O Rock in Rio - quando há rock ou ritmos adjacentes, ou mesmo o pop bem feito - têm sido até aqui melhor que eu esperava (eu e mais muitos pelo que tenho percebido). Algumas pessoas, como eu, que não estavam nem aí pro evento têm se sentido "caramba, será que não vou nenhum dia?".
O Palco Sunset roubou a cena do Palco Mundo, com Joss Stone, Janelle Monae (que é
o espetáculo em si, pois é uma performista), Angra + Tarja, Sepultura com a percussão do
Tambours du Bronx, Nação Zumbi com Tulipa Ruiz, enfim, misturas bem pensadas e praticadas, de gente que está no evento por amor à música e ao experimentalismo que herda de festivais como Woodstock. No Palco Mundo há obscenidades (de obs-cena, aquilo que deveria não aparecer!), como
NX Zero (hemácia!) e Gloria, uma bandinha
emocore! no dia do Metal
; Claudia Leitte (a apresentadora do Multishow "justificou-a" dizendo que ela entrou "linda, gostosa, um arraso", então bastava colocar uma top model... estamos falando de música ora essa), Ivete Sangalo... que estão tentando enfiar goela abaixo como "unanimidade", inventar uma diva, diva do axé/MPB... Preciso contrariar a
mediocracia, que com seus "jornalistas", preterindo Shakira por Ivete, mal disfarçam o eurocentrismo/americanismo (E.U.A)/nacionalismo brasileiro, que não vê a cultura da América Latina (será que
a enxerga de verdade?)
, não dá o devido valor a uma
Shakira
(que além da boa música é amiga do Gabo!) e que é queridíssima nos E.U.A e na mesmíssima Europa...
E pra você que achou inflexível o que eu disse: Você á a favor de Metallica na
Micareta?!
Outra coisa que queria falar é do
slogan "Eu vou sem drogas ao Rock in Rio". Apreciei muito o Capital Inicial (vejam vocês!), quando lançou um balão escrito "Operação Lei Seca: Cala a Boca"
(poderíamos discutir melhor o assunto, mas não nesse post), e o Marcelo D2 que tocou músicas do Planet Hemp (da época que ele ainda fazia algo de bom). Assim fica meu desprezo a um Emicida, por exemplo, que parece achar necessário justificar a música que faz pela droga que não usa.
Nossa sociedade está entrando numa de "drogas zero", e isso até mesmo quanto às legalizadas, como o cigarro, a bebida, com impostos altíssimos. É perigoso entrarmos nessa
lógica funcionalista onde tudo é coerente, eficaz, 100 % saúde e bem-estar... é um mito que se cria da vida completamente saudável, uma obsessão, a medicalização e normalização da existência. Ora, o "normal não é mais que uma média aritmética" (ou uma "médica aritmética", como ia saindo segundo meu lapso), como já observou Georges Canguilhem em
O Normal e o Patológico. E eu ainda evoco
os mesmos "normais", os surrealistas, os psicanalistas e os demais artistas, aqueles que sabem da importância e necessidade da
fuga, do relaxamento da realidade (ou a passagem a uma hiperrealidade), e mesmo a ligação indissociável entre drogas e arte, ao longo dos séculos. O perigo é vivermos numa sociedade tecnocrática, eficiente, onde não há espaço para a fantasia, o sonho, as experiências, onde se encontram trancadas as
Portas da Percepção...
Ah! Ainda estou em busca de ingressos pro dia do Guns N'Roses,
uma das bandas-símbolo do
Sexo, Drogas e Rock N'Roll...
Walter Andrade
Ps: O negrito é sinal de correção/adição feita ao post original .
A propósito, fui à Cidade do Rock, ia assistir do lado de fora, mas uma confusão dos demais com a polícia (além do ingresso inflacionadíssimo) me fez retornar e ver o GNR em casa. ¬¬ (mas nem tão frustrado assim...).