a asa na head do paraquedista. Deu ruim de verdade. É o que os italianos chamariam de tropo vero!
O pior foi o comentário de uma autoridade competente: ou foi um erro humano, ou foi um erro da máquina, ou foram as duas coisas juntas. É mais fácil ele perder jogando dados com todos os lados iguais do que errar nessa análise!
O time do Sonnen pretende anular a luta do último sábado. Motivo alegado: a joelhada do Aranha teria sido ilegal. Se você tem dúvidas, procure o vídeo na internet e o assista ao vivo. Galvão garante que é possível!
Bruno Silva

20 de junho de 2012

Gerais: notícias intrigantes

Há pouco tempo programava o despertador para não perder o seriado "Eu, a patroa e as crianças", e ficava feliz quando acordava a tempo de assistir o programa esportivo. Nos últimos ontens, no hoje e provavelmente nos próximos amanhãs (se umas das oitenta quinas de São João não for sorteada!), o único tempo disponível é para o "Todo mundo odeia o Chris" e para algum telejornal, quase sempre na Band.
Não sei com qual das duas opções mais me divirto, porque ultimamente tenho ouvido algumas notícias intrigantes. Desde que a simpática vovó acertou três tiros no ladrão, alegando que jamais havia atirado e que a arma (que estava carregada e ao alcance da mão) era herança de família, algumas coisas andaram acontecendo, com especial destaque para o dia de ontem: ladrões proibem venda de crack em favelas do Rio, preocupados com o resultado ínfimo das vendas e com a "categoria" dos usuários que atualmente procuram o comércio das drogas: é que o crack espanta alguns e concorre diretamente com a maconha e a cocaína. Agora sim, com as autoridades competentes tomando partido, talvez o crack desapareça junto com as cracolândias (como aquela situada na vizinhança do Comando Militar do Leste e do Duque de Caxias). Camarada apanhando como judas, entra no carro e atropela dois dos que estavam na briga. Os jornalistas se chocam dele não ter parado para prestar socorro. Isto seria, sem dúvidas, dar a outra face! Tem notícia que repete mais do que os episódios de "Todo mundo odeia o Chris": Adriano falta compromisso esportivo e dirigentes se queixam de falta de comprometimento! Por fim (talvez fim dos tempos!), Lula apoiando Maluf! Enfim, é uma droga só... e não é o crack!

Bruno Silva

9 de junho de 2012

Poema atravessando a Ponte.





As águas da Guanabara
São mais calmas as seis da manhã.
Um passarinho branco sobrevoa
Ao rés da superfície de gelatina.
Ele que não se atreva a mergulhar!
Pois, ou não volta nunca mais,
Ou emerge de outra cor
E não o reconhecem seus pais.
O Estaleiro Mauá estará lá
A esperar por quem cruza a ponte?
É provável que nem se importe...
O Rio vai surgindo de uma cortina,
E o sol vai compondo com a neblina
Um alento da existência matutina.
Mas, escapemos a esta rima viciada:
Em que paragens terá pousado
O passarinho branco da alvorada?




Bruno Silva

25 de maio de 2012

Pseudos ou Quase Isso!





Triste como se vulgariza tudo neste país (e não só aqui), do sertanejo de raiz tornado "batidão sertanejo"(!), do samba ao "pagode romântico", do forró tornado "aviões do". Agora ainda assistimos ao Rock virado happy rock, emo, hip-rock, new metal... Que mundo nos ficou! Ao que a indústria cultural e outros tantos fatores nos levaram!


E daí surgem ainda os cult's, do outro lado do espectro (os pseudos), que endeusam qualquer banda/artista doce (apenas ou quase bom) que surja num mar salgado...


Ah, este Brasil brasileiro que tem, quiçá, a melhor música no mundo, não por nacionalismo, mas exatamente por cosmopolitismo, por antropofagia criadora.

Lembro hoje (saudosamente já!) da década de 1990 - que em breve passará por um processo de "cultização" também -, na qual se emparelhavam ainda bandas/artistas como Engenheiros do Hawaii, Nação Zumbi, Angra, Djavan,  (para ficarmos nos mais conhecidos apenas)... com a ascensão do "pagode romântico", do "axé" e do "funk" (ao menos aquele que ficou para a classe média televisiva e baladeira, sabe-se lá do "funk de protesto" que rumo tomou). Tivemos no âmbito internacional muita coisa boa ainda (Oasis, Pearl Jam, Radiohead etc.), mas já se sentia o avançar das correntes deletérias...



Hoje a defesa da boa música tem tomado um aspecto "cult" que também me incomoda, com um lado artificial e artificioso de artistas afortunados, entediados e sem vida, que não podem revolucionar verdadeiramente a arte como um dia Astor Piazzola, Jimi Hendrix, Miles Davis e a Tropicália o fizeram. O punk veio dos subúrbios londrinos... não quero dizer com isto que gente rica não possa fazer música "profunda", mas decididamente não com esta postura indiferente! (No mais, o próprio rock progressivo seria uma contraprova)


Hoje as "novidades" que ouço são o passado esquecido, as bandas quase desconhecidas que busco na net, os gêneros diversos como a música latina, o fado, o tango, o jazz, o blues, a MPB claro, tudo isso que passou também (tirante a música latina talvez) pelo tal processo artificioso de "cultização", porque é preciso que se lembre que são todos gêneros populares, populares eu disse. O jazz e o blues são apanágio da black music norte-americana! O tango dos subúrbios de Buenos Aires como La Boca, se o fado não for popular também eu de nada mais sei...

Parece que antes era "natural" ouvir música boa, era parte do Zeitgeist, da atmosfera, do "espírito do tempo"; hoje é um esforço - o esforço é incontornável - que tende a premiar o ouvinte com um status de culto...

Devemos ser, antes de tudo, não dever, e, depois de mais nada, iconoclastas.

Este texto é um desabafo. Pois não posso compactuar com a inautenticidade dos pseudos atuais 
(e receio ser confundido com um "cult").. É só mais uma forma - das inúmeras - de alienação, esta cultural. 


Walter Andrade 

14 de maio de 2012

O Ladrão foi lá em casa...

Não sou propriamente o Jason Bourne, mas na noite da primeira quinta feira do mês achei estranho quando, ainda da rua, notei lâmpadas acesas dentro do meu humilde covil. "Terá sido o meu relapso amigo, o Pedro Rachadura?", pensei. "Mas o que ele tanto buscava para ter deixado minhas roupas e papéis revirados em cima da cama? E por que deixou a janela aberta?" Dali a pouco notava que a janela fora arrombada, coisa que o Rachadura, forte como um Sr. Burns, jamais poderia fazer.
Percebi que havia sido vítima de uma tentativa de furto. Olhei as coisas com calma e não dei pela falta de nada. Se procuravam por dinheiro foram no seu paradeiro menos provável. O vil e fracassado larápio não teve a decência de me levar um dos meus bons livros. Tinha prosa, poesia, crônicas, livros acadêmicos e até um exemplar de bolso do Kama Sutra. Teve a astúcia de retirar o meu quadro do Tom Jobim para descobrir, infeliz, que só tinha parede atrás. Mas não lhe ocorreu tomar um trago da boa garrafa de tequila envelhecida em carvalho, que repousa tranquila e indiscretamente sobre uma das minhas duas geladeiras velhas (a outra faz as vezes de guarda-roupas).
Poderia ter saído mais culto, mas bêbado, mas só conseguiu se cansar e irritar. Ainda por cima deu provas inequívocas de ignorar a velha máxima, mandamento popular: o último a sair apaga as luzes.

Bruno Silva

P.S.: Já escritas estas linhas, dias depois do susto, o autor sentiu falta de um perfume que, para seu malgrado, já saiu de linha! Diga-se a bem da reputação do ladrão, aliás, que não foi de todo inoperante. Não saiu mais culto, nem bêbado, mas agora disfarce em perfume francês o suor que não derrama em labuta!


9 de maio de 2012

Coisas que eu não entendo

Um desodorante aerosol promete 48 horas de proteção: ou seja, dois dias inteiros sem tomar banho! Pode até fazer sucesso em alguns países da Europa, mas na fornalha Brasilis?...

Existe um serviço no atendimento por telefone para aqueles que tem deficiência auditiva. Alô? Alô? Alô!!!!!!!!!

Comprei o tal do "sal light", com cinquenta por cento menos sódio, esse maldito componente que existe em quase tudo que a gente come ou bebe. O macarrão lámen, por exemplo: tem uns sabores com mais de oitenta por cento da quantidade recomendada para o consumo diário. Mas, voltando ao caso do sal, eis a questão: o pacote é de 500 gramas (metade de um pacote normal); na prática, você precisa de uma porção duas vezes maior para temperar; custa o dobro do preço. Isto é: tô pagando quase oito reais! Era mais fácil o fabricante escrever "sal Dom Perrier" e cobrar a mais por esse mimo!

O goleiro Bruno deve voltar ao Flamengo, conforme admitiu o vice-presidente jurídico do time. O mais querido do Brasil não é só uma colônia para as férias: é uma possibilidade de pena condicional!

Bruno Silva


21 de abril de 2012



A indignação é um dos motores mais vigorosos da atividade política. O absurdo é um leitmotiv.


É claro que, numa visão filosófica, não há algo que não seja absurdo, "viver assim é um absurdo (como outro qualquer)/como tentar o suicídio (ou amar uma mulher)/como lutar pelo poder (lutar como puder) - EngHaw". Contudo, se nos tornarmos total contemplativos, nunca nos libertaremos da inércia niilista. O relativismo dos absurdos não é, todavia, equivalente. A aceitação da existência do absurdo (e assim a des-ilusão) não implicam a resignação com o mundo. Aliás, é somente percebendo o absurdo que o ser humano poderá confrontá-lo. Combater a vida pode então ser mais absurdo que ela, pois é uma tentativa de evitar o absurdo (suicídio é só o adiantamento da morte, do não-ser, mas há quem lute contra a vida vivendo...). É a beleza que encontramos na vida - apesar dos pesados pesares - que a faz valer a pena. O significado que podemos inventar para ela, contanto que não se torne nova ilusão dogmática, nos ajuda a preencher seu vazio inerente. Daí que, como um círculo, voltamos à luta pela vida, à luta política pela melhoria da vida humana. Para que se torne mais bela, menos sofrida (na medida do possível), mais humana.


Muito se poderia melhorar a vida sem a corrupção, claro, mas, pergunta-se, é possível que ela suma? Parece-me isto uma nova ilusão, ilusão de pureza. 


A luta contra a corrupção, portanto (e como tudo...) é uma disputa política em si também. Vejamos:


A crítica da corrupção pode esconder uma defesa de uma maior eficácia do sistema econômico-político, um aperfeiçoamento da ordem e do progresso. É um uso à direita do tema, que é tão popular. É o tipo de discurso moralizante que faz sumir o fato mesmo de que o capitalismo se constituiu e se reproduz mediante todo tipo de subterfúgios (subornos, mecenato político, concorrência desleal) e a corrupção é apenas um deles (sendo a exploração do trabalho humano com fins privados a pior, e nada óbvia, porque naturalizada). Claro que temos no Brasil um adicional cultural da corrupção, tão estudado por Antropólogos. Mas há também os que falam até em modo de produção...


A crítica à esquerda da corrupção deve primar por utilizá-la como um sintoma, índice que dá a ver algo muito mais profundo, que é estrutural. É a própria ordem atual que se deve transformar, estrutural e não apenas superestruturalmente (campo moral, político). É pela defesa do aprofundamento da democracia, da transparência, da participação popular (e daí da melhoria da educação que possibilite uma participação realmente cidadã), que poderemos combater não só a corrupção, mas a estrutura econômica e social tão desigual em que vivemos. Para aqueles que não acreditam em mudança, é só olhar para a história. Há alterações que só ocorrem com séculos, sim, mas como homens de nosso tempo podemos e devemos fazer parte do processo histórico, e nele atuarmos como cidadãos responsáveis e conscientes. Importantíssima é, logo, a marcha contra a corrupção. Cumpre disputar seus rumos...


Walter Andrade

9 de abril de 2012

Sandy da Páscoa no UFC

O Fantástico preparou uma surpresa pascoal para os participantes do reality show do UFC: a cantora Sandy carregando um ovo de chocolate. Os apresentadores chamaram isso de "tentação para os lutadores". Quer dizer: a macharada indócil naquela casa, um provável cheiro de plantação de cebolas 24 horas por dia... será que comer chocolate foi a maior tentação para os brutos? Só mesmo para quem acredita no coelhinho!

Em tempo: mais fácil suportar um round com o Anderson Silva do que um capítulo inteiro do TUF Brasil.

Bruno Silva

27 de março de 2012

Urbana Legio Omnia Vincit

Os fãs de Legião Urbana não precisamos nem de tradução para o título desse texto, mas vale o registro: Legião Urbana Vence Tudo. Também não será necessário explicar o porquê do que segue escrito. Bastará lembrar das palavras iniciais de uma música das menos conhecidas da Legião: "Eu sou Renato Russo, eu escrevo as letras, eu canto. Nasci no dia vinte e sete março..." (Rinding Song/  disco: "Uma outra estação").
O líder da banda, que afinal e infelizmente não venceu tudo, faria aniversário hoje. Acho mais apropriado fazer uma homenagem agora, deixando o dia de seu falecimento (11 de outubro) seguir em luto.
Estive pensando na importância que essa banda teve (e talvez ainda tenha) para a juventude. A minha geração, os primeiros órfãos, aprendeu violão tocando "Que país é este?", sonhando com os arranjos mais badalados como o da versão acústica de "Teatro dos Vampiros". Aprendemos também a procurar significados ocultos por trás das letras, mensagens subliminares. Aprendemos, de forma mais geral, a prestar atenção nas próprias letras. Para muitos, os discos da banda foram a porta de entrada para um convívio mais intenso com a escrita, com a poesia. Na verdade, Legião Urbana é o começo de muita coisa.
Ser legionário, hoje, soa a algo retrô; exatamente como as camisas em estampa xadrês, que o Renato Russo já usava antes da voga. Mas, pelas praias sem progresso, quando tem um grupo reunido em torno de fogueira ou garrafas, eles continuam dizendo: "todos os dias, quando acordo, não tenho mais o tempo que passou..."

Bruno Silva

11 de março de 2012

O homem; as viagens... de ônibus!

Eis um trecho do brilhante poema de Carlos Drummond de Andrade: "O homem; as viagens", publicado em época tão recente quanto seja 1973, quando a possibilidade de se chegar a Marte era mais remota do que hoje!

"O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão.
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para o Lua
desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?"
(...)

Dispensam-se maiores comentários sobre a poesia, que parece ter algo a ver com a ida (terá ido?) do homem à Lua. Fala, claro está, da insatisfação e inquietação do ser humano, da vontade de ver o novo, errar de novo.
Ocorre que, atualmente, a ida a outra parte (digamos: Marte!) coloca-se quase como uma questão de manutenção da vida: não falta só diversão, falta espaço para tantas ruas; ruas para tantos carros. Ponho-me a imaginar marcianos em seus cinemas, tremendo com a possibilidade de uma invasão terráquea ao seu planeta. Um amigo e autor no blog esteve por esses dias numa infernal viagem de ônibus interminável! Veio-lhe, então, a inspiração que eu, sem prévia autorização, dou a conhecer:

"Vai vir um dia em que a malha viária será menor do que o comprimento de todos os automóveis perfilados; nesse mesmo dia não haverá terreno para se construir. Os prédios ficarão mais altos, talvez os carros subam na parede, talvez nos mudemos para Marte. Talvez os prédios, de tão altos, cheguem até Marte. Vias expressas interplanetárias sobre as empenas desses edifícios...caberiam mais alguns carros!
Chegaríamos em Marte na metade do tempo, iríamos mais à Marte, finais de semana incríveis, em Marte! Casa de campo! Iates! Carro off road pra fazer trilha, em MARTE! E vai chegar um dia em que não haverá mais espaço em Marte..."
Marte humanizado.

Bruno Silva/ J.G.

6 de março de 2012

Ressurgimento do Carnaval de rua do Rio?

(foto aérea do Monobloco/2012)
Pode ser que eu esteja apenas ficando velho, mas não consigo ver essa melhora tão propagada por todos no carnaval de blocos no Rio de Janeiro.
A prefeitura e o Estado certamente gostam, pois com um patrocinador fixo pagando milhões para exibir sua marca (que nem é a melhor delas!) e jogando a responsabilidade de organização, segurança e horários a seguir nos blocos, deixam seus ombros livres e leves pra curtir a festa.

As mudanças que eram realmente necessárias estão sendo feitas, deve-se ressaltar: mais banheiros químicos (apesar de, em alguns casos, mal distribuídos), um policiamento mais ostensivo e presente e, principalmente, a coleta mais eficaz do lixo deixado pelos foliões.
Porém, em minha opinião, estão querendo bahianizar nosso carnaval! Estão querendo colocar todos (ou a maioria esmagadora) os blocos no Centro, na Avenida Rio Branco, como se fosse um corredor, uma espécie de Barra/Ondina em que os foliões se aglomerassem e ficassem no constante ritmo das ondas, indo com um bloco (Monobloco?) e voltando ao início da avenida para acompanhar outro. E assim durante o dia todo em nosso Mauá/ Cinelândia.

Não acredito que alguém que tenha ido ao Monobloco em Ipanema, ou em Copacabana, com 80 mil pessoas, goste ou vá no desfile da Rio Branco, com suas 500 mil. O Monobloco foi nascido na zona sul, e tiraram um pouco de sua originalidade quando o mudaram de lugar. Seria o mesmo que tirar o Suvaco do Cristo de baixo do suvaco do Cristo Redentor. Sinceramente espero que não viva para ver 2 ou 3 milhões de pessoas se espremendo no circuito Paes/Cabral para ver o "Virilha do Teatro" passar, acompanhados de milhares de uniformizados dentro da corda com seus abadás.

Mas pode ser que eu esteja apenas ficando velho.


Thiguim

29 de fevereiro de 2012

Le Carnaval Soleil


Cirque du Soleil
Unidos da Tijuca 2012

 







O carnavalesco Paulo Barros é, sans doute, un (malin) génie. Reinvenção do carnaval, inventividade fantasista, psicodélica, insólita, a criação adjetivada do artista. "Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim... olha que a rapaziada está sentindo falta, de um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim", resposta brilhante uma vez dada, segundo a "lenda", por Paulinho da Viola à Benito di Paula que estourava, ano após ano, tocando samba no piano, e que eu entendo (ou reinterpreto com a ambiguidade e polissemia da canção) como provocação à Bossa-Nova - "toda bossa é nova e você não liga se é usada...todo carnaval tem seu fim" - aqui cito-as à guisa de algo que quero dizer sobre a Sapucaí. Qual foi o último grande samba-enredo de carnaval? Na minha memória recente só chega o da Mangueira sobre Cartola ("Descendo a ladeira/Com o trio da Mangueira/Doce Cartola sua alma está aqui", 2002!). Hoje, ontem e anteontem cada vez mais se tem ganho o Carnaval com desfiles "técnicos" (como já na década de 1990 conquistava o caneco a Imperatriz), caso de escolas como a Beija-Flor (escancaradamente apoiada pela Globo), e a Unidos da Tijuca (da qual nem se lembrará o samba campeão deste ano, como muitos da Beija-Flor). As escolas de samba tradicionais (isso aqui não é uma agremiação, é uma escola de samba!) como Portela, Mangueira, Mocidade, Império Serrano, Vila Isabel (tantas!), têm sido preteridas em sua autoridade no samba por um carnaval que a cada ano mais se parece com o Cirque du Soleil, que deveria propor a Paulo Barros a direção de um espetáculo, por certo de grande fortuna!

Ademais, a tal diferença entre o 9,5 e o 10 pode ser compreendida, mas entre 9.9 e 10... Algum jurado carnavalesco (dos quais nem sabemos sequer mais a profissão!) explicaria sem hesitar uma diferença de 0.1? Há algum tempo a diferença (se era pra existir) era de pelo menos 0,5 ponto, o que dava maior credibilidade às notas (porque pressionava a consciência do jurado a notar uma diferença mais concreta entre as escolas). Hoje, você, um hipotético jurado, pode sair dando 10 por princípio e escolhendo as escolas que você não quer que sejam campeãs e dar 9.9, 9.8, 9.7... O dado de subjetividade (sempre ineliminável no todo) tem hoje um grau de decisão muito grande, da qual a objetividade (pois há de haver alguma!) se enciuma, inveja e reclama. E não só ela! Denúncias de favorecimento à Inocentes de Belford Roxo no Grupo de Acesso, tiranicídio de rasgação de notas em São Paulo... parece que não sou sozinho na minha desconfiança.

Para evitar a vitória sem mais dos desfiles "técnicos" dever-se-ia ainda aduzir um critério, algo como "Empatia com o Público", na qual sairiam na frente aquelas escolas que levantassem os espectadores das arquibancadas, escolhidas pelo "povo" como as vencedoras. Queria que lembrássemos dos sambas campeões dos anos (e pra isso eles teriam de ser muito bons, como não se tem estimulado mais a serem, já que escolas com sambas-enredo fracos, fracos ganham 10!), não das acrobacias de circo na Sapucaí. Do contrário o carnaval corre o risco de tornar-se cada vez mais - a Grande Rio quer contratar Paulo Barros... - um Cirque du Soleil, belo, fascinante, intrépido... mas fora de tempo e lugar! E pra classe alta/média/estrangeiro ver...

Walter Andrade

Ps: Este ano o Cacique de Ramos, Patrimônio Cultural do Rio e hors concours, foi homenageado pela Mangueira e desfilou na segunda de carnaval na Sapucaí pela primeira vez na história.  Na terça foi a vez da Mangueira ir pra Rio Branco, no desfile do Cacique de Ramos. Naquele dia ouvi o diretor do Cacique dizer no microfone "Aqui se vive o verdadeiro carnaval do Rio de Janeiro, com o Povo". Vendo e participando daquela confusão organizada, não tive meios de discordar...

14 de fevereiro de 2012

Cadê a rede?

No texto que escrevi anteriomente, ainda acreditava que a felicidade cabia numa rede. Mas ela não cabe, não. Porquê? Porque me levaram a rede num dia de calor. Dava pena de ver as paredes nuas! A casa ficou desproporcional sem aquele pano pendurado que era, para mim,  precipício e pára-quedas. Raptaram o meu sossego e nem sequer deixaram bilhete para o resgate!
(...)
Uma lenda muito antiga ensina que o homem desceu das árvores e foi aprendendo a andar cada vez mais ereto, até conseguir ficar de pé sem que isso representasse grandes desafios de equilibrio. Esse homem, que no início não era homem, não era nada... esse homem trocou as frutas pela carne vermelha, amaldiçoou o pequenique e bendisse o churrasco. Acontece que eu estou a meio caminho da evolução: quero a carne e quero a rede! Luto pelo indulto da eterna penitência que é estar de pé!
A felicidade que eu tinha caiu da rede... mas nao morreu! Ela não pode morrer, porque está, para sua segurança e para a nossa, espalhada por vários cantos, contida em várias coisas: chalé, cachoeira, mulher morena, café, comida mineira...
Há quem diga que a felicidade é encontrar finalmente o seu lugar ao sol!
Particularmente, eu tô atrás de sombra...

Bruno Silva

30 de janeiro de 2012

A felicidade cabe numa rede



Estive pensando na felicidade que encontro quando estou desfalecido na rede, como um Marat assassinado. Não peço e não preciso de mais nada para estar bem. A ideia é bem poética, mas logo vem a evidência materialista para atrapalhar: uma rede não flutua no espaço; é preciso dois ganchos que a sustenham. Ganchos não possuem asas, precisam ser fixados em dois pontos fixos. Até poderia usar duas árvores, mas então vem a prefeitura, o proprietário, ou mesmo um pássaro no seu momento mais íntimo e aí... Reclamemos, pois, o conforto de um teto sobre a rede, para que ninguém venha encher a paciência. Mas casas custam dinheiro; dinheiro não nasce em árvore (olha a árvore, não resolvendo pela segunda vez o meu problema!). Vamos atrás do dinheiro para o teto. Mas é a estória do "Capitão de Indústria", música dos irmãos Valle, gravada pelos Paralamas do Sucesso: "Eu acordo prá trabalhar/ Eu durmo prá trabalhar/ Eu corro prá trabalhar/ Eu não tenho tempo de ter/ O tempo livre de ser/ De nada ter que fazer..." Não dá pra ficar o tempo todo em cima da rede, assim como não dá para ser feliz o tempo inteiro. Uma hora você tem que se levantar, mas até lá...




Bruno Silva

23 de janeiro de 2012

Niilismo em raso mar!

Bela Foto de Satélite do Naufrágio
Contraste entre o Colosso e as Comuns Embarcações










O Cruzeiro Concordia desrealizou o seu nome: indignação comungada como uma missa, heroicização da pessoa que cumpria docilmente sua função. Há algo de recusa hierárquica na atitude do comandante do navio, de não se submeter a ordens de alguém da capitania dos portos. Há também, quiçá, qualquer coisa de simplesmente intangível no abandonar do navio pelo comandante: cito aqui Bukowski, não para justificar tal ato - Bukowski nunca será citado por um advogado num tribunal real - mas para compreender, se foi mesmo isto que ocorreu:

"Andava com mania de suicídio e com crises de depressão aguda; não suportava ajuntamentos perto de mim e, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida pra esperar seja lá o que fosse. E é nisso que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa. Tentei me matar com gás e não consegui. Mas tinha outro problema. Levantar da cama. Sempre tive ódio disso. Vivia afirmando: 'as duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica; não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo'. Acharam que estava louco. Brincadeira de criança, é só disso que essa gente entende: brincadeira de criança - passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com este horror que é a vida".


Fiquei refletindo sobre isso quando imaginei a cena do comandante em seu bote, num momento de epifania, olhando fascinado e hipnótico para o navio a naufragar, um colosso afundado por "simples" pedras drummondianas (que agora o sustentam, evitando seu pleno afundamento), negligenciando auxílio aos passageiros em filas pânicas, em seu horror à mutação ligeira daquelas pessoas dantes civilizadamente, irrefletidamente, felizes. Não consigo esconder em um de mim (qual, quain?) uma certa simpatia por ele. Crucificar-me-ão, claro, reação instantânea, e por isso instintiva e impensada.

Walter Andrade

PS: Vi o anúncio nos cinemas de que a versão em 3D de TITANIC será exibida. Estranha "coincidência casual", ou propaganda real para um filme baseado em fatos reais, que reeditará numa dimensão a mais o esplendoroso sucesso de bilheteria!

17 de janeiro de 2012

Estupro de BBB - Um Contributo Histórico


Já vai milenarmente incutido em nossas mentes uma crítica de "sólidos" e metafísicos princípios à sociedade do espetáculo, que põem o efêmero, a aparência e o fútil como manifestações superficiais, do outro lado do discurso verdadeiro e, para além do epidérmico, sob o signo do engodo - diríamos mais modernamente também sob o emblema dos interesses privados (Gilles Lipovetsky. O Império do Efêmero). Que esta descrição adapte-se com louvor à TV Globo, não se está muito longe do verossímil em muitos casos. Ocorre que nenhuma análise apriorística pode ter lugar quando ainda não se sabe se realmente ocorreu um estupro no BBB atual - que eu nem vi, aliás, só flashes sobre o caso. Não se pode aventar tão levianamente a ideia do "bode expiatório", do "racismo" (o rapaz era até contra cotas, estaria realizando talvez um serviço à Globo), da busca desenfreada por Ibope (que na verdade despencou desde então). Eu induzo que ocorreu sim, dada a sumária expulsão do "Brother" (que seria além de estupro um incesto?! rs), sem qualquer defesa feita pelo mesmo (contra a expulsão) e a investigação que a Polícia está fazendo, incluso com intervenção da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres. Tanto mais que "estupro de vulnerável" não exige "penetração", "apenas" abuso sexual.

A outra "justificativa" da total indiferença pelo caso é mais profunda, e se disfarça sob a ideia de que "devia-se usar o twitter e outros canais para detonar o Sarney e a corrupção, os reais problemas do país, não para expulsar um Brother". Ora... primeiro que uma coisa não inviabiliza, sem mais, a outra. Segundo que se está a querer dizer que o estupro então não é um "problema real do país"? Aí adentramos, quer queiramos ou não, no terreno da cultura do machismo, e aqui eu trago um contributo histórico à questão.

"O estupro na Era Moderna (Sécs XVI-XVIII) configurava uma transgressão moral associada aos crimes contra os costumes - fornicação, adultério, sodomia, bestialidade - e não aos crimes de sangue. Pertencia ao universo do impudor, sendo gozo ilícito antes que violência corporal. A visão moralizada do crime reforçava o silêncio da vítima sobre a violência sexual, envolvendo a vítima na indignidade do ato, transformando em infâmia o simples fato de ela ter vivido, pelos sentidos e pelos gestos, a transgressão condenada. O estupro só passou a ser considerado legalmente violência moral e física a partir do século XIX. Esta nova visão não permitiu, contudo, superar a vergonha da vítima ou a suspeita do investigador. Isto significa  que esses limites confirmam a manutenção da dominação sobre a mulher, a existência de um julgamento de saída inigualitário, a estabilidade relativa dos costumes, apesar da inegável mudança na lei. Elas ilustram ainda a duradoura dificuldade de levar materialmente em conta a consciência da vítima, de objetivar suas falhas interiores, essas perturbações do dominado pelas quais a violência é reforçada".


(Itálicos nossos, fragmentos selecionados e parafraseados de VIGARELLO, Georges. História do Estupro: A Violência Sexual nos Séculos XVI-XX. Jorge Zahar Editor: 1998).

Como se vê, a suspeita apriorística sobre a vítima de estupro ainda prossegue, a inexistência de uma educação realmente igualitária, no campo sexual, que ensine um homem a conter seus impulsos quando necessário, para não falar já da ideia comum de que mulher que usa pouca roupa está "pedindo" estupro, que é já puta. Ora, puta quer dinheiro por sexo, não estupro, e tem ainda o direito de não querer um dado cliente. Tudo isto demonstra que o estupro ainda prossegue, nos costumes, filiado à esfera do impudor e do machismo, antes que do crime. E assim, via BBB, um programa sem dúvida fútil, que eu particularmente não suporto, podemos sim, porque não?, discutirmos problemas reais do país, quando a ocasião assim surgir.

Walter Andrade

11 de janeiro de 2012

A Visita de Eduardo Paes à Barra de Guaratiba ou O Paraíso também tem seus Infernos



Barra de Guaratiba é conhecida pelo seu tradicional roteiro turístico-gastronômico, pelo Sítio Burle Marx, belas praias, algumas com trilhas, a Restinga da Marambaia...

Desde César Maia, em cujo mandato foi realizada uma reformulação na orla da praia grande, quando traillers foram alterados para os atuais quiosques, que não se via intervenções urbanas no local.

O atual prefeito Eduardo Paes autorizou uma importante obra de tratamento de esgoto na praia grande, que está acabando com as "línguas negras" no local (haviam pelo menos duas grandes), e é para a "inauguração" da estação que o mesmo visitará BG dia 12/01/2012, aproveitando o ensejo para reunir-se com representantes do Polo Gastronômico de Guaratiba, da Associação de Moradores (que nem é legalizada, o que inviabilizaria, ao que parece, a organização do Reveillón pela Prefeitura), onde serão debatidas melhorias para BG.

Com efeito, há muito mais necessidades,.Como ampliar o tratamento de esgoto para a prainha e praia do canto. Outros exemplos são o asfalto da estrada Roberto Burle Marx, que se encontra em estado lamentável e com excesso de quebra-molas. É preciso ainda melhorar o transporte público na região, especialmente para o Recreio/Barra/Zona Sul/Centro, com a introdução de uma nova linha que fizesse o trajeto até a Barra da Tijuca e tivesse intervalo regular de, no mínimo, 30 minutos. Isto evitaria a espera pelo atraso rotineiro do 387 (Barra de Guaratiba - Carioca), que, por ser longo o trajeto e cheio de retenções, sempre atrasa, e cuja empresa Pégasus nada faz para evitá-lo, não colocando mais carros para a linha. Não me parece que o motivo seja alguma restrição por conta de Guaratiba ser "área de reserva ambiental", já que o 867 (Campo Grande - B. Guaratiba) tem uma grande frota, e que lota o local em dias de sol (linha que deveria não passar mais pela Ilha de Guaratiba, e sim seguir até CG via Rio-Santos). Este aliás é outro problema: a superlotação verificada nestes dias. Não há posto policial próximo - seria preciso haver um na entrada para a serra do Grumari - onde a guarda municipal ou PM's deveriam controlar o tráfego de carros, restringindo o acesso apenas para moradores em dias muito concorridos, para além de uma vigilância mais concreta das pessoas na praia e quando há blocos de samba (quando ocorrem brigas e até tiros). Ah! os shows e fogos (e os últimos já foram muito bonitos) no Ano-Novo deveriam voltar, porque as pessoas não deixam de lotar a praia grande mesmo sem...  É preciso dar um pouco de, para usar uma palavra meio falaciosa, "sustentabilidade" ao local.

Mas o que se está vendo hoje, um dia antes da visita de Eduardo Paes, são intervenções maquiadoras, com brita emergencial no asfalto próximo às praias, carros da Cedae (há um problema crônico de água na região), reparo do refletor da prainha (que estava sem funcionar há meses). Ao que parece, tudo para que as reclamações sejam amenizadas amanhã...

Walter Andrade

7 de janeiro de 2012

Um Bêbado (com mais bebidas!) vai a um Encontro de AA!

Darrin Porter, Condição: Bêbado Idade: 45 Anos
Darrin Porter, de 45 anos, pode ser considerado o homem errado, no lugar errado, na hora errada. O americano simplesmente invadiu uma reunião dos Alcóolatras [sic] Anônimos em Cincinnati, no estado de Ohio (EUA), completamente embrigado [sic] e carregando algumas garrafas de cerveja.
Os agentes do AA escoltaram Darrin até a rua, mas ele estava decidido a participar do encontro para debater os males que o alcool faz ao homem. Como se negava a deixar o recinto, a polícia teve que ser chamada. Ao ver os guardas, Darrin pediu a eles nome completo, número da identidade e da previdência social.
Darrin foi em cana (olha o trocadilho!) por desordem pública e desacato.
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Glosando a matéria...

Quem nunca pensou em fazer algo parecido?

Darrin Porter (de quem sabemos ao menos o nome!) queria debater os males do alcoolismo com os alcoolatras anônimos; bêbado, claro, e portando mais bebidas, ironicamente talvez. Teve uma consciência crítica no momento mesmo da embriaguez (ou uma atitude sarcástica!). Devia ser enaltecido ou... espíritos bukowskianos o enalteceriam também!, e não preso por desordem pública (talvez por desordem interior alheia!). Mas, como desconfia-se por aí (e por aqui), os alcoolatras anônimos, um pouco como os vegetarianos, não conseguem esconder o gosto (bom!) que sabem que as coisas têm: por isso uns chamam guardas para prender quem leva bebidas - imaginem a tensão nervosa dos AA! - e outros comem carne de soja.

Walter Andrade

Ps: Nunca disse que era o menos sádico...

3 de janeiro de 2012

Tarde-sépia

Ontem de tarde havia uma luz diferente. Tentei capturar uma imagem mas, por sorte, a câmera de meu telefone não funcionou. A única maneira de registrar o instante era o papel e o lápis. Não que eu fosse me por a desenhar: escrevi com minha letra cada vez pior as ideias que me vinham. Choveu muito em todo Estado, com maior prejuízo para os moradores da ainda convalescente região serrana. Espero que o sofrimento dessa gente passe logo, seja breve; como aquela tarde-sépia que a noite carregou.

Tarde-sépia
Chuva fina
Rua derretida

Na calçada
Passos breves
Vão seguindo a vida

Poça d'água
Luz de sódio
Cena revelada

Mas se a noite
Tem neblina
Já não deixa nada

Bruno Silva