27 de abril de 2011

ESPORTES - De Volta para o Futuro...


Quando achamos que hoje todo jogador é mercenário, que a tal profissionalização do futebol tirou o lado bom do amadorismo, isto é, o amor à camisa, eis que ao menos uma exceção nos enternece: Juninho Pernambucano, que volta ao Vasco recebendo um salário-mínimo... (simbólico mais-que-tudo, e já que se tem de receber algo por trabalhar). o jogador só aceitou receber boas premiações de acordo com o bom desempenho do time no campeonato brasileiro, posto que por sua idade avançada (36 anos) não sabe se terá condições de atuar em alto nível (acreditamos que sim, já que sempre se cuidou fisicamente e sempre foi disciplinado). Exímio cobrador de faltas (além de ótimo passe e visão de jogo, boa marcação, vibração...), até um cientista se interessou por ele, trata-se de Ken Bray, físico inglês, que chegou a fazer um estudo e o considerou o maior do mundo em cobranças de falta (para quem duvida, assista no fim da postagem a uma cobrança magistral quase sem ângulo que parou no ângulo!). Juninho pediu já duas bolas do brasileirão para ir se acostumando, já que só poderá jogar pelo Vasco em agosto, quando abre a janela para as transferências externas. Havia declarado - como se precisasse! - ser Vasco, e que só jogaria no Brasil novamente pelo Gigante da Colina, articulando agora suas palavras em atitudes. A própria trajetória no futebol remete ao esporte no passado: só jogou pelo Sport (1993-1994), Vasco (1995-2001), Lyon (2002-2008) e pelo Al-Gharafa (2009-2011). Foi multicampeão por onde passou (o Lyon nunca havia conquistado o campeonato francês antes dele, com ele conquistou nada menos que o Hepta!). Para prosseguir no passado, o caso ainda lembra o de Pelé, que quando voltou ao Santos jogou "de graça", segundo o mesmo salientou criticando - lembrança inversa - a Ronaldinho "gaúcho", que disse num dado momento que queria voltar ao Grêmio, para compensar a saída conturbada, e que jogaria "até de graça" pelo time que o revelou; como se viu, apenas palavras vazias de sentido...

As boas-vindas ao eterno reizinho de São Janu!

 

Por um vascaíno muito feliz: Walter Andrade

23 de abril de 2011

Casamento do príncipe William: quem se importa?

Estamos já distantes da época em que a monarquia inglesa, conforme se acreditava, possuía o dom de curar escrófulas pelo toque das mãos (Reis Taumaturgos). Mas o interesse pelas coisas da família real, em que pese a crise por que passa a Grã-Bretanha, continua em alta. O inexpressivo príncipe William e sua noiva arrivista, Kate Middleton, estão sempre dando as caras na máquina de fabricar doidos, a TV. Quis assistir ao noticiário ontem e me deparei com um programa inteiro dedicado ao casamento Real (canais abertos...!), que está sendo considerado um moderno conto de fadas (imagine-se a a Cinderela fazendo - de propósito, dizem as ferinas línguas - matrícula na mesma universidade do príncipe encantado!). Mas qual a relação entre a cura dos males e o tão falado casamento? É que, se já não salva o pescoço de ninguém em particular (a não ser o da futura princesa), a família real contribui para acabar com a tragédia no mundo inteiro: o Japão já não enfrenta problemas, o mundo árabe já não se vê mergulhado em uma onda revolucionária, as pessoas não estão sendo metralhadas por tropas fiéis ou não ao regime de Kadafi... O casamento apagou todos os males! Viva a esse estúpido wedding! Talvez o arroz que se jogará em cima sirva de banquete a alguém mais além das media, caso haja alguma Eleanor Rigby para recolhê-lo quando a festa passar!
Nunca disse que era o menos ranzinza...

Bruno Silva

10 de abril de 2011

Fórmula 1 / 2011: grande prêmio da Malásia (sem chuva e com emoção).

Um alemão liderando do início ao fim, um Barrichelo tendo problemas com o carro e abandonando a corrida, uma ferrari atrapalhando a vida de um piloto brasileiro... a fórmula 1 continua a mesma? De jeito nenhum! As expectativas foram confirmadas na corrida da Malásia: ultrapassagens, brigas durante a corrida, estratégias de pit stop definindo posições... Uma corrida viva até o fim, que já nos faz esperar um campeonato emocionante em 2011!

Uma piada do minuto: Mark Webber entra na sala da diretoria de sua equipe e desabafa:
- olha, assim não posso continuar correndo!
- Mas, Webber, já se esqueceu? "Red Bull te dá asas"!
- É, mas eu também preciso de kers!

Uma reflexão do minuto: em alguns carros, a asa traseira faz a diferença; em outros, o kers é quem determina o sucesso. E no carro do Rubinho, é o tacógrafo? rs

Bruno Silva

9 de abril de 2011

POLITICALHA - Tragédia em Realengo: Muita calma nessa hora.


Com prudência pretendo dizer minhas palavras sobre a tragédia que ocorreu em Realengo, ou melhor, não tanto sobre a tragédia em si - já descrita pelo jornalismo - mas de assuntos que a circundam, ou que se ocultam por trás da mesma.

Nesse momento duro é necessário não perdermos a calma e a razão. Isto para que não sejamos levados pela inserção oportunista de velhas-novas plataformas de segurança mais rígidas e disciplinares. Seguem os exemplos.

1) Volta do debate sobre a proibição de venda de armas a civis.

Um pouco de pensamento nos leva a perceber a falácia do argumento: tal possibilidade de proibição de vendas de armas incide apenas sobre a aquisição legal das mesmas, lei que já foi rejeitada por plebiscito recentemente. Ora, para a aquisição legal de armas é necessário passar por exames psíquicos - do qual provavelmente o assassino não sairia aprovado - entre outras burocracias que seria ocioso citar aqui. Por outro lado, deve ser um direito do cidadão "são" defender-se legitimamente de atentados a sua residência ou vida, direito constitucional em democracias. A proibição de que civis possuam armas é característica histórica de regimes ditatoriais e dos mais antigos tiranos, pois assim a sociedade fica mais débil contra os poderes do Estado, possuidor do "monopólio da violência física legítima" (Weber), coisa que devemos desconfiar e criticar, posto que o Estado não é nem nunca fui uma entidade "neutra", e sabemos muito bem o tipo de polícia que temos por aqui. Defendamos a sociedade portanto, através da sociedade, e não somente do Estado. Isto é dito ainda contra certos sociólogos que apareceram defendendo assim o Estado: quando sociólogos defendem o Estado, é porque há algo errado...

2) "Satã Ghost tem o poder de enfurecer os seres e transformá-los em monstros incontroláveis"

Parece piada ou brincadeira de mau gosto, mas a metáfora tirada de Jaspion cai como uma luva para o que é preciso evitar nesse momento (espero que consiga transmitir isso com delicadeza, para que não pensem que eu estou justificando a tragédia): evitar transformar em simples monstro ao assassino que, na verdade, foi uma das possíveis - ainda que não prováveis ou recorrentes - consequências nefastas dos problemas de nossa própria sociedade. A começar pelo bullying pelo qual o rapaz passou durante a idade escolar (passaria muito provavelmente por trote se tivesse ido para uma Universidade), a ausência total de vida social (e não podemos aceitar que se passe a pensar a partir de agora que toda pessoa meio "antissocial" é um provável assassino), a inexistência de auxílio psicológico pelo SUS... Um absurdo que ainda se tome como "luxo" de classes mais abastadas à psicologia, tão importante nas nossas sociedades contemporâneas geradoras de neuroses e problemas psíquicos em alta escala! Pessoas que demonstram tais sintomas precisam de tratamento, não de exclusão ou estigmatização. É muito fácil culpabilizar por completo o outro, e nos tornarmos assim completos inocentes (é claro que as crianças eram sim inocentes do que ocorreu). Fazemos parte de uma sociedade, de uma comunidade social, precisamos ser cidadãos responsáveis e que intervenham na mesma para a sua melhoria, buscando entender os sintomas, os fatos, as mazelas que ocorrem, encontrando suas causas e combatendo-as como médicos antes que policiais.

3) "A miséria do jornalismo"

Os jornalistas da Globo mostraram o quanto sabem sobre a cidade além do túnel rebouças: estereótipos (pra não dizer que não sabem nada). - Como é Realengo? - Não sei... sei que é longe do centro, que fica perto de Santa Cruz (foi a resposta de uma "jornalista" global). Além da teleologia de uma delas, que queria que um psiquiatra afirmasse que poderia se prever 10 anos atrás o assassinato dessa semana, por conta de sintomas apresentados pelo rapaz anteriormente. É muito desconhecimento sobre a cidade (dos seus "apartamentinhos da gávea"), e muita estreiteza de pensamento psicológico...

4) Detector de metais ou PM's nas escolas/universidades

Não é que surpreendentemente o próprio Rodrigo Pimentel foi contra a proposta?! Disse ele muito bem que isso não teria evitado a tragédia, certamente um possível guarda seria igualmente assassinado por alguém tão decidido a fazer o que fez. Por outro lado, é inconstitucional a presença de polícia militar (que é estadual) em universidades federais (só é aceito a existência de vigilantes e/ou de polícia federal ao que me consta). Imaginem nossa PM dando uma dura em estudante dentro de universidade pública? Simplesmente inaceitável.

5) Tragédia

A definição de tragédia - desde o teatro grego - exclui por princípio a ideia de controle e previsibilidade. A tragédia é isto, o lugar do imponderável, do aleatório, da surpresa, do choque, do horror. É duro lembrar disso, mas a tragédia faz parte do mundo humano. Como já dizia em O Poderoso Chefão: "Se a história nos ensinou algo, é que qualquer um pode ser assassinado", especialmente quando o assassino não teme pela sua própria vida.

Espero que os leitores não suponham a indiferença para com a tragédia daquele que vos escreve, a intenção é apenas não cair em clichês direitoides que buscam capitanear o desejo mais sincero de segurança das pessoas em plataformas políticas enrijecidas.

Walter Andrade

6 de abril de 2011

A teologia do famoso "Ladrão Comédia"

Esse vídeo, além de ser um primor em questão humorística, tem também uma outra coisa que chama a atenção: o esquema teológico do ladrão, que muito originalmente, me parece, explica a condição de seus furtos pela permissividade punitiva de Deus para com os pecadores. O ladrão seria uma espécie de "Instrumento da cólera divina", muito embora ele, humildemente, confessa-se também um pecador. Não sou bom conhecedor de teologia, portanto deixo aos leitores a tarefa de tecer maiores comentários a respeito dessa "Teologia criminosa" (rs) proferida por este simpático e bem-humorado larápio!

Bruno Silva

4 de abril de 2011

Vips ou Prenda-me se for capaz? O Coronel Sampaio, Frank Abgnale e Marcelo Nascimento

Ontem foi ao ar uma matéria sobre Carlos da Cruz Sampaio Júnior, o homem que enganou a polícia e a secretaria de segurança do Rio de Janeiro, fingindo ser tenente, major e, por, fim coronel. Confesso que simpatizei com a história do cara: uma espécie de "outsider", o sujeito fez do jeito "errado" a coisa certa. Atuou na Tijuca, Maracanã, Praça da Bandeira, Vila Isabel, Andaraí e Grajaú, segundo informa uma matéria publicada no Extra em outubro do ano passado. Reduziu o número de crimes na região, bateu a meta e garantiu quinhentinho para os polícias da unidade! Esquema honesto, diria o capítão Fábio, personagem de Tropa de Elite. Trata-se de um grande constrangimento, imagino, para o setor de segurança do Rio de Janeiro: um autodidata fez o trabalho que "especialistas" fracassam frequentemente ao tentarem.
Vigarices como esta estão registradas na história e, não por acaso, rendem bons roteiros: foi o caso de Frank Abganale, famoso falsário americano que foi retratado por Leonardo DiCaprio em Prenda-me se for capaz: vôos gratuitos, cheques falsificados, atuação como médico, advogado, professor... genial! Recentemente, a produção nacional reservou espaço para a história de Marcelo Nascimento, retratado por Wagner Moura (ainda não assisti). Mas porquê será que tais histórias interessam tanto as pessoas? No meu caso, sempre acho que vou aprender alguma coisa de útil. O "Coronel Sampaio", por exemplo, ressaltou a importância de você saber se colocar como o que deseja ser: um misto de Maquiavel (fingir possuir as virtudes necessárias) e Max Gehringer, que está tentando ensinar a maneira adequada de se comportar num processo seletivo para alguma vaga? Não sei, mas cuidado quando virem um homem de terno, bem comportado, bom comunicador, etc: ele pode estar mentindo, seja no púlpito de sua cidade ou no Planalto Central do país!

Bruno Silva

24 de março de 2011

GERAIS - Brasil e Irã, a reconstrução do Japão, a situação na Líbia, a Brahma...

Numa época de tantos recursos de edição de imagem, dá até para desconfiar, mas em se tratando do Japão e de sua disciplina... Em apenas seis dias foi reconstruído um trecho de 150 metros da rodovia que ficou famosa na foto. O que não fariam com nossas Brs!...
Após um governo silencioso de Lula-lá, o Brasil de Dilma-Má finalmente demonstra alguma preocupação com o avanço da degradação dos direitos humanos, e vota a favor da proposta para designar um investigador independente de direitos humanos para o Irã. Terá sido uma coincidência o fato de Obama ter vindo ao Brasil e, na sequência, o país ter apoiado uma decisão partida dos EUA? De todo modo, em que pese a desconfiança geral em torno da ONU, não é má a ideia de uma fiscalização nesse sentido...
Na Líbia, as forças aliadas (Estados Unidos, França, Reino Unido, Espanha, Itália e outros) continuam o ataque as forças de Kadafi, explodindo palácios e, mais recentemente, derrubando aviões que cruzam a zona de exclusão aérea. Já tem até versão nova para o antigo trava-línguas: Num ninho de Muammar Kadafi, tem avião que está caindo. Enquanto o Muammar Kadafi macho pia, morrem vários muammar kadafinhos rs!...
No campo dos patrimônios históricos, a Alerj acaba de revogar o tombamento da fábrica da Brahma, que data de 1888: agora, sem o tombamento, a fábrica tombará de vez! Coisas da língua portuguesa, e da politicalha brasileira. Só mesmo com umas duas caixas de Brahma na cabeça para entender, e mais duas para aceitar!

Bruno Silva

13 de março de 2011

O mundo acabará em 2012? Tragédia no Japão.


Os últimos acontecimentos ocorridos no Japão fazem parecer otimistas as previsões apocalípticas esperadas para 2012. Tragédias naturais (não escondo a sensação estranha de chamar "naturais" as tragédias, mas enfim...), tragédias radioativas... Uma das questões que durante muito tempo assombrou as preocupações escatológicas dos cristãos relacionava-se à maneira como o mundo acabaria: não seria por um novo dilúvio, estavam todos certos disso. Mas, de que maneira seria, então? Ninguém esperava que pudesse ser de todas as outras formas restantes. Calor infernal, deslizamentos inéditos, terremotos no topo da escala... Para alguns, o mundo acaba todo dia, um pouco de cada vez: fome, doença, mulher indo embora, homem dando o pé... Para outros, acaba todo de uma vez só: família soterrada, bala perdida, álcool na direção. Mas o que vemos é o último nível da noção global: Américas, Ásia, Europa, irmanadas não apenas no mesmo modo de produção, mas na mesma forma de destruição, da destruição-resultado e da destruição-imponderável. As chaminés podem esquentar o planeta, derreter geleiras, mas não terão força para fazerem tremer as placas tectônicas. Os homens agora podem destruir o mundo sem maiores pesos de consciência, porque talvez não tenham tempo para terminarem a tarefa! "Pensem nas crianças. Mudas, telepáticas. Pensem nas meninas. Cegas, inexatas. Pensem nas mulheres. Rotas, alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas..." (Rosa de Hiroxima - Vinícius de Moraes)

Bruno Silva

2 de março de 2011

Monopólios, Bingos e Outros Bichos...


"Desde que continuassem trabalhando e procriando, suas outras atividades careciam de importância. Abandonados a si mesmos, tal como o gado solto nos pampas argentinos, haviam regredido ao estilo de vida que lhes parecia natural - uma espécie de modelo ancestral. Nasciam, cresciam pelas sarjetas, começavam a trabalhar aos doze anos, aos trinta chegavam à meia-idade, em geral morriam aos sessenta. Trabalho físico pesado, cuidados com a casa e os filhos, disputas menores com os vizinhos, filmes, futebol, cerveja e, antes de mais nada, jogos de azar, preenchiam o horizonte de suas mentes. Não era difícil mantê-los sob controle"

Parece a descrição de nossas sociedades contemporâneas (em especial a brasileira), e não deixa de ter esse objetivo, mas se trata de um trecho de 1984, de George Orwell... (a despeito das aparências, como nos parecemos com os ingleses!)

Assim como no livro, os jogos de azar/sorte continuam controlados pelo Estado, mais um monopólio (que acho Weber esqueceu de acrescentar), o monopólio da sorte, marginalizando bingos (que a Comissão de Constituição e Justiça (re)aprovou em 2009 e que agora depende da aprovação na Câmara, no Senado e da sanção de Dilma), marginalizando o jogo do bicho, que nasceu nobre - pois foi inventado em 1892 em Vila Isabel pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do jardim zoológico do Rio de Janeiro - e hoje já é parte da cultura popular carioca e mesmo se espalhou pelo Brasil. Câmara Cascudo, no seu Dicionário do folclore brasileiro, já dizia ser o jogo do bicho invencível e que "a sua repressão apenas ampliava sua reprodução por todo o país. Vício irresistível, escreveu o folclorista: (…)contra ele a repressão policial apenas multiplica a clandestinidade. O jogo do bicho é invencível. Está, como dizem os viciados, na massa do sangue". Em Ordem e progresso (1959), Gilberto Freyre descreveu o jogo do bicho como uma das poucas atividades sem discriminação de classes no início da república. José Murilo de Carvalho demonstrou (?!) em Os bestializados: Rio de Janeiro e a república que não foi que a sociedade carioca difundia a crença na sorte como uma forma de ganhar a vida sem trabalhar - o que me parece mais uma reprodução do senso comum que qualquer outra coisa, mas ideia que muito me enternece...

E olhem que a Paraíba é o único estado onde o jogo do zoo é legalizado. Lá os números correm pela loteria e os "banqueiros" pagam taxas ao governo, sendo assim a atividade foi afastada do mundo do crime e da corrupção e ainda gera divisas ao Estado. Não se deve brincar com a sorte... E, no fundo, não importa se você ganha ou perde, o Estado (ou estado) sempre vence de antemão qualquer aposta, como em 1984...

Walter Andrade

23 de fevereiro de 2011

Revolução na Líbia: "A Líbia é bombardeada/ a libido e o vírus..."


Queimem os livros de história, joguem fora os programas de aulas, senhores professores! O mundo mudou de vez. O que se assiste no mundo árabe pode sim ser classificado como fez o Walter em uma postagem anterior: "uma era das revoluções árabe"! A Líbia, bombardeada, procura se livrar do vírus Muammar Kadafi. É uma busca pelo "Alívio Imediato", para continuar nas referências a Humberto Gessinger. O exército está aderindo à revolução popular, embaixadores, diplomatas e ministros, favoráveis ao movimento popular (ou ao menos contrários à repressão que se abate), estão pedindo demissão. No mar de petróleo há uma onda revolucionária no ar; ou será no deserto?

"A onda" (Humberto Gessinger)

Força não há capaz de enfrentar
Uma idéia cujo tempo tenha chegado
A força não é capaz de salvar
Uma idéia cujo tempo tenha passado...


Bruno Silva

21 de fevereiro de 2011

1987 - Nunca foi legal. Mas sempre foi legítimo.

Queria escrever sobre o tema, mas qualquer coisa que escrevesse seria uma espécie de plágio desse texto que agora posto aqui, pois resume bem o que penso.

(Texto integral retirado do blog do jornalista José Ilan)



À essa altura, já nem fazia tanta diferença assim.

O título brasileiro de 1987, agora reconhecido oficialmente pela CBF, nunca esteve na galeria física, mas sempre frequentou o bom-senso da cultura popular, acima de paixões clubísticas.



Nunca foi legal. Mas sempre foi legítimo.

A decisão demorou demais. Idas e vindas de uma tal Taça de Bolinhas, atropelamento e morte da ética, desfaçatez dos que rasgaram acordos, tudo se permitiu na longa e injustificada espera.

Mas o reconhecimento oficial tem, pelo menos, um benefício prático: cobre de vergonha aqueles que cinicamente se aproveitaram da situação ambígua para se apropriar de fatos, glórias e símbolos que não lhes pertenciam.

Porque no fundo, todo mundo – até eles – já sabiam.

Com 24 anos de atraso, o Flamengo é declarado hexacampeão do Brasil.

É provável que tão cedo não haja taça. Talvez não haja carreata, festa do título ou comemoração até o sol raiar.

Mas por toda dificuldade e justiça, bem que merecia.

POLITICALHA - Como se rasgar um mesmo papel todos os dias...


Lê-se na Constituição, Artigo 7º, inciso IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas [do trabalhador] necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

E ainda no inciso XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;


A levar-se em consideração a indigna ou farsante disputa por míseros R$15,00 na queda-de-braço (ou decadénce) entre Governo e Centrais Sindicais por um salário ou de R$545 ou de R$560 (e havia a "revolucionária" proposta de R$600 dos tucanos e democratas!) é de se (re)fazer a pergunta que o Plínio de Arruda Sampaio fez à Dilma durante o programa eleitoral: "Gostaria de saber se a senhora viveria com um salário mínimo?". Outrossim, há de se lembrar a proposta do PCO de "salário vital de R$2.500", sim, porque, devemos nos perguntar profundamente isto: de que lado se encontra a utopia, exigir R$2.500,00 ou usufruir - vamos lá - "moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social" com R$545 ou R$560?!?!

O segundo inciso coloco por conta do básico setor comercial, onde "não se sabe mas se desconfia de muita coisa", isto é, de que não se cumpre a lei ordinariamente, especialmente talvez os trabalhadores de um certo supermercado da "Rua Maxwell, aberto até a meia-noite" e outros exemplos em feriados e afins. "Negociação Coletiva", "Flexibilização dos Contratos de Trabalho", dirão alguns liberais, quando se sabe que o tempo é tudo que um despossuído possui: "É tudo que eu posso oferecer...é pouco...é quase nada...mas é tudo que eu tenho, tudo que eu posso oferecer" já dizia o Humberto Gessinger (o tema da música era romântico, mas cai como uma luva, e acho que o próprio aprovaria meu emprego, ele, que gosta tanto de polissemias...). Como se sabe "Ninguém respeita a Constituição...Mas todos acreditam no futuro da Nação...Que país é esse?!". Respondemos como se fazia nos shows: "É a porra do Brasil"...

Walter Andrade

20 de fevereiro de 2011

"Lei Tiririca": reforma política e voto majoritário

Parece que a proposta de reforma política começará a ser debatida na próxima terça feira e terá, no centro das discussões, o problema do coeficiente eleitoral, este agente complicador do entendimento geral, impossibilitador do exercício pleno (ou encenação sem cortes) da democracia brasileira e garantidor da politicalha dos partidos políticos. Atualmente, o candidato não está apenas na dependência dos votos conquistados: em 2002 a eleição do impagável Éneas, que recebeu cerca de 1,5 milhões de voto, trouxe à reboque a entrada de Vanderlei Assis de Souza, que só teve 275 votos! Casos semelhantes foram registrados em 2006, na eleição do estilista Clodovil e, mais recentemente, com a eleição de Tiririca em 2010, que obteve aproximadamente 1,35 milhões de votos. A reforma pode significar o fim das coligações partidárias com interesses numéricos e o fim das aparições bizarras incumbidas de atrair votos para os partidos introduzirem seus agentes mais especializados (sabe Deus com quais propósitos!) É claro que a reforma não significará apenas isso, pois discutirá, entre outros pontos, o financiamento público das campanhas na expectativa de minimizarem os efeitos do lobby político e outras arestas do nosso sistema (porque ele está muito longe de ser redondo, apesar de permitir a manutenção de tantos círculos viciosos!). Pode ser, mas o horário eleitoral está prestes a ficar menos divertido!

Bruno Silva

11 de fevereiro de 2011

Uma "Era das Revoluções Árabe"?



O Egito toma a dianteira nos noticiários, e não sem razão, visto ser de fato o país mais importante da região do Saara e essencial para ALGUMA estabilidade geopolítica na região do Oriente Médio. O caso é que há outros países árabes onde semelhantes protestos - taxá-los de democráticos sem mais talvez seja imprudência ocidental... - estão se dando. Na Tunísia o presidente Zine El Abidine Ben Ali foi bem pra longe, fugindo do país em 14/01, depois de 23 anos no poder, com um detalhe interessante: os protestos começaram depois da divulgação pela "Wikileaks" de telegramas que revelavam casos de corrupção! O presidente do Iêmen, Ali Abdallah, há 32 anos no poder, anunciou no último dia 2 que não disputará a reeleição e que isto sim contribuirá para a formação de um "governo de unidade". A onda se espalha por países como Argélia, Sudão e Mauritânia, onde a prática da auto-imolação tem sido empregada contra os governos... (o que falar disso? sinceramente, não sei). Na Jordânia o rei empossou o novo governo prometendo mais liberdades individuais - até em Omã, de regime monárquico, houve protestos - e, se lembrarmos do (já) longo conflito no Iraque e Afeganistão, e do (ainda) mais longo problema palestino, um Hobsbawn já chamaria-os de "Era das Revoluções Árabes". Com maior prudência, porém, em relação a uma "História do Presente", sempre arriscada, já podemos pelo menos vislumbrar uma ebulição política no mundo árabe. Resta saber o que sairá disso, novas ditaduras teológicas ou novas democracias islâmicas?

Walter Andrade

10 de fevereiro de 2011

50 bilhões a menos: a vez de Dilma, de uma vez só!

"É melhor ser temida que amada neste país da cordialidade corrupta!" Essas foram palavras pronunciadas ontem (09/02) por Arnaldo Jabor. Elas fazem referências que não são tão conhecidas, embora sejam evidentes: Para os que começam a governar um dominio novo é melhor ser temido ou amado? Era a questão a que Maquiavel, o "imoral" quinhentista da terra de Berlusconi (que começa a conhecer o peso real de uma mulher de 17!), procurava dar resposta. O tese do Brasil do homem cordial, por sua vez, é uma reflexão do sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda (sim, tem a ver com o Aurélio do dicionário e com o Chico Buarque!) Mas percebo que o texto, a exemplo do que acontece com nossa economia, começa a se afastar do rumo. Voltemos ao tema central: as palavras de Jabor.
Ele comentava a recente e amarga notícia do corte de 50 bilhões de reais no orçamento da União. Tá certo, há muita contenção de gastos abusivos, há também o anúncio de uma procura pelos desvios orçamentários do país. Mas o fato é que o corte vai doer para os que se preparavam para os concursos públicos federais, e também para aqueles já aprovados e que, agora, se encontram impedidos de nomeação.
A antiga medicina ensina (e não foi minha intenção fazer a rima) que o remédio amargo é o mais eficiente, e que "o que arde cura". Pode ser, mas se se tentasse impedir o abusivo aumento de salário da politicalha legislativa já seria uma colherinha de açucar no café amargo que se oferece para curar a ressaca de uma embriaguez econômica que começa a causar dor de cabeça!

Bruno Silva

3 de fevereiro de 2011

Explosões pelo mundo - Mubarak Obama

O Egito é um país predominantemente muçulmano. É composto por uma maioria sunita, sendo que outras minorias religiosas, como os ortodoxos e coptas, também marcam presença no país. Por que estou falando isso? Porque nos últimos dias os jornais noticiam incessantemente a revolução por vir no Egito. Parece que o Hosni Mubarak, presidente desde 1981, e que parece ter sido mumificado, já que não aparenta ter a idade que tem (82 anos); parece, eu dizia, que o Mubarak não acompanhou as modificações da história (que ele viveu quase desde o início) e ainda pensa que o Egito está no tempo dos faraós, sendo ele mesmo um novo faraó com mais longevidade do que o jovem Tuntankamom. Ora, se for o caso, é bom ele se preparar para o encontro inevitável com Osíris e sua balança de corações, porque o tempo dele está chegando! E o Obama? Bom, além da boa oportunidade para o trocadilho, parece que o presidente "yes, we can!" está de saia justas com a situação, pois desejaria que o Mubarak se retirasse do poder, mas não pode ("no, we can't!") pedir que ele faça isso, pois como sempre (isso sim parece não mudar) os EUA estão na difícil situação de quem cultiva na mesma fazenda diplomática lobos e ovelhas, uma vez que é aliado de políticos de mesma estirpe oriente afora!

Bruno Silva

25 de janeiro de 2011

Bravo Tom! O aniversário do maestro Tom Jobim

Du Bruni
Se ainda estivesse nesse mundo (porque vivo com certeza está) o maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim teria a aparência de um senhor com oitenta e quatro anos de idade. É curioso que Tom Jobim tenha nascido no primeiro mês do ano e partido no último: de dó a sí lá se vão doze semitons; nos doze meses de um ano lá se vai um Tom inteiro!
Sobre ele, Ruy Castro uma vez disse o seguinte: "Toda vez que Tom abriu o piano, o mundo melhorou. Mesmo que por poucos minutos , tornou-se um mundo mais harmônico melódico e poético. Todas as desgraças individuais ou coletivas pareciam menores porque , naquele momento , havia um homem dedicando-se a produzir beleza. O que resultasse de seu gesto de abrir o piano , uma nota , uma acorde , uma canção , vinha tão carregado de excelência , sensibilidade e sabedoria que ,expostos a sua criação , todos nós , seus ouvintes , também melhorávamos como seres humanos ". ( texto : Ruy Castro .)
Hoje, quando não nos resta senão recordar suas músicas através de gravações, o mundo está um pouco mais feio.
Outras águas de outros meses passaram sem deixar promessas de vida no coração de ninguém! A casa em que o Tom compôs "Águas de Março", em São José do Vale do Rio Preto, foi destruída pela desgraça que se abateu sobre a região serrana do Rio de Janeiro, outra paixão de Tom além da cidade que o maestro amou e ajudou a inventar cantando.
A maneira melhor de se comemorar o aniversário do gênio da música brasileira, penso, é colocar um cd pra tocar e procurar se reconciliar com a vida e a leveza que nos chegam por acordes impossíveis de um piano de magia.
Aos que ainda não conhecem a fundo a obra do maestro Tom Jobim, eis uma data propícia para fazê-lo. Àqueles que já são admiradores: aproveitemos o dia.

Bruno Silva

11 de janeiro de 2011



Como diz na legenda da foto ao lado, Ronaldinho está no Flamengo. Uma contratação gigante, como o futebol que possui o jogador em questão.
Muitos estão em dúvida se será boa para o clube, pois é um jogador em decadência e notívago. Para esses digo que, se Ronaldinho tiver nesse contrato com o Fla (se serão realmente 4 anos? Aaaaacho que non...) apenas 8 ou 9 grandes apresentações no ano, já terá feito mais que todo o elenco rubro-negro junto. Como gostam de dizer os comentaristas esportivos, é um jogador "de rara habilidade e que pode decidir um jogo em um passe ou um chute genial."
E existem outros torcedores, e me incluo nesse grupo, que quer só comemorar a contratação de um ídolo e gozar com a cara dos torcedores de outros times. Que chorem.

Apesar de existirem pessoas que irão torcer pelo fracasso dele, pensem antes: Quantos de vocês já se pegaram pensando "a o Ronaldinho no meu time...". Pois bem. Nós rubro-negros não precisamos mais imaginar. Somente ler as notícias do dia.

P.S.: Isso se falar no Thiago Neves, que já me irritou muito quando jogava pelo Flu. Acometido pela esperança besta de toda nação flamenguista em início de ano, ganharemos tudo que disputarmos. Tenho dito.


Thiguim

10 de janeiro de 2011

Estranhezas do futebol: entre a dedada e o chute na cara.



O ano começou igual para mim, que não ganhei na mega da virada, igual para o Felipe Melo, que tomou um vermelhaço depois de dar um chute de sola na cara do Paci, zagueiro do Parma. Para este o ano começou ruim... Ainda na Itália, o jogador Cassano, na estréia em seu novo time, o Milan, deu uma dedada no companheiro de equipe... Mas poderia ter sido pior: e se fosse o Felipe Melo com mania de proctologista?


Bruno Silva

9 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS SOLTOS - O lado existencialmente positivo da hierarquia

* Pirâmide de Chichen-Itza, México

A hierarquia está no trabalho, no ensino (locais onde é oficial e propagandeada), na família (dissimulada, às vezes mais manifesta), no namoro (implícita mas comum) e até na diversão (área comum e área VIP). Diz-se que nosso (meu, seu?!) povo parece ter um certo horror às diferenças sociais, às patentes. "Tudo junto e misturado" aparenta ser a última palavra-de-desordem. Admito que partilho desse asco ao "Senhor Doutor...", quanto mais ao "Vossa Excelência..." nada excelsa, os pronomes de tratamento nobres mais são fórmulas mofadas, amareladas em livros didáticos. O Brasil não é cerimonioso, ainda que seja muito ritual. Confesso que (mea culpa partiale) tenho lá meus preconceitos com Roberto da Matta por conta da ideia de que a novela das oito (nove? dez?) seja o grande locus de debate político (acho que é conceder demais às TV's, que se orgulham muito e o convidam bastante não à toa). Então pra saber mais sobre o que estou falando seria bom ter lido mais antropologia brasileira... Todavia quero chamar atenção sobre o lado bom da hierarquia: ela garante ao menos o distanciamento mais precário entre os homens (e as mulheres!), já que conquistado por razões de patente ou efeito do poder do dinheiro, esse que gera uma hierarquia mais flexível, não vinculada necessariamente a uma posição social x ou y (é o caso da compra de locais VIP's numa festa). Como dizia uma amiga minha, Taís codinome "Muga", trata-se de "Very Important Putão" no mais da vezes, e esse é um dos problemas também...

No meu caso, acho que a hierarquia vale, apenas existencialmente falando aqui, para garantir as pessoas contra "as discórdias da igualdade" (nunca pensei que fosse citá-lo aqui, mas isso é Francisco Suárez, teólogo espanhol [1548-1617]). É como "viver em sociedade sendo o mínimo sociável possível". Em alguns momentos isso é importante, pelo menos do meu ponto de vista misantropo, solitário e "alternativo". É um modo de garantir a mínima paz possível, distante das multidões massacrantes, irrespiráveis, malcheirosas. Por isso nada melhor que festas em locais VIP's (ou ao menos com um limite numérico) ou ao ar livre. Bom, ao menos ele continua sendo...


Ps (uma convenção, já que pós-scriptum só tem sentido numa carta à mão): Uma van passava com os gritos do cobrador arrebanhando gente para um local de seropédica "Social! Social!", lembro de ter respondido "Antisocial!!!", ao que o rapaz me olhou encabulado. Acho que era dia de choppada de adm ou algo assim...

Walter Andrade